Cacau Show pagarĂĄ R$ 50 mil a homem obrigado a mostrar pĂȘnis Ă  polĂ­cia

Homem parou para tomar um sorvete apĂłs pedalar 40 km e acabou preso. Consultor disse que mostrou o pĂȘnis ao menos trĂȘs vezes em delegacia

Por MetrĂłpoles 12/07/2024 Ă s 14:53

SĂŁo Paulo – De bicicleta, o consultor financeiro Felipe Passos, de 45 anos, pedalava entre SĂŁo Paulo e Itapevi (Grande SP) quando parou para tomar um sorvete em uma loja da Cacau Show. A pausa, no entanto, acabou em cadeia. Passos foi preso no dia 23 de abril de 2023 por importunação sexual, acusado de mostrar o pĂȘnis para uma funcionĂĄria. Nesta sexta-feira (12/7), a Justiça de SĂŁo Paulo condenou a marca de chocolate a indenizĂĄ-lo em R$ 50 mil.

Conforme consta no processo, enquanto tomava o sorvete, o consultor financeiro escutou cochichos entre os colegas ciclistas. Um homem que estava na loja teria, supostamente, colocado o pĂȘnis para fora da calça e colocado o membro sobre um dos balcĂ”es do estabelecimento.

Acionada, a Polícia Militar foi até a Cacau Show. O gerente, sem titubear, apontou Passos como o responsåvel pela atitude. Os colegas do ciclista ficaram indignados; ele entrou em estado de choque.

Na tentativa de conter a confusĂŁo, Passos justificou aos policiais que era impossĂ­vel ele ser o culpado, jĂĄ que usava macacĂŁo com a abertura do zĂ­per pelas costas e, para mostrar o pĂȘnis, precisaria tirar toda a roupa. Levado para a delegacia, negou mais uma vez o ocorrido e repetiu a questĂŁo do traje.

A explicação, no entanto, foi questionada pela suposta vĂ­tima, Vitoria Cardoso, que apresentou Harison Souza, 19, um colega de trabalho, como testemunha. Segundo o jovem, ele tambĂ©m teria visto o consultor mostrar o pĂȘnis.

Cacau Show pagarĂĄ R$ 50 mil a homem obrigado a mostrar pĂȘnis Ă  polĂ­cia

Passos foi levado para uma cela na prĂłpria delegacia e obrigado a mostrar o pĂȘnis para as escrivĂŁs. As funcionĂĄrias, a pedido do delegado, teriam que confirmar as caracterĂ­sticas do membro relatado. Vitoria teria dito que o pĂȘnis era preto; Felipe Passos, no entanto, Ă© branco.

O consultor alegou que mostrou o pĂȘnis ao menos trĂȘs vezes para duas escrivĂŁs e PMs, em momentos distintos. O que foi confirmado pelos envolvidos. Segundo consta no processo, Passos sĂł parou de ser avaliado apĂłs a chegada do advogado, Ronan Bonello.

“Isso nĂŁo existe. Nenhuma legislação permite esse ‘reconhecimento peniano’. É uma violação aos princĂ­pios constitucionais. Mesmo que ele tivesse feito algo, Felipe fez exame de corpo delito que verificou que nĂŁo era o membro atravĂ©s de caracterĂ­sticas como a cor do pĂȘnis”, disse Bonello ao MetrĂłpoles.

Processo

Em audiĂȘncia na Justiça sobre a ação por danos morais, os PMs que atenderam Ă  ocorrĂȘncia confirmaram ao juiz que houve averiguação de pĂȘnis. A Justiça, entĂŁo, condenou a marca a indenizar Passos em R$ 50 mil.

“Se tais fatos jĂĄ nĂŁo o fosse suficiente, posteriormente o autor, se dirigindo a Cacau Show no intuito de retirar sua bicicleta, sendo recepcionado pelo gerente, ouviu do prĂłprio que, ao analisarem as filmagens, o corpo jurĂ­dico da empresa, em reuniĂŁo com a vendedora Vitoria e o estoquista Harrisson, obtiveram a confissĂŁo deste Ășltimo que nada viu, que mentiu a pedido da vendedora que era sua amiga”, explicou Bonello.

“Ambos confessaram e foram demitidos por justa causa, todavia em nenhum momento a requerida levou tais fatos a delegacia de polĂ­cia no intuito de minimizar o problema causado e auxiliar o autor que estava carregando em seus ombros o fardo de ser acusado como um assediador, estuprador, um tarado sexual.”A decisĂŁo Ă© de primeira instĂąncia e cabe recurso. A Cacau Show nĂŁo respondeu a reportagem atĂ© o momento.

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