Pedro Castillo tomou posse como presidente do Peru nesta quarta-feira (28/07). Usando seu tradicional chapĂ©u de palha de aba larga e um terno com motivos indĂgenas, Castillo foi empossado pela presidente do Congresso, MarĂa del Carmen Alva.
“Juro por Deus, por minha famĂlia, por minhas irmĂŁs e irmĂŁos peruanos, camponeses, povos nativos, rondeiros, pescadores, professores, profissionais, crianças, jovens e mulheres, que exercerei o cargo de presidente da RepĂşblica no perĂodo de 2021-2016. Juro pelo povo do Peru, por um paĂs sem corrupção e por uma nova Constituição”, disse.
Em seguida, ele cantou o hino nacional, tirando por alguns instantes seu já célebre chapéu.
Castillo,de 51 anos, sucede o presidente Francisco Sagasti, que havia sido nomeado para o cargo pelo Congresso em novembro para liderar a nação sul-americana apĂłs semanas de turbulĂŞncia polĂtica.
Entre os presentes na cerimĂ´nia de posse estavam os presidentes da Argentina, Alberto Fernández; da BolĂvia, Luis Arce; do Chile, Sebastián Piñera; da ColĂ´mibia, Iván Duque; do Equador, Guillermo Lasso; e o rei da Espanha, Felipe 6Âş.
AlĂ©m da posse de um novo presidente, o Peru tambĂ©m celebra nesta quarta-feira o aniversário de 200 anos da independĂŞncia do paĂs.
Jair Bolsonaro foi o Ăşnico presidente de um paĂs vizinho do Peru que nĂŁo viajou a Lima para a posse. O Brasil acabou sendo representado pelo vice-presidente, Hamilton MourĂŁo. Em maio, Bolsonaro compareceu Ă posse do presidente equatoriano Guillermo Lasso, um banqueiro conservador que derrotou um oponente de esquerda.
Castillo, que se define abertamente como de esquerda marxista, obteve 50,12% dos votos válidos nas eleições presidenciais de junho e uma margem de apenas 44.263 votos de vantagem sobre Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori e lĂder do partido Força Popular.
TurbulĂŞncia polĂtica
O partido de Castillo, o Peru Livre, será minoria num Congresso fragmentado e deverá buscar acordos para acabar com a instabilidade recente.
ApĂłs cinco anos de convulsões polĂticas que levaram o Peru a ter trĂŞs presidentes em cinco dias, em novembro de 2020, o paĂs vive sob tensĂŁo desde as eleições de junho. Centenas de militares aposentados pediram que as Forças Armadas impedissem que Castillo assumisse o poder.
Já a candidata derrotada Keiko Fujimori atrasou o processo eleitoral com mais de mil pedidos de impugnação do resultado alegando supostas fraudes – sem apresentar provas. Observadores internacionais que acompanharam o pleito rejeitaram as acusações de Keiko.
Professor primário na zona rural desde 1995, Castillo saiu do anonimato há quatro anos, após liderar uma greve de professores. Ele assume com um discurso profundamente reformista.
Seus planos incluem uma nova Constituição, por considerar que a atual, nascida no governo de Alberto Fujimori, em 1992, promoveu uma economia neoliberal cujo progresso econĂ´mico nĂŁo resolveu as profundas desigualdades no paĂs.
Castillo tambĂ©m assume um paĂs duramente atingido pela covid-19: o Peru acumula 2,1 milhões de infecções pelo coronavĂrus e 195 mil mortos em decorrĂŞncia da doença. ApĂłs ajustar as cifras no fim de maio, o paĂs passou a ter a maior taxa de mortalidade do mundo na pandemia: 602 mortos por 100 mil habitantes.


