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21 junho, 2021 8:01 pm

Greve da educação continua mesmo após suspensão pela Justiça, diz sindicato

Presidente do Sinteac diz que desembargador se equivocou quanto a percentual de atividades paralisadas

POR LEANDRO CHAVES, DO CONTILNET

A greve dos trabalhadores da educação no Acre continua mesmo após liminar do desembargador Júnior Alberto, do Tribunal de Justiça (TJAC), determinando a suspensão imediata do movimento. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinteac), Rosana Nascimento, afirmou que a categoria vai recorrer da decisão do magistrado.

Ela criticou a argumentação de Alberto, sobretudo em relação ao percentual de paralisação, um dos pontos que motivou a derrubada do movimento. Em sua decisão, o desembargador se valeu de matérias jornalísticas dando conta da adesão de 90% ao movimento.

“Destaco que as notícias veiculadas em jornais em circulação no Estado, retratam a fala da Presidente do SINTEAC de que adesão ao movimento grevista alcançou 90%, o que viola providência imposta pelo artigo 11 da lei 7.783/89”, disse.

No entanto, o número corresponderia à quantidade de escolas com algum tipo de serviço paralisado, e não à de trabalhadores, esclareceu Rosana. “Pelo visto, sequer foram até as unidades para averiguar como anda a greve. Uma vergonha para o estado, além de injustiça e covardia para com os trabalhadores”.

Leia mais: Adesão de escolas à greve da educação é de 100% em pelo menos 8 cidades do AC

Nascimento reforça que o percentual mínimo de 30% de servidores em atuação, estabelecido por lei, em nenhum momento chegou a ser descumprido. Ela disse ainda que a decisão judicial teve influência política do governo.

“Eles alegam que a educação é um serviço essencial, mas quem não trata as coisas dessa maneira é o governo, e não a gente”, afirmou, ao denunciar que os professores vinham tirando dinheiro do próprio bolso para garantir as aulas remotas aos milhares de alunos.

“Não vamos mais pagar internet com nosso dinheiro pra dar aulas à distância. Se o governo quiser que o ensino continue, ele vai ter que pagar”.

A greve foi iniciada no dia 13 de maio. A categoria luta por condições dignas de trabalho remoto e presencial, reposição inflacionária nos salários, correção da tabela do plano de cargos e carreiras, vacinação de trabalhadores da educação contra a Covid-19, o fim da “corrupção” na Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (SEE), entre outros pontos.

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