VĂ­tima denuncia suposto estupro e tortura cometidos por ex-PM: “Fez tudo que queria”

VĂ­tima era ex-namorada e relata que o algoz nunca respeitou a medida protetiva

Por Redação ContilNet 07/11/2024 Atualizado: hå 1 ano

Um ex-policial militar, identificado como Deusiane Melo de Alencar – conhecido como Deddy Alencar -, com diversas acusaçÔes de ameaças, violĂȘncia domĂ©stica, porte ilegal de armas e estupro, Ă© acusado de mais um crime. Atuando como motorista de aplicativo, hĂĄ aproximadamente dois meses, ele torturou e estuprou durante uma noite inteira, segundo relato de uma mulher, que preferiu nĂŁo se identificar. O ContilNet teve acesso exclusivo ao depoimento da vĂ­tima e o traz na Ă­ntegra.

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Deusiane Melo de Alencar/Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Tudo começou com um relacionamento abusivo”, inicia o depoimento. A vĂ­tima conta que, apĂłs um histĂłrico de violĂȘncias e ameaças, ela precisou pedir uma medida protetiva, contudo, o acusado nunca respeitou. 

“A medida protetiva, que no caso foi pedido em novembro, do ano passado, já fez um ano
 E aí, ocorreu o pior”, conta.

Ela revela que estava saindo de uma aula e ele invadiu a recepção do local, tomou o celular de sua mão e exigiu que ela conversasse com ele. Caso ela se recusasse, ele não devolveria o aparelho. Ninguém a ajudou. Ela, então, decidiu fugir, mesmo sem seu telefone, porém, ele a ameaçou e insistiu para subir em sua moto. Até que ela cedeu.

“Eu subi e ele disse: ‘Agora nós vamos em um bar, que eu quero beber e tu vai!’. Eu já estava chorando. E [ele disse] ‘vai entrar calada, vai sentar na cadeira e eu vou beber, o tempo que eu quiser. Ele parou em frente de um barzinho e mandou descer e entrar quieta. Eu disse que não iria entrar e só queria ir embora. Ele me parou, me puxou e me jogou no chão”, relata sobre a situação.

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A vítima conta que após o estupro, passou a noite chorando e ele bebendo cerveja, a noite inteira/Imagem: Reprodução/Ilustrativa

A vítima continua, afirmando que o agressor pegou seu celular à força para ver suas mensagens:

“Ele disse: ‘Agora, tu vai desbloquear esse celular, nem que eu arranque a tua mão e ponha a tua digital aqui’. Ele puxou a minha mão, colocou na digital no celular e desbloqueou”, declara. 

Ele investigou suas informaçÔes e começou a ficar mais agressivo, após ver que ela estava namorando outra pessoa. A partir deste momento, ele começou a agredir fisicamente.

Tortura por toda a noite

O acusado tem inquĂ©ritos abertos por conta de estupro de vulnerĂĄvel, estupro, auto de prisĂŁo em flagrante crime do sistema nacional de armas e diversos açÔes penais sobre violĂȘncia domĂ©stica contra mulher.

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Deuziane agrediu a vítima em diversos locais/Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Começou a me agredir na rua mesmo e a me dar chute. Eu tentava levantar, ele me jogava no chĂŁo, de novo, na calçada ao lado do bar”, descreve as agressĂ”es que foram seguidas de ameaças.

Segundo o acusado, bastava “qualquer R$20” para ela ser agredida por supostos criminosos que deviam favores a ele, no bairro em que estavam. A vítima conta que não obteve ajuda e ela continua descrevendo, o que o seu agressor afirmava, enquanto a violentava: 

“Ele dizia que fazia aquilo na frente de todo mundo mesmo que fazia no local pĂșblico com cĂąmera. Porque ele ‘queria ser preso, porque caso fosse preso, iria ele sĂł assistir o vĂ­deo dos faccionados me torturando do jeito que ele pediu”, disse.

Após essas primeiras agressÔes, ele exigiu que ela subisse na moto novamente e eles foram em direção à casa do casal. Com toda a família do ex-companheiro presente, ela atravessou a casa chorando e foi trancada no quarto do ex-policial militar.

“Ele continuou usando o celular gravando vídeo meu chorando e mandando para as pessoas. Mandou o vídeo para o meu namorado, para minha amiga. Uma dessas pessoas que ele mandou um vídeo meu chorando, chamou a polícia, mandou uma policial na casa dele, dizendo que ele estava me prendendo”, revela.

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Polícia Militar garante que o acusado não faz parte da corporação/Foto: Reprodução/Redes Sociais

PorĂ©m, ele saiu e falou com os policiais – segundo ela, o agressor afirmou que nĂŁo aconteceu nada, pois estava com sua famĂ­lia. Depois disso, ele voltou a agredir. Um colega do indivĂ­duo chegou atĂ© a ligar para ele e falar com a vĂ­tima. ApĂłs, ela chorar no telefone, ele chegou a aconselhar o amigo e assim como todas as outras testemunhas das agressĂ”es, apenas desligou a ligação. ApĂłs isso, uma sĂ©rie de abusos sexuais começou:

“Ele tentava me enforcar, tentando me impedir de gritar, tirava o meu ar. Ele me xingando, disse que eu era ‘muito pu*a e jĂĄ que eu era uma pu*a, eu ia chupar ele atĂ© ele go*ar’. Foi quando ele começou e me obrigou. Ele chegou atĂ© a gravar um vĂ­deo, eu chorando e dizia assim : ‘Ajeita essa cara e para de chorar, que assim eu nĂŁo go*o nunca!’. Foi assim que aconteceu,  depois de ter feito tudo que ele queria, ele mandou eu dormir e disse que eu iria para casa no dia seguinte”, revela.

Impunidade e desespero

A vítima conta que após o estupro, passou a noite chorando e ele bebendo cerveja, a noite inteira. Na manhã, ele estava calmo e contou que fez tudo, “porque amava ela”.

“Para apagar o passado e voltar com ele, falando um monte de coisa, querendo me convencer a ficar, nĂŁo ir embora e eu disse para ele que se ele me amasse, ele me deixaria ir. Ele disse que nĂŁo queria me deixar em casa e que nĂŁo queria que eu ficasse contra a minha vontade. Ele foi e buscou o cafĂ© para  mim, levou no quarto. Ainda nĂŁo tinha deixado eu sair, foi no inĂ­cio da tarde que ele resolveu me liberar”, conclui.

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Precisei me mudar, mudei minha vida todinha, parei de fazer a aula que eu fazia, eu mudei para outro apartamento”, diz a vítima/Foto: Reprodução/Redes Sociais

ApĂłs chegar em casa e ser acolhida pela mĂŁe, ela realizou mais um Boletim de OcorrĂȘncia, com a medida protetiva ainda em atividade. O B.O. foi anexado no inquĂ©rito. Ela nĂŁo queria denunciar por medo de ser morta, porĂ©m, foi convencida pela mĂŁe a realizar a denĂșncia. Entretanto, o dano psicolĂłgico para ela Ă© irreversĂ­vel:

“Me sinto tĂŁo horrĂ­vel com as pessoas, suja, imunda e de pensar que ele pode fazer isso com outras pessoas tambĂ©m, fazer alguma coisa com a minha famĂ­lia, atĂ© comigo mesma. Precisei me mudar, mudei minha vida todinha, parei de fazer a aula que eu fazia, eu mudei para outro apartamento”, disse.

Ela conta que ele continuou a ameaçando por meio de outros nĂșmeros de telefone. 

“Eu espero que com essa divulgação seja acelerado [o processo]. Eu nĂŁo sei se ele estĂĄ preso. Que ele possa pagar pelo que ele fez, porque ele jĂĄ fez tanta coisa e nĂŁo deu em nada atĂ© hoje. Uma demora, quero que tenha um fim”, finaliza.

O que diz a PolĂ­cia Militar

Ao ContilNet, a PolĂ­cia Militar garante que “O ex-PM DEUSIANE MELO DE ALENCAR nĂŁo faz parte dos nossos quadros desde 14 de março de 2024”. AlĂ©m disso, a corporação informou que ele ‘foi excluĂ­do justamente por nĂŁo possuir requisitos Ă©ticos e morais para continuar nos nossos quadros’, afirma.

O acusado estĂĄ preso no PelotĂŁo Ambiental da PM desde o dia 22 de outubro de 2024, contudo, a corporação solicitou Ă  juĂ­za a transferĂȘncia dele para outro lugar.

O ContilNet tentou contato com a advogada Helane Christina, que representou o policial na audiĂȘncia de custĂłdia. Contudo, ela declarou que nĂŁo faz mais parte da defesa de Deusiane. Questionada sobre quem seria o novo advogado do ex-PM, ela nĂŁo soube responder. O espaço segue aberto para a defesa se pronunciar.

Estupros no Acre

O Estado do Acre tem registrado altos Ă­ndices de estupro, principalmente de vulnerĂĄvel, nos Ășltimos meses. Em 2024, jĂĄ foram registrados 761 casos de estupro entre janeiro e setembro. Esse nĂșmero significa que em 9 meses, o Acre jĂĄ registrou 85% das ocorrĂȘncias em 2023, que foi de 887 casos.

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Imagem Ilustrativa/Foto: Reprodução

De acordo com o CĂłdigo Penal Brasileiro, em seu artigo 213 (na redação dada pela Lei nÂș 12.015, de 2009), estupro Ă©: constranger alguĂ©m, mediante violĂȘncia ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. O estupro Ă© considerado um dos crimes mais violentos, sendo um crime hediondo, segundo o site jus.com.br.

No CĂłdigo Penal Brasileiro, o crime de estupro estĂĄ dentre os crimes contra a dignidade sexual. Segundo o texto, constranger alguĂ©m, mediante violĂȘncia ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir com que ele pratique outro ato libidinoso, tem como pena reclusĂŁo de 6 a 10 anos.

Se a conduta resultar lesĂŁo corporal de natureza grave ou se a vĂ­tima Ă© menor de 18 anos ou maior de 14 anos, a pena Ă© reclusĂŁo de 8 a 12 anos. Caso a conduta resulte em morte, a pena Ă© de reclusĂŁo de 12 a 30 anos.

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