Louco e gĂȘnio, Elon Musk vive 2020 inesquecĂ­vel

Por NOTÍCIAS AO MINUTO 27/07/2020 às 11:05

De um lado, inĂșmeras polĂȘmicas: um filho com nome de robĂŽ (X-AE A-XII), o apoio ao rapper Kanye West para a presidĂȘncia dos EUA, a vontade de causar no Twitter e atĂ© a capacidade de negar a gravidade do coronavĂ­rus. Do outro, uma empresa cujas açÔes subiram mais de 500% em 12 meses, virando a maior montadora do mundo, e uma companhia que fez sua primeira missĂŁo tripulada ao espaço.

Por trĂĄs dessas histĂłrias, um homem sĂł: Elon Musk, empresĂĄrio com fortuna de US$ 66,2 bilhĂ”es. No mundo dos negĂłcios, Musk divide opiniĂ”es: Ă© chamado de louco e de gĂȘnio. Mas, em 2020, o sul-africano de 49 anos estĂĄ vivendo um ciclo de bonança capaz de fazer o segundo adjetivo sobrepor o primeiro.

Boa onda. Seu principal negócio, a fabricante de carros elétricos Tesla, parece ter entrado nos eixos após anos de problemas. Nesta semana, a empresa divulgou ter quatro trimestres seguidos de lucro pela primeira vez na história. Apesar de ter fåbricas temporariamente fechadas pela quarentena, a montadora segue firme para entregar 500 mil veículos em 2020, mostrando que a eletricidade pode, em breve, substituir os combustíveis fósseis.

“Durante muito tempo, houve desconfiança com Musk. A Tesla tinha problemas de entrega e lucro, apesar de seu carro ser bem visto. Agora, se resolveu – e se suas açÔes sobem, Ă© porque o mercado vĂȘ potencial”, diz o professor do Insper David Kallas.

É no potencial que estĂĄ a maior força da empresa. Afinal, ela vende bem menos carros que a Toyota, vice-lĂ­der em valor de mercado entre as montadoras. Em 2019, a japonesa vendeu mais de 10 milhĂ”es de carros; jĂĄ a americana, 367 mil. “(O sucesso da) Tesla tem um pouco de histeria do mercado. NĂŁo hĂĄ motivo para suas açÔes valerem o que valem. Mas eles fizeram algo inĂ©dito: popularizar o carro elĂ©trico”, diz William Castro-Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue.

Jå a firma aeroespacial SpaceX se tornou a primeira empresa privada a enviar astronautas para a órbita terrestre em maio, numa parceria com a Nasa. Com o reaproveitamento de foguetes como estratégia, a companhia pareceu durante muito tempo um negócio de risco. Agora, atrai investidores, podendo ser avaliada em US$ 44 bilhÔes após uma nova rodada de aportes.

Ciclo. Nem sempre foi assim: em 2018, Musk viveu uma tempestade de problemas, entre disputas judiciais por difamação, investigaçÔes financeiras, alĂ©m de falhas de produção na Tesla. Para KallĂĄs, o empresĂĄrio amadureceu. “Ele teve deslizes, mas vem mudando. DĂĄ menos a cara para bater e faz mais a lição de casa”, diz.

Professor da Singularity University, Alexandre Nascimento discorda. “Ele aprendeu a jogar o jogo. Quando aparece fumando maconha, ele estĂĄ jogando com a atenção das pessoas”, diz. “Ele Ă© um cara complexo, como Steve Jobs tambĂ©m era.”

As comparaçÔes nĂŁo sĂŁo Ă  toa: tal como o fundador da Apple, Musk Ă© idealista. Ao vender sua parte no serviço de pagamentos PayPal, em 2002, Musk faturou US$ 165 milhĂ”es. E investiu todo o dinheiro logo em seguida em duas ideias – a Tesla e a SpaceX. Parecia loucura, mas hoje hĂĄ quem diga que Ă© visĂŁo.

Os projetos de Musk, porĂ©m, nĂŁo se resumem a isso. Ele tambĂ©m aposta em transporte futurista e numa startup que quer conectar PCs aos cĂ©rebros humanos. Tem ainda negĂłcios em energia solar, e apostas em criptomoedas e planos para colonizar Marte. “Musk sempre achou que a humanidade corre risco. Agora, capitalizado, faz projetos para salvar as pessoas – e cria oportunidades”, afirma Rubens Massa, professor da FGV-SP.

Cuidado. O futuro Ă© o assunto preferido de Musk – e para analistas, ainda hĂĄ muito espaço para ele prosperar. Para Castro-Alves, da Avenue, a preocupação ambiental pode ainda dar mais espaço para a Tesla.

HĂĄ, porĂ©m, muito o que dar errado – um acidente grave da SpaceX ou problemas de produção nas fĂĄbricas da Tesla podem mudar o jogo. Ou alguma polĂȘmica tĂŁo grande que nem ele Ă© capaz de contornar.

Afinal,a imagem de Musk Ă© um ativo dessas empresas. “Ele consegue atrair talentos e capital, mas, se preferir as polĂȘmicas, pode se comprometer”, diz KallĂĄs. Por outro lado, hĂĄ quem acredite que Ă© de mais Musks que a tecnologia precisa. “A origem do Vale do SilĂ­cio estĂĄ nesse tipo de cara com ideias malucas”, diz Nascimento. “É preciso de gente que desafie o sistema e faça o progresso acontecer.” As informaçÔes sĂŁo do jornal O Estado de S. Paulo.

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