OMS faz alerta sobre possível aumento do sarampo por causa da Copa

Especialistas destacam a importância da vacinação para conter novos surtos da doença

Por Wellington Vidal, ContilNet 06/06/2026 às 15:57
Grupo de puérperas tem cobertura vacinal de 2,60%/Foto: Reprodução

Por décadas considerado uma das doenças mais contagiosas do mundo, o sarampo volta a preocupar autoridades sanitárias internacionais às vésperas da Copa do Mundo. Com partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, países que registram aumento de casos da doença , o torneio deve reunir milhões de pessoas em aeroportos, estádios e outros eventos simultâneos, criando condições favoráveis para a disseminação do vírus.

Diante desse cenário, no final do mês de maio a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), instituição regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), emitiu um alerta epidemiológico. A recomendação é para que os países reforcem a vigilância, ampliem a cobertura vacinal e se preparem com ações preventivas. Segundo a entidade, grandes eventos associados às intensas viagens internacionais podem aumentar significativamente o risco de propagação do sarampo.

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O temor das autoridades não é exagerado, uma vez que o sarampo é uma das doenças infecciosas mais transmissíveis conhecidas. Como aponta a ONU News, uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 outras em ambientes suscetíveis.

Além do alto nível de transmissão, o vírus pode circular rapidamente entre países por meio de viajantes infectados. Foi justamente esse processo que contribuiu para o retorno da doença em diversas regiões do mundo nos últimos anos.

Cenário brasileiro

Embora tenha recuperado o certificado de eliminação do sarampo em 2024, o Brasil também acompanha com atenção o avanço recente da doença nas Américas. Segundo o Ministério da Saúde, a certificação indica que o vírus não circula de forma contínua no país, mas não impede a ocorrência de casos isolados ou importados (relacionados a viagens internacionais).

Em 2025, o país registrou dezenas de casos importados. Neste ano, até o momento, três novos casos da doença foram confirmados, associados a viagens internacionais e à ausência de vacinação. Além disso, o Ministério da Saúde investiga 468 casos suspeitos.

A preocupação ganha força porque o histórico recente mostra que o sarampo pode retornar mesmo após ter sido eliminado. Em 2019, o Brasil perdeu o certificado conquistado em 2016 após um período prolongado de transmissão contínua, resultado da combinação entre casos internacionais, indivíduos não imunizados e queda da vacinação.

Por isso, a Copa de 2026 funciona como um teste para os sistemas de vigilância epidemiológica da região. Mais do que evitar casos durante o torneio, o objetivo é impedir que o evento contribua para reintroduzir uma doença que muitos países passaram décadas tentando eliminar

Com informações da Revista Galileu 

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