Deolane era monitorada pela Interpol antes de ser presa em SP

Novas informações do 'Fantástico' revelam que influenciadora foi acompanhada à distância em Roma e quase foi detida em território italiano

Por Redação ContilNet 24/05/2026 às 20:44

Novos detalhes do inquérito que culminou na prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra apontam que ela foi monitorada de perto pela Interpol durante uma temporada de férias na Itália. Segundo reportagem exibida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, neste domingo (24), a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público paulista chegaram a planejar o cumprimento do mandado de prisão preventiva em solo europeu.

A apuração indica que Deolane permaneceu por mais de 20 dias em Roma, hospedada em um imóvel de luxo na região da Piazza di Spagna, com diárias superiores a R$ 15 mil. Enquanto publicava sua rotina de viagens nas redes sociais, seus passos eram acompanhados à distância pelos investigadores.

A polícia brasileira discutiu estratégias jurídicas internacionais para efetuar a captura na Europa, mas a influenciadora retornou ao Brasil apenas um dia antes da deflagração da Operação Vérnix, sendo detida logo após o desembarque em São Paulo. Após passar pelos trâmites judiciais, ela foi transferida para o presídio feminino de Tupi, no interior paulista.

As suspeitas de que Deolane Bezerra atuaria como uma espécie de “caixa” financeiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) ligam o nome da influenciadora à cúpula da facção criminosa. De acordo com a polícia, o caso é um desdobramento de uma investigação iniciada no ano de 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos encontrados em uma cela da penitenciária de Presidente Venceslau.

Os papéis continham ordens expressas atribuídas às principais lideranças do grupo, entre elas Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, conhecido como Marcolinha. A partir desse mapeamento, os investigadores identificaram empresas consideradas de fachada em nome de Deolane em municípios do interior de São Paulo localizados nas proximidades daquele presídio. Os endereços dessas firmas eram compartilhados com dezenas de outras companhias classificadas como fantasmas.

A quebra de sigilo bancário aponta que R$ 13,6 milhões circularam pelas contas pessoais da advogada entre os anos de 2018 e 2022. Em paralelo, outros R$ 14 milhões transitaram por empresas registradas em seu nome. A acusação formal apura os crimes de lavagem de dinheiro, associação para o tráfico de drogas e organização criminosa.

A defesa técnica da influenciadora rebate integralmente as conclusions dos relatórios financeiros e os supostos vínculos com o crime organizado. O advogado Aury Lopes Jr. afirmou publicamente que sua cliente não possui nenhuma espécie de ligação com a empresa de transportes citada na investigação, tampouco com os gestores da referida firma.

Durante o depoimento formal na audiência de custódia, Deolane Bezerra justificou a origem de seus bens e movimentações bancárias. A influenciadora declarou ao juiz que a totalidade dos valores recebidos em suas contas provém de pagamentos legítimos e honorários profissionais recebidos na época em que exercia regularmente a profissão de advogada criminalista. A defesa assegura que todos os montantes têm lastro documental e foram devidamente declarados ao fisco.

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