A convenção desta quinta-feira (30), em Rio Branco, oficializa a chapa da chamada Frente Ampla no Acre. Estarão no mesmo palanque Thor Dantas (PSB), candidato ao governo, e Jorge Viana (PT), candidato ao Senado. A aliança reúne PT, PV, PCdoB, PSB e Podemos.
O desenho da chapa, porém, revela uma curiosidade política.
Embora seja apresentada como o principal campo progressista da eleição, a coligação chega à convenção sem dois partidos que até pouco tempo integravam esse grupo: PSOL e Rede. Com isso, ficou de fora o professor Inácio Moreira, que construía uma pré-candidatura ao Senado e sempre fez questão de se apresentar como um político de esquerda, sem recorrer a eufemismos.
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A ausência chama atenção justamente porque ocorre em um momento em que Thor e Jorge têm adotado um discurso mais amplo. Thor costuma falar em “campo progressista”. Jorge Viana, por sua vez, evita enquadrar a disputa entre esquerda e direita e repete que sua candidatura é “pelo Acre”.
A estratégia não parece casual. O Acre foi um dos estados onde a direita obteve alguns dos seus melhores desempenhos nas últimas eleições presidenciais. Nesse ambiente, falar para além da esquerda pode ser uma tentativa de ampliar o eleitorado e reduzir resistências.
Ao mesmo tempo, essa opção abre espaço para um paradoxo.
A única chapa identificada nacionalmente com partidos de esquerda chega à campanha sem o pré-candidato que mais insistia em defender publicamente essa identidade. Enquanto Inácio fazia da definição ideológica uma marca política, os principais nomes da coligação preferem enfatizar uma agenda mais abrangente.
Outro elemento reforça essa leitura: a presença do Podemos na aliança. Tradicionalmente associado ao centro e ao centro-direita em diferentes estados, o partido passou a integrar a chapa após articulações conduzidas por Jorge Viana em Brasília, ampliando o arco de alianças.
No fim das contas, a convenção desta quarta oficializa mais do que candidaturas.
Ela confirma uma escolha política: em um estado majoritariamente conservador, a principal frente formada por partidos de esquerda parece apostar menos nos rótulos ideológicos e mais na tentativa de dialogar com o eleitor que rejeita essa classificação.
Projeto pessoal?
Nos bastidores da própria Frente Ampla, há quem faça uma leitura incômoda sobre a chapa construída por Jorge Viana. A avaliação é que o desenho da aliança teve como prioridade maximizar as chances de sua eleição ao Senado, e não necessariamente fortalecer o campo da esquerda como um todo. Para esses interlocutores, a saída do PSOL e de Inácio Moreira enfraqueceu a identidade ideológica da frente, mas abriu caminho para uma composição mais ampla e menos polarizada, considerada mais favorável ao projeto eleitoral de Jorge.
A conta de Jorge
Jorge Viana sabe que sua eleição ao Senado passa por um eleitor que não necessariamente vota na esquerda. Por isso, o discurso tem sido cada vez menos ideológico e cada vez mais regional. A aposta é transformar experiência administrativa em ativo eleitoral.
