Início / Versão completa
Você viu?

Produtor de filme sobre Bolsonaro nega repassar dados financeiros à PF

Por Suene Almeida, ContilNet 12/09/2026 08:35
Publicidade

Um dos responsáveis pela produção de Dark Horse, filme que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, informou que não pretende entregar documentos da empresa às autoridades brasileiras sem uma autorização da Justiça dos Estados Unidos.

Publicidade

De acordo com reportagem publicada inicialmente pelo Metrópoles, a posição foi apresentada por Michael Davis, produtor da Go Up Entertainment LLC. Em um e-mail enviado à produtora Karina Ferreira da Gama, no dia 2 de setembro, ele afirmou que a empresa só poderá fornecer registros financeiros, fiscais, bancários, contratuais e societários seguindo as regras legais norte-americanas.

A mensagem foi divulgada nesta sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornar públicos documentos relacionados à investigação sobre o financiamento do longa-metragem. A Polícia Federal havia solicitado à produtora a apresentação voluntária dos gastos envolvidos na realização do filme.

Investigação apura movimentações financeiras

A Polícia Federal analisa se o dinheiro utilizado para financiar Dark Horse pode ter relação com crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, além de outras possíveis irregularidades.

Publicidade

De acordo com os investigadores, parte dos recursos teria saído da Entre Investimentos, uma empresa offshore registrada nas Bahamas, e sido enviada ao Havengate Development Fund LP, fundo de investimentos localizado nos Estados Unidos.

Somente em 2025, as transferências identificadas somaram US$ 12,33 milhões, valor estimado em aproximadamente R$ 63 milhões. Os repasses ocorreram entre fevereiro, março, abril, maio e setembro daquele ano.

Acordo previa investimento de até US$ 24 milhões

Outro documento encontrado no celular do empresário Daniel Vorcaro chamou a atenção da investigação. O material previa um investimento total de US$ 24 milhões no filme, quantia que correspondia a cerca de R$ 134 milhões na época.

O acordo estabelecia o pagamento em 14 parcelas. As duas primeiras seriam de US$ 2 milhões cada, enquanto as outras 12 teriam o valor aproximado de US$ 1,66 milhão. Os valores são semelhantes aos que foram identificados nas transferências realizadas pela empresa das Bahamas para o fundo norte-americano.

Os investigadores também analisam as estimativas de lucro apresentadas no contrato. O documento previa três possibilidades de retorno financeiro: US$ 45 milhões em um cenário pessimista, US$ 70 milhões em uma previsão considerada conservadora e US$ 100 milhões em uma projeção otimista.

As cifras chamaram a atenção porque ultrapassam, em valores nominais, a bilheteria do filme brasileiro de maior arrecadação até então, Minha Mãe é uma Peça 3, lançado em 2019, que faturou cerca de R$ 120 milhões.

Empresas e pessoas ligadas ao fundo também são analisadas

A investigação ainda examina as conexões do Havengate Development Fund LP. O fundo é relacionado a Altierres Santana, que atua como corretor de imóveis nos Estados Unidos, e ao advogado Paulo Sergio Camin Calixto, responsável pela defesa de Eduardo Bolsonaro.

A recusa de Michael Davis em fornecer os documentos sem autorização judicial norte-americana é mais um ponto analisado pela Polícia Federal no caso, que busca esclarecer a origem e o caminho dos recursos destinados à produção do filme.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site