O deputado federal e ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (PSDB-RJ) pediu Ă PolĂcia Civil da Bahia que investigue o casal que o hostilizou em um hotel na Praia do Forte, na Bahia, por stalking (crime de perseguição). Em outra frente, o congressista requereu Ă Justiça que os condene por injĂşria e difamação pelas ofensas que recebeu em pĂşblico.
Os ataques aconteceram no Ăşltimo dia 20 quando Maia e sua companheira, a advogada Vanessa Canado, foram abordados no cafĂ© da manhĂŁ do Hotel Tivoli por HĂ©lio Camargo Junior e Tamara Renno. Enquanto usava um celular para filmar os ataques, HĂ©lio afirmou que o deputado seria um “pilantra”. Tamara o acusou de ter roubado a população brasileira e atrasado o paĂs.
Maia e sua companheira pediram que o casal lhes desse licença e parassem com as ofensas, sem sucesso. Os dois bolsonaristas foram identificados a partir de dados fornecidos pelo hotel, após o registro de ocorrência policial.
No pedido de investigação, Maia afirma que a abordagem “intimidatĂłria e agressiva” contra a sua integridade e a da companheira “desencadeou uma onda de xingamentos generalizados, a qual foi registrada em mais e mais vĂdeos”. O deputado reagiu fazendo a letra“L” com a mĂŁo, em referĂŞncia ao presidente eleito Lula da Silva, que venceu Bolsonaro nas eleições deste ano, com seu apoio.
Logo apĂłs o episĂłdio, os prĂłprios agressores divulgaram as imagens em redes sociais. “Dessa forma, os autores do fato intensificaram perseguição contra as vĂtimas, dessa vez atacando-as nĂŁo mais presencialmente, mas por meio dessa divulgação dos vĂdeos, tudo para mantĂŞ-las em constante estado de abalo psicolĂłgico”, dizem os advogados de Maia, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, na peça enviada Ă polĂcia.
O crime de stalking foi incluĂdo na legislação brasileira no ano passado e consiste em perseguir alguĂ©m reiteradamente e por qualquer meio (inclusive pela internet, o que se designa como cyberstalking), “ameaçando-lhe a integridade fĂsica ou psicolĂłgica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade”.
“O presente caso, como visto, ao que tudo indica, trata de ambos os casos de stalking, tanto presencial quanto virtual, na medida em que os ataques se iniciam pessoalmente, mas sĂŁo renovados com a divulgação dos vĂdeos e posterior desencadeamento proposital de onda de compartilhamentos”, afirma a defesa de Rodrigo Maia.
Os advogados do parlamentar tambĂ©m enviaram uma queixa-crime ao Juizado Especial Criminal de Mata de SĂŁo JoĂŁo, na Bahia na qual pedem a abertura de uma ação e a condenação dos bolsonaristas por injĂşria e difamação. No documento, Maia afirma que a abordagem foi desproporcional e extrapolou os direitos Ă crĂtica e Ă opiniĂŁo.
“Os querelados, sem qualquer provocação anterior, passaram a proferir uma sĂ©rie de ofensas gratuitas e deliberadas em desfavor do ora querelante [Maia]. É evidente, portanto, que os insultos nĂŁo tiveram outro intuito senĂŁo o dolo especĂfico de ofender a dignidade e a honra do querelante”, diz o pedido.
HĂ©lio Camargo Junior Ă© sĂłcio de trĂŞs empresas, segundo os registros pĂşblicos da Receita Federal. Duas delas estĂŁo na lista da DĂvida Ativa da UniĂŁo, com dĂ©bitos tributários superiores a R$ 1 milhĂŁo. Em uma terceira empresa, ele Ă© sĂłcio de um empresário que foi condenado, em 2017, a trĂŞs anos e meio de prisĂŁo por crime contra a ordem tributária. Em 2019, a empresa foi considerada inapta pela Receita Federal, por omissĂŁo de declarações.
