De exemplo à demissão: juiz é afastado por conduta no trabalho

Ex-vendedor de pipoca, magistrado não foi efetivado após denúncias de desrespeito a colegas

Por Anne Nascimento, ContilNet 02/05/2026 às 17:10
Robson José dos Santos construiu uma história marcada por dificuldades desde a infância. — Foto: Divulgação

A trajetória que já foi símbolo de superação terminou de forma inesperada. O juiz Robson José dos Santos foi demitido após decisão do Tribunal de Justiça de Rondônia, que apontou comportamentos considerados incompatíveis com a função.

Natural da periferia de Recife, Robson José dos Santos construiu uma história marcada por dificuldades desde a infância. Ainda jovem, trabalhou vendendo pipoca e picolé nas ruas, foi gari e conciliava a rotina com estudos noturnos, enfrentando períodos de escassez.

De acordo com a colunad da Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, após anos de tentativas, mais de 70 concursos públicos, conseguiu aprovação para a magistratura em Rondônia, tornando-se referência de ascensão por meio do serviço público.

O desfecho, no entanto, seguiu outro rumo. Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de Rondônia decidiu não vitaliciar o magistrado, encerrando sua carreira ainda durante o estágio probatório, fase em que são avaliados desempenho técnico e conduta.

Segundo o processo administrativo disciplinar, foram identificados episódios recorrentes de tratamento considerado desrespeitoso com servidores, assessores e colegas. Entre os casos analisados, está um comentário depreciativo feito durante uma recepção organizada por funcionários.

As apurações também apontaram comportamentos fora do ambiente institucional. O juiz teria mantido proximidade incomum com detentos, realizado visitas a unidades prisionais fora dos padrões e, em uma das situações, permitido que um preso utilizasse seu celular.

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Há ainda relatos de que ele levou crianças para visitar um detento fora do horário permitido e autorizou a presença de pessoas sem vínculo com o Judiciário em audiências sigilosas, incluindo casos de violência doméstica.

Outros pontos levantados incluem críticas a decisões de colegas feitas diretamente a presos, além de interferências na administração de unidades prisionais. Também foram citadas possíveis irregularidades administrativas, como pedidos de diárias sem justificativa adequada e descumprimento de jornada.

Para o tribunal, o conjunto das situações não se tratava de episódios isolados, mas de um padrão de conduta incompatível com a magistratura. A corte destacou que o processo seguiu os trâmites legais, com garantia de defesa ao magistrado.

Com informações do Metrópoles

Conteúdo Original / Fonte: Redação ContilNet

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