Covid-19: vacinas atuais continuam a proteger contra a nova variante XEC? Infectologistas explicam

Por ser uma linhagem que deriva da Ômicron, especialistas avaliam que dose continua a oferecer uma alta proteção contra hospitalização e óbito

Por O Globo 18/10/2024

A nova variante do vĂ­rus da Covid-19 que tem se disseminado pelo mundo, chamada de XEC, foi identificada em trĂȘs estados no Brasil. Ela Ă© uma nova linhagem derivada da Ômicron e tem demonstrado uma vantagem em relação Ă s outras cepas. Com isso, tem caminhado para se tornar prevalente nos paĂ­ses em que foi detectada.

Covid-19: vacinas atuais continuam a proteger contra a nova variante XEC? Infectologistas explicam

Vacina atualizada contra a Covid-19 — Foto: Reprodução

Ainda assim, especialistas explicam que, por se tratar de uma versão da Ômicron, e não de uma variante completamente diferente – como foram as Delta, Beta e Gama no passado –, as vacinas atuais devem continuar a oferecer uma proteção significativa, especialmente para evitar casos graves e mortes.

— A ideia que se tem hoje Ă© que a vacina disponĂ­vel tanto no HemisfĂ©rio Norte, que Ă© mais atualizada, como a que temos no Brasil, devem ser sim eficazes contra essa nova variante porque ela Ă© derivada dessas que fazem parte das doses atuais. Lembrando que Ă© importante que as pessoas que tĂȘm mais risco de casos graves, contempladas pela campanha do MinistĂ©rio da SaĂșde, tenham a vacina em dia — diz a professora de Infectologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi.

A XEC foi identificada pela primeira vez no inĂ­cio de agosto, na Alemanha. Desde entĂŁo, rapidamente outros lugares relataram a nova subvariante, com ao menos 35 paĂ­ses na Europa, nas AmĂ©ricas, na Ásia e na Oceania com registros atĂ© agora, de acordo com os dados do Gisaid, plataforma que reĂșne informaçÔes de vĂ­rus.

Nos Estados Unidos, segundo a Ășltima atualização do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), referente Ă  semana passada, a XEC jĂĄ representa 10,3% das amostras sequenciadas do vĂ­rus da Covid-19. Em meados de agosto, era menos de 1%. A Organização Mundial da SaĂșde (OMS) classificou a cepa como uma “variante sob monitoramento”, um estĂĄgio abaixo de “variante de preocupação”.

No Brasil, a primeira detecção foi realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em amostras referentes a dois pacientes residentes da capital do Rio de Janeiro, diagnosticados em setembro. Logo depois, a XEC também foi identificada em amostras de agosto coletadas em São Paulo e de setembro, em Santa Catarina.

— O vĂ­rus continua evoluindo. Essa subvariante Ă© uma recombinante, ou seja, o material genĂ©tico Ă© uma mistura de duas outras, a KS.1.1 e a KP.3.3. Isso acontece principalmente quando um hospedeiro Ă© infectado por duas variantes ao mesmo tempo e ocorre essa mistura do material genĂ©tico delas — explica o geneticista Salmo Raskin, fundador e diretor do LaboratĂłrio Genetika em Curitiba.

Ele conta ainda que a KS.1.1 e a KP.3.3, por sua vez, sĂŁo cepas derivadas da JN.1, que Ă© a prevalente hoje no Brasil, segundo a Fiocruz: — A JN.1 jĂĄ tinha pelo menos 30 mutaçÔes em relação Ă  XBB, que Ă© a vacina que temos hoje, mas mesmo assim a dose continuou a oferecer uma boa proteção. Baseado nisso, acreditamos que o imunizante continuarĂĄ a oferecer uma proteção principalmente contra formas graves. Talvez ela apenas nĂŁo seja tĂŁo alta contra a infecção, porque o vĂ­rus se adapta para isso.

É como avalia tambĂ©m o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Ele lembra que nos Estados Unidos hĂĄ a oferta agora, para a campanha 2024 – 2025, de uma dose mais atualizada, desenvolvida para a KP.2, que predomina nos EUA. Para ele, o ideal seria o Brasil tambĂ©m conseguir estar mais em dia com as fĂłrmulas adaptadas.

PorĂ©m destaca que mesmo as vacinas que estĂŁo disponĂ­veis no Brasil, direcionadas para a XBB, ainda sĂŁo de fato eficazes: — O mais importante Ă© ter uma vacina, especialmente na nossa recomendação atual que idosos e imunossuprimidos se vacinem duas vezes ao ano, gestantes durante a gravidez e crianças que ainda nĂŁo foram vacinadas. Mas Ă© bom entendermos que garantirĂ­amos uma proteção maior e mais duradoura se tivĂ©ssemos uma vacina mais atualizada. DeverĂ­amos trabalhar para levar a versĂŁo mais atualizada para nossa população — diz.

Os especialistas destacam ainda que, nos casos de oferta da vacina ao pĂșblico geral, o que ocorre quando cidades nĂŁo tĂȘm grande demanda pelos pĂșblicos prioritĂĄrios, Ă© tambĂ©m indicado que as pessoas de fora do grupo de risco busquem a vacinação.

— NĂŁo significa que as pessoas gerais nĂŁo tenham risco. Ele Ă© maior nos grupos como idosos, imunossuprimidos, mas se a pessoa que nĂŁo faz parte desses grupos tiver a oportunidade de se vacinar e a Ășltima dose tiver sido hĂĄ mais de seis meses, ela deve buscar sim o posto de saĂșde — recomenda Raskin.

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