Um dia após condenação, PT lança pré-candidatura de Lula: “Não temos Plano B”, diz Gleisi Hoffman

Por Marina, ContilNet 25/01/2018 às 10:56
In this Tuesday, Oct. 3, 2017 photo, Brazil's former President Luiz Inacio Lula da Silva speaks at a protest against the government's plan to increase privatizations, including in the oil industry, in front of the state-run oil company Petrobras headquarters in Rio de Janeiro, Brazil. Da Silva, who is appealing his conviction of corruption and sentence to nearly 10 years in prison, is the consistent poll leader for next year's election. (AP Photo/Bruna Prado)

Partido dos Trabalhadores lançou nesta quinta-feira (25) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de outubro. A decisão foi tomada durante reunião da Comissão Executiva Nacional do PT em São Paulo.

Além dos membros da executiva, participaram da reunião os governadores do PT, senadores, deputados federais e estaduais, dirigentes nacionais e regionais, dirigentes de outros partidos, de movimentos sociais e de centrais sindicais.

A presidente do PT, Gleisi Hoffman, colocou em votação se todos aceitam Lula como pré-candidato e começaram a gritar e logo depois anunciou o resultado. “Foi aprovado por unanimidade a pré-candidatura dele. Não temos plano B”, disse Gleisi.

Ex-presidente Lula/Foto: reprodução

Na noite de quarta-feira, Lula participou de um ato em São Paulo, logo após o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmar sua condenação e ampliar a pena de prisão para 12 anos e 1 mês. Em discurso a manifestantes na Praça da República, no Centro da capital paulista, Lula disse que respeita o resultado, mas que não aceita “a mentira pela qual eles tomaram a decisão”.

Por unanimidade, os três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4, que fica em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, votaram em favor de manter a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP).

O ex-ministro Eugênio Aragão (PT) falou que eles entrarão com embargos de declaração e com recurso especial ao TRF. “O acórdão não diz claramente o fato, disse que foi dito no voto do relator. O presidente Lula não se defendeu. Houve uma revirada na matéria fática, é uma forma de ilegalidade”.

Já o senador Lindemberg Farias (PT) disse que os militantes “vão lutar nas ruas do Brasil” pela candidatura de Lula. A Central dos Movimentos Populares disse que fará uma análise em 1 de fevereiro para fazer um cronograma de atos nas ruas em apoio a Lula

Na esfera eleitoral, a situação de Lula só será definida no segundo semestre deste ano, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisar o registro de candidatura. O PT tem até o dia 15 de agosto para protocolar o pedido e a Corte tem até o dia 17 de setembro para aceitar ou rejeitar a candidatura.

Recursos
A defesa do ex-presidente Lula anunciou que irá recorrer da decisão do Tribunal Regional Federal. “Não houve qualquer demonstração de elementos concretos que pudessem configurar a prática de um crime”, diz o advogado Cristiano Zanin.

Como a condenação foi unânime, a possibilidade de recursos do ex-presidente foi reduzida. Com o placar de 3 votos a zero, o único recurso disponível para a defesa no TRF-4 são os chamados “embargos de declaração”, que não permitem reverter a condenação.

A Lei da Ficha Limpa, que impede a candidatura de condenados por tribunal colegiado (como é o caso do TRF4), prevê também a possibilidade de alguém continuar disputando um cargo público caso ainda tenha recursos contra a condenação pendentes de decisão.

Conteúdo Original / Fonte: G1

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