Cientistas descongelam 13 vírus de até 48 mil anos que estavam adormecidos na Sibéria

Por O GLOBO 24/11/2022

Cientistas da Universidade de Marseille, na França, descongelaram e reviveram 13 vĂ­rus de atĂ© 48 mil anos que estavam adormecidos no permafrost – solo permanentemente congelado – da SibĂ©ria. Embora pareça arriscado, os pesquisadores destacam que o objetivo Ă© compreender como o degelo da regiĂŁo pode levar Ă  disseminação de novos patĂłgenos que provoquem emergĂȘncias de saĂșde, como uma pandemia.

No estudo, disponĂ­vel na plataforma de prĂ©-prints BioRxiv, ainda nĂŁo revisado por pares, os responsĂĄveis escrevem que “devido ao aquecimento climĂĄtico, o degelo irreversĂ­vel do permafrost estĂĄ liberando matĂ©ria orgĂąnica congelada por atĂ© um milhĂŁo de anos”, e que parte dessa matĂ©ria consiste em “vĂ­rus que permaneceram adormecidos desde os tempos prĂ©-histĂłricos”.

Esse não é o primeiro estudo do tipo, mas é o mais amplo e que descongelou vírus mais antigos até então. Os 13 patógenos pertencem a cinco classes diferentes, algumas propostas de forma inédita pelo trabalho. Eles foram coletados de 7 amostras de diversas partes diferentes do permafrost. Alguns deles vieram de fezes de mamutes congeladas, outros do estÎmago de lobos siberianos.

Em seguida, os cientistas introduziram os vĂ­rus, em laboratĂłrio, numa cultura de amebas da espĂ©cie Acanthamoeba spp, onde eles foram capazes de infectar as cĂ©lulas e se replicar. O experimento, segundo os pesquisadores, confirma a capacidade destes patĂłgenos de “permanecerem infecciosos apĂłs mais de 48.500 anos passados ​​em permafrost profundo”.

“Acreditamos que nossos resultados com vĂ­rus que infectam Acanthamoeba podem ser extrapolados para muitos outros vĂ­rus de DNA capazes de infectar humanos ou animais. Portanto, Ă© provĂĄvel que o permafrost antigo (eventualmente com muito mais de 50 mil anos) libere esses vĂ­rus desconhecidos apĂłs o descongelamento. (…) O risco tende a aumentar no contexto do aquecimento global, quando o degelo do permafrost continuarĂĄ acelerando e mais pessoas estarĂŁo povoando o Ártico na sequĂȘncia de empreendimentos industriais”, escrevem os autores no estudo.

Em relação aos perigos do experimento, como de um vĂ­rus “escapar” do laboratĂłrio, eles ressaltam que buscaram vĂ­rus que infectam amebas justamente pela distĂąncia evolutiva com humanos e outros mamĂ­feros. Para os cientistas, essa Ă© a “melhor proteção possĂ­vel contra uma infecção acidental de trabalhadores de laboratĂłrio ou a disseminação de um vĂ­rus terrĂ­vel”.

“O risco biolĂłgico associado Ă  revivescĂȘncia de vĂ­rus prĂ©-histĂłricos que infectam amebas Ă©, portanto, totalmente insignificante”, dizem os pesquisadores. Eles destacam que hĂĄ outros estudos que buscam paleovĂ­rus (patĂłgenos antigos) mais provĂĄveis de infectar mamĂ­feros, porĂ©m sĂŁo conduzidos em centros de biossegurança elevada.

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