O Acre registrou a ocorrĂŞncia de casos prováveis de arboviroses urbanas, que sĂŁo doenças causadas por vĂrus transmitidos, principalmente, por mosquitos, como Dengue, Zika e Chikungunya. Dentre as doenças, a Dengue foi a que mais se destacou, pois registrou um aumento, principalmente entre os meses de outubro a abril, conhecido como perĂodo sazonal.
Segundo uma nota tĂ©cnica da Secretaria de Estado de SaĂşde (Sesacre), o decreto de Situação de EmergĂŞncia em virtude da seca extrema, em que os rios chegaram a nĂveis baixos, ocasionou um desabastecimento de água e as pessoas precisaram armazenar a água que conseguia.

O mosquito Aedes aegypti é o principal transmissor de dengue, zika e chikungunya em regiões urbanas do Brasil — Foto: João Paulo Burini/Getty Images via BBC
“Entretanto, neste ano de 2023 observou-se uma situação indiscutivelmente atĂpica: o Acre decretou situação de emergĂŞncia em virtude da extrema seca vivenciada, em que o nĂvel dos rios chegou a patamares tĂŁo baixos, que ocasionou um desabastecimento de água nos domicĂlios, e fez com que a população necessitasse armazenar a pouca (água) que conseguia, porĂ©m, de forma inadequada, contribuindo para a reprodução de mosquitos, justamente no perĂodo conhecido como estiagem”, diz a nota.

Fonte: SINAN ONLINE. Dados atualizados em 11/12, sujeitos a alterações
De acordo com os dados, entre as Semanas EpidemiolĂłgicas (SE) 1 a 48 de 2023, foram notificados 5.445 casos prováveis de Dengue no Acre, que representa um aumento de 106,6% em relação ao mesmo perĂodo de 2022, tendo sido confirmados 3.755, dos quais 29 apresentaram sinais de alarme e 2 foram classificados como Dengue Grave. AlĂ©m disso, os dados mostram que nĂŁo há registro de Ăłbitos pela doença.

Fonte: SINAN ONLINE. Dados extraĂdos em 11/12, sujeitos a alterações
A partir da SE 40 foi observado um aumento, principalmente na Semana Epidemiológica 48, com 575 casos prováveis. Os casos prováveis da SE 40 a 48 representaram 37% de todos os registros de 2023.
“Sabe-se que existem 4 sorotipos diferentes do vĂrus da Dengue, quais sejam; DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Todavia, desde 2018 sĂł tem circulado no Acre o DENV-1 e/ou o DENV-2, sendo que neste ano temos a circulação simultânea de ambos, com predominância do DENV-2”, diz a nota.

Fonte: GAL. Dados atualizados em 11/12/2023, sujeitos a alterações
O documento ressalta ainda a importância de destacar a reemergĂŞncia e a rápida dispersĂŁo do sorotipo DENV-3 no territĂłrio nacional, o qual nĂŁo circulava há mais de 15 anos, sendo muito grande o nĂşmero de indivĂduos suscetĂveis, que torna o cenário epidemiolĂłgico ainda mais propĂcio ao aumento da transmissĂŁo de Dengue em 2024 e a possibilidade de uma epidemia de maiores proporções do que as já documentadas na sĂ©rie histĂłrica do paĂs”, diz.


