O Superior Tribunal de Justiça (STJ) votou por unanimidade, nesta segunda-feira (20), para que o governador do Amazonas, Wilson Lima, se torne réu pelo crime de peculato em meio à pandemia de Covid-19.
O relator, ministro Francisco FalcĂŁo, votou no sentido de aceitar a denĂşncia e abrir procedimento criminal contra o governador. O relator aponta Wilson Lima como partĂcipe pela prática dos crimes de dispensa de licitação sem observância das formalidades legais, fraude em licitação, aumento abusivo de preço e sobrepreço, peculato e lĂder de organização criminosa.
Os ministros Nancy Andrighi, Laurita Vaz, JoĂŁo Otávio de Noronha, Maria Thereza de Assis Moura, Herman Benjamin, Jorge Mussi, LuĂs Felipe SalomĂŁo, Benedito Gonçalves, Raul AraĂşjo, Paulo de Tarso Sanseverino e Isabel Gallottie votaram com o relator.
A votação foi realizada pela Corte Especial do STJ, que tem 15 ministros. Entretanto, neste julgamento, o ministro Og Fernandes não estava presente e o ministro Mauro Campbell se declarou suspeito. O presidente também não vota quando se trata de Corte Especial.
Após a decisão do STJ, o governador Wilson Lima manifestou-se afirmando que agora terá a “oportunidade de apresentar a defesa e aguardar a absolvição pela Justiça”.
“Sobre a decisĂŁo de hoje, afirmo: as acusações contra mim nĂŁo tĂŞm fundamento e tampouco base concreta, como ficará provado no decorrer do julgamento. Nunca recebi qualquer benefĂcio em função de medidas que tomei como governador. A acusação Ă© frágil e nĂŁo apresenta nenhuma prova ou indĂcio de que pratiquei qualquer ato irregular”, disse.
“Agora terei a oportunidade de apresentar minha defesa e aguardar, com muita tranquilidade, a minha absolvição pela Justiça. Tenho confiança na Justiça e a certeza de que minha inocência ficará provada ao final do processo”, acrescentou o governador do Amazonas, Wilson Lima.
A análise chegou a ser adiada por duas vezes; em 2 de junho, o ministro Francisco FalcĂŁo atendeu ao pedido da defesa por mais prazo para se manifestar e retirou o julgamento da pauta. No mesmo dia, o governador Wilson Lima foi um dos alvos de operação da PolĂcia Federal contra a alta cĂşpula do Executivo estadual por desvios na SaĂşde. Agentes foram recebidos a tiros, segundo a subprocuradora-geral da RepĂşblica, LindĂ´ra AraĂşjo.
Já em 29 de junho, o relator retirou da pauta da Corte Especial o julgamento da denĂşncia. O ministro relator alegou que a PolĂcia Federal havia encaminhado novos documentos da investigação e deu novo prazo para a defesa dos acusados se manifestar.
DenĂşncia
Wilson Lima, o vice-governador Carlos Almeida (PTB) e mais 16 pessoas foram denunciados pela Procuradoria-Geral da RepĂşblica em 26 de abril deste ano pelos crimes de organização criminosa, dispensa indevida de licitação, fraude Ă licitação e peculato em meio Ă pandemia do novo coronavĂrus.
A Operação Sangria, da PolĂcia Federal (PF), realizada no dia 2 de junho contra a alta cĂşpula do governo do Amazonas por desvios na SaĂşde, cumpriu 25 mandados judiciais expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A PF esteve na casa do governador Wilson Lima.
Segundo as investigações, há indĂcios de que funcionários do alto escalĂŁo da Secretaria de Estado de SaĂşde do Amazonas realizaram contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cĂşpula do governo do estado.



