Rio Branco, Acre,





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O Espírito daCoisa

A batalha entre maduros e podres na fronteira real da Venezuela virtual


A nova geopolítica latinoamericana definida pelas redes sociais e seus aplicativos em modo política e modo guerra

Foto capa ANTONIO ALVES, PARA CONTILNET

A Venezuela de cada um

A constatação, feita e repetida nos últimos anos, especialmente nos períodos eleitorais, é de que o Brasil é “um país dividido”. Mas quem acompanha o noticiário além do feice e do uats, vê que a frase se aplica a muitos outros países -mormente na América Latina-, víti-mas de uma crise econômica generalizada e um embate político polarizado. Já não é o caso da Venezuela, país que deixou de estar apenas dividido e agora se encontra frag-mentado, aos pedaços mesmo. Fome e violência, o fim do caminho.

Que caminho? Aí é onde a gente não se entende. Dependendo de seu alinhamento ideo-lógico e de suas fontes de desinformação, cada um aponta um culpado, um problema e uma solução diferente. Engana-se quem pensa que há duas posições, as tradicionais es-querda e direita; melhor seria falar no plural, direitas e esquerdas, pois cada uma delas é amplamente variada. Há uma direita liberal, cruelmente lúcida e pragmática, quase oposta a uma ultra-direita fanática e delirantemente infantil. Há uma esquerda social-democrata, que preserva algum sentimento humanista e guarda distância da esquerda corrompida ou ferozmente autoritária. No meio, uma imensa maioria de desinformados curtem e compartilham o que lhes dizemos seus “influencers” preferidos: padre, pastor, blogueiro, filósofo amador, artista famoso, parente mais rico…

Poucos conhecem a história da Venezuela, que parece ser tão confusa quanto e dos de-mais países desta América desencontrada, construída sobre os ossos de povos indígenas massacrados e enfeitada por adereços europeus ou norte-americanos trocados por minério. No delírio virtual contemporâneo, entretanto, a história tem pouca importância. Cada um tem a Venezuela que quer. E essas infinitas venezuelas tornam-se insignificantes moedas no mercado ideológico, no noticiário fake e pulverizado do mundo virtual (onde se anuncia até convocação para a guerra ), na troca de insultos em que tanta gente consegue orgasmos nas redes sociais.

Há, entretanto, uma Venezuela dos venezuelanos, que sangra dolorosamente no interior do anonimato e do silêncio que sua ruidosa exposição esconde. Deve ser possível encon-trá-la, em algum lugar da realidade realmente real.

Dois não-governos

A situação é caricata, com dois governos: um que se mantém pela força e pela fraude, outro que se autoproclamou num comício de rua. Nenhum dos dois tem controle sobre o caos em que o país se debate. É uma tragédia com todas as características das guerras contemporâneas, em que o poder de manipulação é a arma mais letal. Qual será o desfe-cho? Tudo indica que Maduro já apodreceu e não demora a cair. Seu governo já não tem outra base de sustentação além de um exército inflado pela multiplicação de patentes (e, portanto, de salários) que vai se desfazendo pela miséria da tropa e dos escalões inferio-res, misturando-se à miséria generalizada da população mais pobre. O que virá depois, não se sabe. Depende do tamanho da intervenção norte-americana, que é óbvia, da pos-sibilidade de alguma reorganização política, do ritmo de uma também incerta recuperação econômica e social.

Não deixa de ter alguma influência a situação dos vizinhos, entre eles o Brasil. Nosso país, até pouco tempo considerado uma “liderança” no Continente, já não lidera mais nada. E a duplicidade de governo está, entre nós, instalada dentro do governo único, institucio-nal. Felizmente, ainda não chegamos ao ponto de alguém autoproclamar-se presidente no meio da rua. Mas, como disseram os astronautas ainda no início do vôo da Apolo 13, “Houston, we have a problem”. E o problema está visível, mas depende da fonte pela qual você se desinforma.

Minhas fontes de desinformação dão conta de dois governos, hoje, no Brasil. Um deles, é o governo do presidente capitão e seus ministros midiáticos, incluindo o delirante chance-ler que aparece barbudo entregando estivas na fronteira, na companhia de agentes e fun-cionários do escalão inferior dos EUA. O outro é o governo do vice general e seus co-mandantes militares, que não querem meter-se em aventuras e sabem que os delírios ideológicos de direita serviram para ganhar a eleição mas não servem para manter o país estável no mar da economia e da política internacional.

Também no caso do Brasil, cabe perguntar o que virá depois. Acho que até os oráculos mais renomados, que já se aventuraram a fazer previsões em outros tempos, estão agora apreensivos e confusos neste início do vôo da Apolo 17.

Nossa Venezuelinha

Como naquelas brincadeiras de criança, o Acre entrou na moda de duplo governo: o vice-governador decreta, o titular revoga, na dança das cadeiras em que cada um tem que pagar prenda quando erra. Ainda estão discutindo coisas como “despetização” e o tamanho das cotas de cada partido ou chefe político na ocupação dos cargos. Tenho uma sugestão: o gover-nador seleciona os nomes dos candidatos aos diversos postos da administração pública e publica uma lista no Facebbok. Ganha os cargos mais altos quem tiver mais likes. O mundo inteiro curtiria e diria: “o Acre lacrou”.

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