Ex-jogador do Corinthians vive nas ruas após perder casa e enfrentar drogas
Régis Fernandes da Silva, conhecido no futebol como Régis Pitbull, vive há cerca de dois meses nas ruas de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo. Aos 49 anos, o ex-jogador que passou por clubes como Corinthians, Vasco e Ponte Preta enfrenta dificuldades financeiras e a dependência química, em uma realidade que contrasta com o período de maior estabilidade vivido durante a carreira.
Nascido e criado em Pirituba, Régis atualmente dorme sob lonas, cobertores e papelões instalados em uma praça do bairro. O apartamento onde morava foi alvo de uma ação judicial por dívidas de condomínio e IPTU. Em 2025, ele chegou a ser preso após agredir o síndico do imóvel.
A situação foi revelada em reportagem publicada pelo GloboEsporte nesta quarta-feira (2).
Na rotina pelas ruas do bairro, Régis costuma frequentar um restaurante próximo ao local onde está abrigado. Funcionários contam que ele pede café com várias colheres de açúcar, recebe refeições doadas e utiliza o estabelecimento para carregar o celular e tomar banho ou usar o banheiro. Segundo uma funcionária, são raros os dias em que o ex-atleta é visto sóbrio.
A dependência química acompanha Régis desde os primeiros anos no futebol. Durante a carreira, ele chegou a ser suspenso duas vezes por doping relacionado ao uso de maconha. Em 2022, foi internado em uma clínica de reabilitação, mas teve uma recaída menos de um mês depois de deixar a instituição.
Hoje, o celular se tornou uma ferramenta para manter contato com conhecidos, mas também para comprar drogas. Régis contou que, na noite anterior à reportagem, havia consumido uma substância que descreveu como uma “flor com ice”.
Ele circula pelo bairro em uma bicicleta azul, usada para visitar conhecidos e resolver questões do dia a dia. Em um desses deslocamentos, encontrou o policial responsável por sua prisão em 2025. Segundo o relato de Régis, o agente disse que ele próprio era responsável pela situação em que se encontrava.
Pouco depois, o ex-jogador seguiu até uma borracharia para consertar o pneu da bicicleta.
Sem interesse em nova internação
Apesar das tentativas de pessoas próximas, Régis não demonstra interesse, neste momento, em uma nova internação ou em receber acompanhamento médico. Também rejeita a possibilidade de morar na casa de conhecidos.
Para ele, a prioridade é outra: conseguir um emprego e reconstruir a própria vida.
O ex-atleta mantém contato com integrantes da torcida do Corinthians. Segundo o próprio Régis, alguns torcedores já foram até o local onde ele vive na tentativa de ajudá-lo.
A ligação com o bairro também permanece forte. Conhecedor das ruas de Pirituba desde a infância, Régis mantém uma rotina pela região e continua encontrando antigos conhecidos.
Do futebol profissional às ruas
A situação atual contrasta com o período em que Régis viveu como jogador profissional. Ao lembrar da carreira, ele falou sobre os carros que teve e os momentos em que desfrutou de maior estabilidade financeira. Entre eles, citou uma BMW e uma Dakota.
Também recordou episódios em que era tratado de forma diferente por causa da fama. Em uma ocasião, contou que foi recebido em uma churrascaria sem precisar pagar a conta.
Régis disputou 170 partidas como profissional e marcou 49 gols. Além de Corinthians, Ponte Preta e Vasco, passou por Bahia e Portuguesa e também atuou no futebol do Japão, da Turquia e da Coreia do Sul.
O ex-jogador completa 50 anos no próximo dia 22 de setembro. Ele afirma que gostaria de reunir amigos para comemorar a data, mas admite que encontra poucas razões para celebrar diante da realidade que enfrenta atualmente.
Em meio às dificuldades, Régis resume a própria situação em uma declaração que expõe o desejo de se afastar da imagem pública que construiu no futebol:
“Não quero que ninguém saiba que eu existo. Se acharem que estou morto, é melhor. Não sou um coitadinho.”