Contra a privatização da saúde, sindicatos prometem paralisar atendimentos no Acre


Mobilização pretende reunir 3.500 servidores em protesto e invadir sala de licitação da saúde no dia 15

SALOMÃO MATOS, DA CONTILNET

Os sindicatos e representes de todos os setores na área da Saúde no Estado do Acre se reuniram na manhã desta sexta-feira (2) para discutir o não pagamento dos plantões e horas extras trabalhados, que estão atrasados há mais de 90 dias. Na ocasião eles decidiram que irão radicalizar em uma paralisação geral agendada para o próximo dia 15, quando também acontece a abertura das cartas licitatórias que vão decidir sobre o processo de privatização do setor no Estado, como pretende o governador Tião Viana (PT).

Em reunião, sindicato diz que pode parar atividades/Foto: ContilNet

O presidente do sindicato dos médicos, Ribamar Costa, disse que a privatização da saúde será o golpe fatal na vida salarial dos servidores, que já sofrem com atrasos e cortes de direitos, como a da sexta parte, que vêm sendo feitos pelo governo como forma de contenção de despesas.

Ainda segundo Ribamar, esse aperto salarial seria apenas para sobrar dinheiro e poder pagar os milhares de cargos comissionados, mantendo os inúmeros cabides de emprego que abarrotam as inúmeras secretarias. “Ao abrir esse processo licitatório, o governador Tião Viana acaba de assinar o seu próprio atestado de insanidade e incompetência. Em 20 anos que o partido dos trabalhadores está no poder, só colocou o sistema de saúde na UTI e pior, sem balão de oxigénio”, lamenta o médico.

O presidente Sintesac, Adailton Cruz, também lamentou que o governador Tião Viana, além de colocar os servidores na parede, atrasando salários, prejudica as classes mais pobres que precisam de atendimentos ambulatoriais, fechando essas unidades e prejudicando a parcela mais carente da sociedade, que é aquela que busca por esses tipos de atendimentos gratuitos nos hospitais.

Adailton ressaltou ainda: “É lamentável nós termos um governador que diz ser médico. Mais que ele, ninguém deveria saber das complexidades e precariedades com que trabalhamos nos hospitais, centros e postos de saúde. Isso é desumano, um reflexo do descaso. Não só com nós que somos servidores públicos, mas ele (o governador), que pelo menos deveria saber que pessoas pobres jamais terão condições fora do SUS”, desabafou o sindicalista.

Ao final da reunião, ficou mantido pelos sindicalistas uma paralisação da saúde no Acre para o próximo dia 15 de fevereiro, quando os servidores marcharão em protesto contra a privatização. Segundo os sindicatos, eles pretendem reunir mais de 3.500 servidores e invadir a sala de licitação na secretária de saúde para evitar que o processo seja finalizado. Um membro do Ministério Público Estadual participou da reunião e fez várias anotações, mas não falou com a imprensa.

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