Zambelli nega ser fugitiva, diz morar em endereço fixo na Itália e rebate deputado italiano

Declaração foi resposta ao parlamentar Angelo Bonelli, que insinuou que Zambelli aguardava anistia no Brasil

Por Fhagner Soares, ContilNet 26/07/2026 às 12:56
Julgamento sobre extradição por porte de arma foi reiniciado em Roma para avaliar condições de atendimento médico/ Foto: Reprodução

A ex-deputada federal Carla Zambelli divulgou um vídeo neste domingo (26/7) para responder às declarações do deputado italiano Angelo Bonelli e assegurar que as autoridades judiciais da Itália possuem registro atualizado de sua localização. Em liberdade no país europeu, a brasileira negou que esteja clandestina ou escondida da Justiça.

“Desde que fui libertada, permaneço na Itália. Meu endereço é conhecido das autoridades italianas. Tenho uma residência fixa, e estou cumprindo rigorosamente todas as determinações da Justiça italiana. Não há absolutamente nada de clandestino na minha situação”, declarou a ex-parlamentar.

A manifestação ocorreu após Bonelli afirmar, durante agenda no Brasil na última quarta-feira (22/7), que a localização de Zambelli seria desconhecida e sugerir que ela aguardaria o pleito presidencial de outubro na expectativa de uma eventual anistia em caso de vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

Em relação às afirmações do parlamentar italiano, Zambelli rejeitou a condição de fugitiva e alegou estar exercendo direitos decorrentes de sua cidadania italiana.

“Isso simplesmente não é verdade. Não sou uma fugitiva, cheguei à Itália em busca de proteção, em um país do qual também sou cidadã. Estou exercitando um direito que a lei me garante. Não devo nenhuma satisfação ao Bonelli, mas sinto dever a vocês, que rezaram por mim”, afirmou, acrescentando ser alvo de perseguição conduzida “pela pessoa que hoje, na prática, manda no Brasil”, em referência indireta ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Condenada em duas ações penais distintas no Brasil, a ex-deputada viajou para a Itália e chegou a ser detida em julho de 2025. Em maio deste ano, a Corte de Cassação de Roma — instância máxima do Judiciário italiano — anulou as decisões anteriores relativas ao pedido de extradição por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), acolhendo a tese de falta de imparcialidade de Moraes pelo fato de o ministro ter sido vítima do ataque cibernético.

Zambelli responde agora em liberdade ao segundo processo de extradição, referente à condenação por porte ilegal de arma de fogo. Para este caso, a Suprema Corte italiana ordenou o reinício do procedimento na Corte de Apelação de Roma.

A revisão não identificou motivação política na condenação, mas apontou a ausência de garantias formais do Estado brasileiro sobre a prestação de assistência médica especializada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (Colmeia), tendo em vista o quadro de saúde considerado “complexo e multifacetado” da ex-parlamentar. O novo julgamento em Roma ainda não possui data definida.

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