Homem-bomba no DF acende alerta nos Poderes menos de 2 anos apĂłs o 8/1

Por MetropĂłles 15/11/2024 Ă s 10:01

Em 8 de janeiro de 2023, a Praça dos TrĂȘs Poderes foi palco de um atentado Ă  democracia. Quase dois anos depois, em 13 de novembro de 2024, o local que abriga as sedes do Executivo, Legislativo e JudiciĂĄrio foi, novamente, alvo de um ataque, desta vez terrorista.

Na quarta-feira (13/11), um homem e um carro explodiram, propositalmente, por volta das 19h30, nas proximidades do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) e no estacionamento Anexo IV da Cùmara dos Deputados.

Segundo o diretor-geral da PolĂ­cia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o autor das explosĂ”es tinha intenção de “matar ministros da Suprema Corte”. O principal alvo dele seria o ministro Alexandre de Moraes. A ação acendeu um sinal de alerta nas autoridades. Horas apĂłs o ocorrido, diversos nomes dos TrĂȘs Poderes se manifestaram sobre o atentado.

Homem-bomba no DF acende alerta nos Poderes menos de 2 anos apĂłs o 8/1

Moraes afirmou que a ação “nĂŁo foi um ato isolado”, pois “faz parte de um contexto que se mistura lĂĄ atrĂĄs com o gabinete do Ăłdio”. Segundo o magistrado, esse Ă© o maior atentado da histĂłria da Suprema Corte desde o 8 de Janeiro.

“A PF jĂĄ estĂĄ em vias de conclusĂŁo dos inquĂ©ritos dos autores intelectuais [do 8/1]. Mas isso nĂŁo terminou, e ontem Ă© uma demonstração de que sĂł Ă© possĂ­vel essa necessĂĄria pacificação do paĂ­s com a responsabilização de todos os criminosos. NĂŁo existe possibilidade de pacificação com anistia a criminosos”, disse Moraes, completando que “o criminoso anistiado Ă© um criminoso impune”.

AlĂ©m de Moraes, outros ministros do Supremo reagiram ao ataque. LuĂ­s Roberto Barroso, em tom de pesar, lamento e reflexĂŁo, ressaltou que o ocorrido Ă© gravĂ­ssimo e se soma a uma sĂ©rie de fatos que ocorreram no paĂ­s nos Ășltimos anos. Gilmar Mendes, por sua vez, destacou que “o discurso de Ăłdio, o fanatismo polĂ­tico e a indĂșstria de desinformação foram largamente estimulados pelo governo anterior”, enfatizando que o ato nĂŁo Ă© isolado.

AndrĂ© Mendonça tambĂ©m lamentou o ocorrido e afirmou a necessidade de resgatar um ambiente de solidariedade e de paz social a partir de uma democracia construĂ­da com responsabilidade e na qual prevaleça o debate de ideias, “e nada alĂ©m disso”. Jå FlĂĄvio Dino expĂŽs que hĂĄ uma banalização da ideia de que o Supremo serĂĄ intimidado por gritos, xingamentos e ofensas, o que, a seu ver, alĂ©m de ser inĂștil, incentiva pessoas desatinadas a se reunir, muitas vezes por meio da internet, para cometer crimes.

RepercussĂŁo no Congresso

Nesta quinta-feira (14/11), após o atentado, forças de segurança fizeram uma varredura no Congresso Nacional. No Senado Federal, o expediente foi suspenso. Jå na Cùmara dos Deputados as atividades só foram iniciadas ao meio-dia.

O presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), manifestou-se sobre os ataques na Praça dos TrĂȘs Poderes. O congressista agradeceu, em nota, Ă s forças de segurança durante o episĂłdio.

“Externo meus cumprimentos Ă s forças de segurança pĂșblica que atuam em resposta Ă  ocorrĂȘncia de explosĂ”es de bombas, na noite de ontem (13/11), na Praça dos TrĂȘs Poderes”, disse Pacheco em nota. O senador declarou ser necessĂĄrio seguir repudiando e desestimulando “atos de violĂȘncia e discursos de Ăłdio”.

 

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“O triste episĂłdio que chocou a todos nĂłs e, lamentavelmente, resultou na morte de uma pessoa, demonstra o quanto devemos repudiar e desestimular atos de violĂȘncia e discursos de Ăłdio em nosso paĂ­s”, completou o senador.

O deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da CĂąmara, nĂŁo estava em BrasĂ­lia no momento das explosĂ”es, conforme adiantou o colunista do MetrĂłpoles Igor Gadelha. Na hora do incidente, Lira estava em um voo para SĂŁo Paulo. ApĂłs ser comunicado sobre o atentado, o deputado emitiu uma nota dizendo que o episĂłdio deve ser apurado “com a urgĂȘncia necessĂĄria para o esclarecimento de todas as suas causas e circunstĂąncias”.

O presidente da CĂąmara ainda demonstrou “total repĂșdio a qualquer ato de violĂȘncia” e exigiu a implementação de medidas para restabelecer a segurança e a funcionalidade das instalaçÔes.

Planalto também se manifesta

O ministro da Justiça e Segurança PĂșblica, Ricardo Lewandowski, classificou a ação do homem-bomba na Praça dos TrĂȘs Poderes como “lamentĂĄvel” e falou em reforçar a “clĂĄusula democrĂĄtica” de tratados do Mercosul.

“Estes lamentĂĄveis episĂłdios nos fazem pensar que, mais do que nunca, Ă© preciso reforçar a clĂĄusula democrĂĄtica que estĂĄ inscrita em nossos tratados fundantes. Os tratados que dĂŁo a base a esta associação importantĂ­ssima que Ă© o Mercosul”, disse o ministro.

“Quero reforçar essa clĂĄusula democrĂĄtica mediante instrumentos legais e açÔes coordenadas que lhe deem efetividade e que impeçam retrocessos institucionais”, reforçou.

JĂĄ o ministro das RelaçÔes Institucionais, Alexandre Padilha, disse que o STF foi alvo, “mais uma vez”, de “uma cultura que estimula o Ăłdio”.

“NĂŁo tem como vocĂȘ ver essa situação sem relembrar o que foram os atos criminosos preparatĂłrios para o 8 de Janeiro e o prĂłprio 8 de Janeiro em si. Mais uma vez, o STF Ă© alvo de uma cultura que estimula o Ăłdio e que, infelizmente, leva pessoas a cometer crimes como esse”, afirmou Padilha.

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