Rio Branco, Acre,


Dono da Record, Edir Macedo perde o controle da Igreja Universal em Angola

Aliado político do presidente brasileiro, Macedo recorreu a Jair Bolsonaro, que tentou interceder em favor da Universal. Em julho, Bolsonaro enviou uma carta a João Lourenço

O ano de 2020 não tem sido fácil para ninguém, muito menos para Edir Macedo, líder religioso da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Record.

De acordo com o  The Intercept Brasil, Macedo perdeu o controle da igreja em Angola, na África. Segundo o site, o governo de Angola tornou público um documento que confirma o bispo angolano Valente Bezerra Luís como o novo representante da Igreja Universal do Reino de Deus naquele país.

Valente é Coordenador da Comissão da Reforma e, por isso, é um dos dissidentes que liderou uma revolta angolana contra Edir Macedo e a alta cúpula brasileira da igreja.

Conforme traz o documento, datado de 17 de agosto deste ano, Angola reconheceu as decisões de uma assembleia da Igreja Universal local realizada em 24 de junho. Na reunião, os religiosos locais haviam rompido laços com Edir Macedo. Para tomar o controle, elegeram o bispo Bezerra como novo líder da revolta e representante. A ata, que chegou a ser publicada no diário oficial de Angola, em julho deste ano, teve a votação contestada pela cúpula da Universal por supostas irregularidades.

Nessas movimentações, Edir Macedo amargou uma derrota para Bezerra. No documento, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos do Ministério da Cultura de Angola afirma que a Universal é reconhecida pelo país e, diante disso, confere poderes a Valente Luís. Agora, o movimento, que vem sendo intitulado como Reforma, vem ganhando corpo no país.

Como “efeitos de legalidade da liderança dessa confissão religiosa”, o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos de Angola traz a informação de ser “suficiente” a ata da reunião da Universal publicada no Diário da República, chamado Diário Oficial angolano, em 26 de novembro deste ano, e afirma que o  documento foi assinado pelo diretor do órgão, Francisco de Castro Maria.

Segundo o The Intercept Brasil, o bispo Felner Batalha, porta-voz da Comissão da Reforma, disse que está claro que quem representa a igreja em Angola é o bispo Valente Luís. “O órgão supremo da Igreja é sua assembleia-geral. Quem delibera sobre os assuntos da instituição é a sua assembleia. Só ela pode alterar os órgãos sociais da Igreja”, explicou. “Se ninguém da Igreja no momento oportuno pediu a impugnação, está decidido”, emendou.

Entenda a situação

Há cerca de um ano, alguns bispos angolanos começaram um movimento de protesto contra a cúpula brasileira da igreja. Aproximadamente 300 religiosos assumiram 85% dos 331 templos da Universal em Angola. Os reformistas, como se intitulam, elaboraram um manifesto em que acusam a representação da igreja no Brasil de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e expatriação ilícita de capitais. Além disso, acusações da prática de racismo, discriminação, abuso de autoridade, imposição de prática de vasectomia aos pastores e intromissão na vida conjugal dos religiosos.

As denúncias começaram a aparecer e, por sequência, serem investigadas pela Procuradoria-Geral da República de Angola e pelo Serviço de Investigação Criminal, que se trata de um misto de polícias Civil e Federal de Angola.

Na assembleia da Igreja Universal, realizada em junho, os religiosos do país determinaram a dissolução da antiga diretoria e o fim do período administrativo de Honorilton Gonçalves da cúpula da igreja em Angola. O ex-diretor da Record no Brasil é um dos mais antigos dirigentes da Universal e pessoa de absoluta confiança de Edir Macedo.

Segundo o The Intercept Brasil, pastores angolanos denunciaram “violação sistemática aos estatutos e direitos dos membros” da igreja. Várias práticas abusivas, ainda, foram denunciadas, como “discriminação racial e violação das normas estatutárias”, “imposição e coação à castração ou vasectomia aos pastores”, “privação aos pastores e suas respectivas esposas do acesso à formação acadêmica, científica e técnica profissional”, além de uma suposta falsificação de atas.

A assembleia ainda decidiu destituir “de todos os seus poderes” o então presidente do conselho de diretoria da Universal, o bispo angolano Antônio Pedro Correia da Silva.

O Outro Lado da História

A Igreja Universal, por sua vez, disse ser vítima de calúnia e difamação. A igreja ainda afirmou que seus opositores angolanos seriam ex-membros da igreja que foram expulsos “devido à prática de atos ilícitos e à violação do código de conduta moral”.

Aliado político do presidente brasileiro, Macedo recorreu a Jair Bolsonaro, que tentou interceder em favor da Universal. Em julho, Bolsonaro enviou uma carta a João Lourenço, manifestando preocupação e pedindo proteção aos brasileiros no país.

Documento mostra que líderes religiosos angolanos tomaram a Igreja Universal no país (Imagem: Reprodução / The Intercept Brasil)
Valente Luis
Valente Luis é bispo na Universal de Angola (Imagem: Reprodução / The Intercept Brasil)

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