ApĂłs denĂșncias que apontam para supostos atos de maus tratos e discriminação sofridos por 27 jovens cadetes da PolĂcia Militar do Acre durante o curso ministrado pela Academia da PolĂcia Militar de Minas Gerais, o MinistĂ©rio PĂșblico Federal (MPF) enviou representação ao MinistĂ©rio PĂșblico Militar solicitando providĂȘncias e pedindo investigação para o caso.

MPF pede investigação de denĂșncias de maus tratos em curso de formação da PM/Foto: Reprodução
O procurador regional dos Direitos do Cidadão no Acre, Lucas Costa Almeida Dias, elencou em um documento os relatos anÎnimos dos supostos abusos sofridos pelos militares no curso de formação, ministrado em fevereiro deste ano.
Conforme noticiado pela imprensa local, os cadetes acreanos teriam apontado tratamento desigual em comparação com os locais, citando como exemplo a obrigação de trocar de uniforme para ir almoçar. A medida â que nĂŁo era exigida dos mineiros â consumia em mĂ©dia 20 minutos da Ășnica hora disponĂvel para o almoço.
âOs relatos abrem uma margem para a existĂȘncia de possĂveis situaçÔes mais agravantes, jĂĄ que uma mera abertura para tratamento desigual pode acarretar açÔes extremamente vexatĂłrias e dolorosas, tanto fĂsica quanto verbalmenteâ, explica o procurador.
O documento lembra que relatos de abusos, maus tratos e violĂȘncia em cursos de formação para a polĂcia nĂŁo sĂŁo novidade. Em 2021, repercutiu a denĂșncia de um ex-aluno soldado da PM do Acre que foi obrigado a ficar sem gorro no sol por horas a fio, passou mal, foi destratado e humilhado por colegas e professores. Desorientado, acabou assinando pedido para deixar o curso de formação. âCasos assim nĂŁo sĂŁo recentes (e nem inĂ©ditos!), pois hĂĄ uma tradição antiga de treinamentos para ingresso na carreira policial terem como elemento tratamentos humilhantesâ, afirma Lucas Dias.
De acordo com a representação, o sistema policial brasileiro jĂĄ foi considerado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos como âuma instituição violenta que responde a um contexto discriminatĂłrio racial sistĂȘmicoâ. Em agosto do ano passado, por exemplo, a CIDH condenou a morte de 16 pessoas durante a Operação Escudo, na regiĂŁo da Baixada Santista, em SĂŁo Paulo.
Para o procurador, uma das possĂveis fontes para o abuso policial pode estar nos prĂłprios cursos preparatĂłrios e de formação. âO que era para ser o momento de aprendizado para a reestruturação da instituição essencial para a preservação da ordem na sociedade passa a ser tormento de abalo mental e emocionalâ, afirma, no documento. âĂ inadmissĂvel que situaçÔes assim estejam a ocorrer na preparação de futuros polĂciasâ, conclui ele, ao pedir a adoção de providĂȘncias.
Com informaçÔes do MPF.


