A Justiça do Rio Grande do Sul condenou o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, por ter cometido homofobia contra Eduardo Leite (PSDB), governador do RS.
A decisão foi tomada na última sexta-feira (10) pelo juiz Ramiro Oliveira Cardoso, da Comarca de Porto Alegre, que determinou ao réu o pagamento de R$ 300 mil ao Fundo de Reconstituição dos Bens Lesados.
As ofensas dirigidas a Leite foram feitas tanto nas redes sociais como em uma entrevista concedida à Rádio Bandeirantes em março de 2021. Eduardo Leite declarou publicamente ser homossexual em uma entrevista concedida em julho.
Ao criticar medidas preventivas contra a Covid-19 tomadas por Leite, Jefferson afirmou que o comportamento dele era “tĂpico de viado”:
“NĂŁo sei como Ă© o comportamento dele, mas eu diria que Ă© um tĂpico papel de viado, nĂŁo Ă© um papel de homem, esse Ăłdio ao povo, Ăłdio Ă famĂlia”, disse o ex-deputado.
A ação foi ajuizada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul após a promotoria receber uma representação do governador contra Jefferson, na qual ele acusava o agora réu de injúria, homofobia e preconceito.
Na decisĂŁo, o juiz argumenta que nĂŁo há direito a liberdade de expressĂŁo absoluto se as falas ultrapassam ” limites extrĂnsecos em outros princĂpios constitucionais, como a igualdade jurĂdica de tratamento e o princĂpio da dignidade da pessoa humana”.
“Ao realizar o debate pĂşblico sobre as restrições sanitárias impostas pelo autor, este no exercĂcio de suas funções pĂşblicas, em meio Ă pandemia, usa o demandado de argumento racializante, ao propor uma superioridade de pessoas heterossexuais sobre as homossexuais, substituindo qualquer argumento racional por um preconceito perverso e odioso”, diz a sentença.
Outro procedimento do magistrado foi remeter cópia da sentença e de todo o processo ao Ministério Público Estadual do Distrito Federal, a fim de apurar a responsabilidade civil do PTB por omissão em lidar com o caso.
Ainda cabe recurso da defesa de Jefferson.
Outras denĂşncias
O ex-deputado está preso preventivamente desde 13 de agosto por participar de uma suposta milĂcia digital em ataques Ă s instituições democráticas, segundo argumenta o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Além disso, no fim do mês passado, ele já havia sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República por incitação ao crime e por homofobia.
O presidente do PTB chegou a associar pessoas LGBTQIA+ ao tráfico de drogas e outros crimes sem apresentar provas, argumentou a promotora responsável pelo caso.

