O governo do presidente Lula (PT) prometeu manter o AuxĂlio Gás mesmo apĂłs ter ficado sem dinheiro disponĂvel para pagar as parcelas do benefĂcio em 2025. Conforme o EstadĂŁo revelou, o programa ficou sem recursos em caixa.
Sem o Orçamento de 2025 aprovado no Congresso, o programa ainda nĂŁo recebeu autorização orçamentária para pagamento neste ano. Mesmo com a aprovação, o valor previsto pelo governo – R$ 600 milhões – Ă© suficiente apenas para uma das cinco parcelas necessárias para atender os beneficiários. O governo tentou aprovar uma manobra para tirar o AuxĂlio Gás do Orçamento, mas nĂŁo conseguiu.
Inicialmente, o MinistĂ©rio do Desenvolvimento Social, que cuida do programa, afirmou que nĂŁo havia previsĂŁo para pagamento do benefĂcio nem definição de um calendário. ApĂłs a publicação da reportagem, a pasta enviou uma nova nota ao EstadĂŁo prometendo manter o repasse.
A primeira parcela de 2025 está prevista para fevereiro. “O governo federal reafirma seu compromisso com a manutenção do pagamento do AuxĂlio Gás para este ano de 2025”, diz a nota. “O benefĂcio, que atende 5,5 milhões de famĂlias em situação de vulnerabilidade social, garante o acesso ao gás de cozinha e contribui para a segurança alimentar da população.”
Sem o Orçamento aprovado, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) autoriza o governo a gastar provisoriamente algumas despesas inadiáveis. O governo entende que o AuxĂlio Gás se enquadra nesse quesito. O ministĂ©rio informou que fez um pedido para liberação do recurso pelo Tesouro Nacional para o pagamento da primeira parcela.
“A primeira parcela destinada ao AuxĂlio Gás na Proposta Orçamentária Anual (PLOA) 2025 se enquadra nessa previsĂŁo legal, garantindo a disponibilidade de recursos para o pagamento do benefĂcio”, disse a pasta.
Para o restante do recurso necessário, o governo prometeu fazer remanejamentos dentro do Orçamento. Isso significa tirar despesas de outras áreas para cobrir o benefĂcio.
O benefĂcio Ă© pago a cada dois meses para os cidadĂŁos beneficiados. “O restante dos recursos necessários Ă execução do Programa serĂŁo alocados na LOA por meio de remanejamento.
O AuxĂlio Gás protagonizou uma tentativa do governo de mudar a sistemática do programa driblando as regras fiscais. No ano passado, o Poder Executivo mandou um projeto para o Congresso propondo que a verba deixasse de ser custeada com o Orçamento da UniĂŁo e passasse a ser operada pela Caixa com o dinheiro que empresas de petrĂłleo depositam no Fundo Social. A proposta nĂŁo foi aprovada.
A manobra faria com que a UniĂŁo perdesse arrecadação e ainda que as despesas saĂssem dos limites do arcabouço fiscal. Conforme o EstadĂŁo revelou, tĂ©cnicos do MinistĂ©rio da Fazenda alertaram para o risco de fraude e de as despesas serem classificadas como irregulares. Mesmo assim, o ministro da pasta, Fernando Haddad, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinaram o projeto.
O Orçamento de 2025 foi enviado ao Congresso com R$ 600 milhões para o AuxĂlio Gás, um corte de 84% em relação ao valor original, já incorporando as mudanças do projeto. Em 2024, foram necessários R$ 3,4 bilhões para pagar o benefĂcio a todas as famĂlias atendidas. Diante dos questionamentos, Haddad e o nĂşmero dois da Fazenda, o secretário-executivo Dario Durigan, anunciaram que o AuxĂlio Gás voltaria para as balizas normais do Orçamento, o que ainda nĂŁo aconteceu.


