23/09/2026

PF rebate EUA e não classifica PCC e CV como terrorismo no Brasil

Documento enviado ao Ministério da Justiça aponta que facções têm finalidade econômica

Por Anne Nascimento, ContilNet
EUA matam numero dois do Estado Islamico Abu Bilal al Minuki na Africa/ Foto: Reprodução

A Polícia Federal reagiu à sinalização do governo dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras como organizações terroristas e foi direta: no entendimento da corporação, grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) não se enquadram nesse conceito dentro da legislação brasileira.

Segundo informações do site Metrópoles, em manifestação enviada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a PF argumenta que, embora violentas e altamente organizadas, as facções atuam com objetivo principal de lucro, o que as diferencia de grupos terroristas. Segundo o documento, há um “relativo consenso internacional” de que o terrorismo envolve motivações políticas, ideológicas ou religiosas, além da intenção de provocar terror generalizado e pressionar governos.

É justamente nesse ponto que a corporação estabelece a distinção. Para a PF, PCC e CV operam dentro de uma lógica econômica, ligada a atividades como tráfico de drogas, armas e pessoas, ainda que com forte uso da violência. “Direcionam suas ações principalmente contra adversários específicos”, destaca o texto, afastando a ideia de terror indiscriminado.

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Apesar disso, o órgão não minimiza a gravidade do problema. As facções são classificadas como um “risco severo à ordem pública e à segurança institucional”, exigindo resposta contínua do Estado. O documento também chama atenção para possíveis consequências legais de uma reclassificação apressada. Segundo a PF, aplicar a lei antiterrorismo fora dos critérios pode gerar questionamentos judiciais e até comprometer investigações em andamento.

Outro ponto destacado é que qualquer mudança nesse enquadramento dependeria de alteração na legislação brasileira, já que atualmente essas organizações são tratadas pela Lei de Organizações Criminosas.

No campo operacional, a PF cita o trabalho das forças integradas de combate ao crime organizado, que intensificaram ações recentes. Apenas em 2024, foram cerca de 180 operações, com 1,6 mil mandados cumpridos, aproximadamente 700 prisões e mais de R$ 300 milhões apreendidos.

Mesmo com a divergência sobre a classificação jurídica, a corporação reforça que o Brasil mantém cooperação ativa e histórica com autoridades norte-americanas no enfrentamento ao crime organizado.

Com informações do Metrópoles

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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