O estudante condenado à prisão perpétua por estuprar 48 homens

Por GLOBO.COM 06/01/2020 Ă s 19:44

Um “predador sexual em sĂ©rie” foi condenado por 159 crimes sexuais, incluindo 136 estupros.

O estudante indonĂ©sio de pĂłs-graduação Reynhard Sinaga, de 36 anos, foi considerado culpado de atrair 48 homens que estavam em casas noturnas de Manchester, no Reino Unido, para seu apartamento, onde os drogava e atacava — filmando os abusos.

A polĂ­cia diz, no entanto, ter evidĂȘncias de que ele tenha feito pelo menos 190 vĂ­timas.

Ele foi condenado à prisão perpétua, com direito a liberdade condicional após cumprir uma pena mínima de 30 anos de prisão.

O julgamento também permitiu que ele fosse identificado pela primeira vez.

O estudante condenado à prisão perpétua por estuprar 48 homens

Imagens das cñmeras do circuito interno mostrando Sinaga saindo de seu apartamento em busca de vítimas foram exibidas aos jurados — Foto: Divulgação/BBC

O MinistĂ©rio PĂșblico britĂąnico (CPS, ou Crown Prosecution Service) afirmou que Sinaga era “o estuprador com maior nĂșmero de casos da histĂłria jurĂ­dica britĂąnica”.

O estudante jå estava cumprindo prisão perpétua, com uma pena mínima de 20 anos, pelos crimes pelos quais fora condenado em dois julgamentos anteriores, que ocorreram no verão de 2018 e na primavera passada.

Em quatro julgamentos separados, o cidadão indonésio foi considerado culpado de 136 acusaçÔes de estupro, oito acusaçÔes de tentativa de estupro, 14 acusaçÔes de agressão sexual e uma acusação de agressão com penetração, contra um total de 48 vítimas.

Na audiĂȘncia, a juĂ­za Suzanne Goddard disse que Sinaga “atacava homens jovens” que queriam “nada mais que uma boa noitada com seus amigos”.

“Na minha opiniĂŁo, vocĂȘ Ă© um indivĂ­duo altamente perigoso, ardiloso e traiçoeiro que nunca serĂĄ seguro para a sociedade para ser libertado”, declarou Goddard, acrescentando que a decisĂŁo de libertar prisioneiros Ă© tomada pelo Conselho de Liberdade Condicional.

VĂ­timas inconscientes

Sinaga esperava os homens saĂ­rem das boates e bares antes de levĂĄ-los para seu apartamento em Montana House, em Manchester, geralmente oferecendo um lugar para tomar um drinque ou chamar um tĂĄxi.

Ele drogava as vítimas e as atacava enquanto estavam inconscientes. Quando acordavam, muitas não tinham lembrança do que havia acontecido.

O estudante, que nega as acusaçÔes, alegou que toda a atividade sexual era consensual e que cada homem havia concordado em ser filmado enquanto fingia estar dormindo — estratĂ©gia de defesa descrita pela juĂ­za como “ridĂ­cula”.

Em uma sentença anterior, a juíza disse ter certeza de que Sinaga havia usado uma droga associada ao estupro, como o GHB.

Nos depoimentos lidos no tribunal, uma vĂ­tima disse que Sinaga “destruiu uma parte da sua vida”, enquanto outra declarou: “Espero que ele nunca saia da prisĂŁo e apodreça no inferno”.

“Tenho perĂ­odos em que nĂŁo consigo me levantar e enfrentar o dia”, acrescentou outra testemunha.

VĂĄrias vĂ­timas afirmaram que a provação pela qual passaram teve um sĂ©rio impacto em sua saĂșde mental, com alguns desenvolvendo pensamentos suicidas.

O estudante condenado à prisão perpétua por estuprar 48 homens

A polĂ­cia diz ter evidĂȘncias de que Sinaga atacou pelo menos 190 vĂ­timas, mas muitos homens nĂŁo foram identificados ou nĂŁo lembram do que aconteceu — Foto: Divulgação/BBC

‘Prazer em atacar heterossexuais’

A juĂ­za Goddard disse que, pela “escala e a dimensĂŁo” dos crimes de Sinaga, era “correto” que uma de suas vĂ­timas o descrevesse como monstro.

Ela acrescentou que ele nĂŁo mostrou “um pingo remorso” e, Ă s vezes, parecia estar “realmente gostando do julgamento”.

ApĂłs a sentença, Ian Rushton, do CPS, comentou o caso. “Ele (Sinaga), sem dĂșvida, ainda aumentaria sua lista impressionante (de vĂ­timas), caso nĂŁo tivesse sido pego”.

Ele acrescentou que achava que Sinaga tinha “um prazer particular em atacar homens heterossexuais”.

Como ele foi descoberto

Sinaga, que estava estudando para um doutorado na Universidade de Leeds, no Reino Unido, realizou seus ataques ao longo de vĂĄrios anos.

Ele foi pego em junho de 2017 quando uma vĂ­tima, que recuperou a consciĂȘncia ao ser agredida, lutou contra Sinaga e chamou a polĂ­cia.

Quando os policiais apreenderam o telefone de Sinaga, descobriram que ele havia filmado cada um de seus ataques — totalizando centenas de horas de filmagem.

A descoberta levou à abertura da maior investigação de estupro da história britùnica.

De acordo com o subchefe de polĂ­cia, Mabbs Hussain, a verdadeira extensĂŁo dos crimes de Sinaga provavelmente nunca seria descoberta.

“Suspeitamos que ele tenha cometido crimes por um perĂ­odo de 10 anos”, afirmou. “As informaçÔes e evidĂȘncias que seguimos foram em grande parte dos trofĂ©us que ele coletou das vĂ­timas de seus crimes.”

Os investigadores rastrearam dezenas de vítimas dos vídeos usando pistas encontradas no apartamento de Sinaga em Manchester, como telefones, documentos de identificação e relógios roubados.

A ministra do Interior britĂąnica, Priti Patel, informou que em resposta aos “crimes verdadeiramente repugnantes” de Sinaga, pediu a um conselho independente que analisasse se os controles de drogas, como o GHB, eram “suficientemente duros”.

O GHB (gama-hidroxibutirato) Ă© no Reino Unido uma droga de classe C — considerada menos perigosa para a saĂșde, mas cuja posse, fornecimento ou venda a terceiros Ă© ilegal.

Qualquer pessoa flagrada em posse da droga pode pegar até dois anos de prisão.

Os julgamentos de Sinaga foram realizados ao longo de 18 meses na Manchester Crown Court, resultando em condenaçÔes unùnimes para todas as acusaçÔes.

Os detetives dizem que não foram capazes de identificar 70 vítimas — e agora estão fazendo um apelo para quem acredita que pode ter sido abusado por Sinaga para se apresentar.

As condenaçÔes de Sinaga estão relacionadas aos crimes que ele cometeu de janeiro de 2015 a junho de 2017, mas a polícia acredita que ele começou a cometer as infraçÔes anos antes.

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