TrĂȘs incoerĂȘncias do Ășltimo episĂłdio de ‘Game of Thrones’

Por VEJA 20/05/2019

ApĂłs oito temporadas e 73 episĂłdios, Game of Thrones chegou ao fim na noite do domingo 19. A sĂ©rie termina deixando um grande legado, o que inclui recordes de audiĂȘncia – mĂ©dia de 43 milhĂ”es de espectadores por episĂłdio na oitava temporada, segundo a HBO – e o reconhecimento em premiaçÔes de televisĂŁo, resultado de uma obra que por muito tempo apresentou uma qualidade excelente de roteiro, direção e atuaçÔes. A Ășltima temporada, porĂ©m, desagradou muitos fĂŁs do seriado ao se mostrar incoerente com a prĂłpria histĂłria, e no capĂ­tulo final isso nĂŁo foi diferente. Confira abaixo trĂȘs momentos que nĂŁo fizeram muito sentido no Ășltimo episĂłdio:

Tyrion encontra os corpos de Jaime e Cersei

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Os corpos de Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e Cersei (Lena Headey) soterrados (//Reprodução)

 

A cena da morte dos gĂȘmeos-amantes no penĂșltimo capĂ­tulo mostrou um violento desmoronamento soterrando a dupla. A força do desabamento foi tamanha que ninguĂ©m duvidou do destino de Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e Cersei Lannister (Lena Headey) – mesmo em uma sĂ©rie que jĂĄ teve personagens voltando da morte. AlĂ©m disso, a Fortaleza Vermelha era o alvo principal da fĂșria de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), que praticamente reduziu toda a cidade a ruĂ­nas e cinzas.

Para a surpresa dos fĂŁs, ainda assim Tyrion (Peter Dinklage) foi capaz de entrar no castelo, descer as escadas atĂ© o subsolo (quem diria que ainda existiriam escadas por lĂĄ?) e encontrar os corpos dos irmĂŁos. E o anĂŁo sĂł teve o trabalho de tirar duas ou trĂȘs pedras de cima dos surpreendentemente bem preservados cadĂĄveres. Na Ăąnsia de dar uma pontuação dramĂĄtica para a morte da vilĂŁ e do anti-herĂłi, a sĂ©rie ignorou o realismo e entregou algo com cara de novelĂŁo. A impressĂŁo que deu Ă© que, se estivessem alguns passos para o lado, Jaime e Cersei teriam se salvado.

Imaculados e dothrakis poupam Jon

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Jon (Kit Harington) segura Daenerys (Emilia Clarke) apĂłs assassinĂĄ-la no Ășltimo episĂłdio de ‘Game of Thrones’ (//Reprodução)

 

O Ășltimo capĂ­tulo deu um salto no tempo depois que Jon (Kit Harington) matou Daenerys para evitar que a Targaryen governasse o reino como uma tirana. Qual nĂŁo foi a surpresa de todos quando se viu que os Imaculados e os dothakis, fiĂ©is seguidores da MĂŁe dos DragĂ”es, se comportaram de forma estranhamente civilizada com o assassino de sua soberana. Jon foi mantido prisioneiro e Verme Cinzento (Jacob Anderson) se mostrou disposto atĂ© a negociar os termos de seu encarceramento. No fim, os Imaculados deixaram Westeros e o ex-bastardo foi enviado para a Patrulha da Noite.

Mesmo levando em conta possĂ­veis ameaças dos vassalos dos Stark, difĂ­cil aceitar alguma alternativa fora estas duas: 1. Jon mata Daenerys e foge de Porto Real para sobreviver. 2. Jon mata Daenerys e Ă© sumariamente executado pelos seguidores da rainha. Talvez tivesse atĂ© sua cabeça exibida nos portĂ”es da cidade. A sĂ©rie optou pelo meio termo – e forçou bastante a barra.

PolĂ­tica? Que polĂ­tica?

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Arya (Maisie Williams), Bran (Isaac Hempstead-Wright) e Sansa (Sophie Turner) em ‘Game of Thrones’ (HBO/Reprodução)

 

Com o vĂĄcuo de poder em Westeros, os poucos sobreviventes das casas nobres se reuniram para escolher um novo soberano. Todo o amadorismo da situação – Verme Cinzento, quem diria, foi o estopim da nova era ao estimular o arremedo de democracia com um “decidam aĂ­ quem Ă© o novo lĂ­der” – foi constrangedor para uma sĂ©rie que em outras temporadas brilhou ao colocar as intrigas polĂ­ticas e os diĂĄlogos afiados no centro da trama. Deu saudades de Mindinho (Aidan Gillen), Varys (Conleth Hill) e do antigo Tyrion, antes de ser “emburrecido” pelos roteiristas.

Em uma votação sem alianças, sem artimanhas e sem uma mĂ­sera combinação de votos, as famĂ­lias nobres – que tinham uma oportunidade Ășnica em trezentos anos de colocar sua casa acima das outras  – deixaram as diferenças e ambiçÔes de lado e elegeram o bom e justo Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright) como governante. Para piorar, aceitaram passivamente o anĂșncio de Sansa (Sophie Turner) de que o Norte era agora independente. Ou seja, a rainha de Winterfell e o rei das outras seis regiĂ”es teriam o mesmo sobrenome. NinguĂ©m protestou. NinguĂ©m estranhou. NinguĂ©m quis a prĂłpria independĂȘncia (nem a combativa Yara Greyjoy!). DifĂ­cil de engolir.

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