Futebol acreano: Álvaro Miguéis, o atacante talentoso que virou técnico vencedor

Por Francisco DandĂŁo 25/09/2020 Atualizado: hĂĄ 6 anos

Nascido em Rio Branco, no dia 17 de março de 1964, Álvaro Miguéis desde criança viveu em ambientes impregnados de futebol. O pai, Ariosto Miguéis, vivia à beira dos gramados exercendo a função de treinador. E vårios campos de periferia, como o Marreta e o Mangueirão, se localizavam nas vizinhanças da sua casa, no segundo distrito da capital dos acreanos.

Como se nĂŁo bastasse tudo isso, ele ainda teve a felicidade de conviver, nos anos de colĂ©gio (Instituto Imaculada Conceição – CNEC), com vĂĄrios garotos que se tornariam jogadores de destaque quando adultos. Casos de MaurĂ­lio, Noca, Bolinha, Gerson e JoĂŁozinho. “Aquela foi uma geração cheia de meninos muito bons de bola”, tratou de explicar Álvaro MiguĂ©is.

Com todo esse ambiente de futebol, jĂĄ aos 7 anos Álvaro vestiu a sua primeira camisa: a do Vasquinho do Paulo Maia. Depois, ao entrar na adolescĂȘncia, ele foi levado pelo lendĂĄrio tĂ©cnico ZĂ© AmĂ©rico para os juvenis do AndirĂĄ. Mas ficou pouco tempo no Morcego e migrou para o Rio Branco, vestindo a camisa do EstrelĂŁo (juniores e principal) entre 1980 e 1983.

“Eu estreei no time principal do Rio Branco em 1983. Fui lançado pelo tĂ©cnico AntĂŽnio LeĂł. Nesse ano, o presidente Wilson Barbosa montou uma verdadeira seleção no EstrelĂŁo. Eu, ainda muito jovem, era reserva. Mas eu sempre entrava. Como tinha facilidade de jogar em vĂĄrias posiçÔes, eu cheguei a substituir o Neivo, o Mariceudo, o Roberto e o Gil”, disse Álvaro.

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Vasquinho do Paulo Maia – 1971. Em pĂ©, da esquerda para a direita: JosĂ© Augusto, Airton, Beto, Angu e JĂșnior MiguĂ©is. Agachados: JosĂ© MiguĂ©is, AdĂŁo, Arthur e Álvaro MiguĂ©is. Foto/Acervo Álvaro MiguĂ©is.

Do campo para o banco: técnico de sucesso

Depois do Rio Branco, Álvaro ainda vestiu outras duas camisas de times do futebol acreano: AtlĂ©tico (1985) e AmapĂĄ (1987). “Eu sempre encarei o futebol, nos meus tempos de jogador, como um lazer. EntĂŁo, aos 23 anos, considerei que estava na hora de cuidar da vida. E aĂ­ fui ajudar o meu pai na administração das empresas da famĂ­lia”, contou o ex-jogador.

 

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Rio Branco – 1983. Em pĂ©, da esquerda para a direita: Bolinha, Paulo Henrique, Paulo Roberto, Marcos, NeĂłrico, ChicĂŁo, Klowsbey e Mauricinho. Agachados: Álvaro MiguĂ©is, Julinho, Mariceudo, Carioca, Gil e Neivo. Foto/Acervo Francisco DandĂŁo.
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Seleção Acreana de Juniores – 1983. Em pĂ©, da esquerda para a direita: Carlos, Noca, Klowsbey, Delcir, Sabino, Niltinho, Isaac e PipiĂșna. Sentados: Mauricinho, VenĂ­cius, AntĂŽnio JĂșlio, Julinho, Álvaro MiguĂ©is, Ericson e Fran. Foto/Acervo Francisco DandĂŁo.
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AtlĂ©tico Acreano – 1985. Em pĂ©, da esquerda para a direita: Cleiber, Hilton, Tinda, CĂ­dio, Xepa e Ricardo. Agachados: Amarildo, Casquinha, JoĂŁozinho, Álvaro MiguĂ©is e Julinho. Foto/Acervo JĂșlio Figueiredo.

Mas a aposentadoria da bola estava longe de se confirmar. E assim, em 2004, Álvaro foi ser o auxiliar do técnico Illimani Suares, nas categorias de base do Juventus. Daí até 2012, ele trabalhou com as categorias menores do Rio Branco e do Atlético. E de 2013 até 2019, Álvaro dirigiu as equipes principais do Galvez, Nacional-AM, Rio Branco e Atlético Acreano.

 

 

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AC Juventus 2004. Em pé, da esquerda para a direita: Som, Álvaro Miguéis, Zé Alício (então secretårio de Esportes), Illimani Suares e Torres. Foto/Manoel Façanha.
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AC Juventus/2005. Da esquerda para a direita: Marcos, Joraí, Som, Deusdeth Nogueira, Álvaro Miguéis, Chagas, Tita e Illimani Suares. Foto/Manoel Façanha.
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O tĂ©cnico Álvaro MiguĂ©is orienta seus jogadores durante treino para a Copa SP de JĂșnior/2011. Foto/Augusto Diniz

“Eu parei de jogar futebol, mas sempre acompanhei o esporte em todo o mundo. Eu gostava de estudar futebol para entender a sua essĂȘncia. Num perĂ­odo em que morei no Rio de Janeiro, eu nĂŁo perdia um jogo no MaracanĂŁ. A maioria dos finais de semana eu passava assistindo campeonatos europeus. EntĂŁo, penso que foi natural um dia eu virar treinador”, afirmou Álvaro.

AtĂ© esse momento, Álvaro viveu a sua maior glĂłria como treinador no AtlĂ©tico. Ele comandou o clube nos trĂȘs tĂ­tulos estaduais recĂ©m conquistados (2016, 2017 e 2019) e ainda conseguiu um acesso da SĂ©rie D para a SĂ©rie C (2017) do Campeonato Brasileiro. Neste ano de 2020, ele vai dirigir o Real Ariquemes, no campeonato rondoniense, a partir do mĂȘs de novembro.

Grandes nomes do futebol acreano

 

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AtlĂ©tico Acreano – 2018. Em pĂ©, da esquerda para a direita: Álvaro MiguĂ©is (tĂ©cnico), Dorielson Mendes (treinador de goleiros), Ruan, Douglas, Alfredo,, Neto, Diego e Leyf Barros (fisioterapeuta). Agachados: TauĂŁ, Marquinhos, Leandro, Eduardo, Rafael Barros e JoĂŁo Marcos. Foto/Francisco DandĂŁo.
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o técnico Álvaro Miguéis é jogado pra cima pelos jogadores do Galo após o título do estadual de 2019. Foto/Sérgio Vale.

Álvaro não teve problemas para nomear os melhores nomes do futebol acreano, no que diz respeito a técnico, dirigentes e årbitro. Como treinador ele elegeu o pai, Ariosto, a quem sempre acompanhava nos treinos. Como dirigentes, ele escolheu Sebastião Alencar, Elias Mansour, Adauto Frota e Devaldo Borges. E Wagner Cardoso foi escolhido como o melhor årbitro.

JĂĄ no que diz respeito Ă  escalação de uma seleção, ele preferiu citar os nomes de vĂĄrios jogadores que ele considerou super craques: JoĂŁo Carneiro, Bico-Bico, Jangito, Chico Alab, Aldemir Lopes, Nostradamus, Deca, JĂșlio CĂ©sar, Palheta, DadĂŁo, Carlinhos Bonamigo, Paulinho, Mariceudo, Emilson, AntĂŽnio Maria, Curica, NeĂłrico, Manoelzinho, Neivo, Tonho, Mauro


“O futebol acreano do passado estava anos-luz Ă  frente de hoje. Quem viu jogar esses caras que eu citei, sabe do que eu estou falando. Para se ter uma ideia, nenhum jogador desse AtlĂ©tico que subiu comigo da SĂ©rie D para a SĂ©rie C, e que venceram vĂĄrias partidas contra times tradicionais do futebol brasileiro, seria titular do IndependĂȘncia dos anos 1970”, garantiu Álvaro.

Para concluir, Álvaro opinou sobre açÔes necessĂĄrias para o futebol acreano galgar melhores posiçÔes no cenĂĄrio nacional. “Criar estrutura adequada para os treinos e descobrir pessoas com a qualificação necessĂĄria para lapidar os talentos que surgirem”, disse. E quanto ao seu futuro imediato ele afirmou que sĂł pensa em realizar um grande trabalho no Real Ariquemes.

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