Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Habitantes de diferentes comunidades se reuniram por trĂȘs dias, na Ășltima semana, para trabalhar juntos na iniciativa

Por Nelson Liano/AgĂȘncia de NotĂ­cias do Acre 31/03/2025 Ă s 14:09 Atualizado: hĂĄ 1 ano

Por iniciativa dos moradores da Aldeia Recanto Verde, foi realizada, na Terra IndĂ­gena (TI) Nukini, no alto Rio Moa, municĂ­pio acreano de MĂąncio Lima, uma vivĂȘncia de reflorestamento, a partir de ĂĄrvores nativas e frutĂ­feras em ĂĄreas degradadas do territĂłrio.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

VivĂȘncia de reflorestamento foi realizada na Terra IndĂ­gena Nukini, no alto Rio Moa. Foto: Edson Fernandes/Secom

Habitantes de diferentes comunidades se reuniram por trĂȘs dias, na Ășltima semana, para trabalhar juntos, recolhendo adubo orgĂąnico e preparando mudas de plantas regionais para o plantio. Todo o processo foi acompanhado de manifestaçÔes culturais tradicionais do Povo Nukini.

Na abertura da vivĂȘncia, cantos e danças evocaram a proteção e a lembrança dos ancestrais de uma tradição indĂ­gena que sobreviveu a vĂĄrias tentativas de aculturamento. Nos mais recentes anos, os Nukini realizaram um mergulho nos conhecimentos originais da sua nação, revitalizando o uso do idioma nativo e diversos costumes dos seus antepassados.

O encontro teve participação das mulheres, jovens e crianças da etnia, que se uniram aos trabalhadores para produzir as mudas. Mais de 500 pessoas participaram da experiĂȘncia, com o propĂłsito de despertar a consciĂȘncia ambiental nos moradores da TI Nukini. Foram plantadas em torno de 20 mil mudas.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Todo o processo de plantio foi acompanhado de cùnticos e danças, reforçando a identidade cultural. Foto: Edson Fernandes/Secom

O cacique da Aldeia Recanto Verde, Xitin Nukini, repetiu o mantra “a natureza Ă© que cuida de nĂłs”. E destacou a necessidade de conservar o meio ambiente para a preservação da vida de todos os seres humanos no planeta. “O objetivo desse evento foi dar continuidade ao nosso projeto de reflorestamento e gestĂŁo territorial. É uma maneira de enfrentarmos as mudanças climĂĄticas, reflorestando ĂĄreas degradadas e pensando no futuro das novas geraçÔes do Povo Nukini”, disse.

No Ășltimo verĂŁo amazĂŽnico, os moradores do territĂłrio enfrentaram vĂĄrios problemas. “A gente sente essas mudanças no nosso corpo. Estamos vendo os rios secando e os peixes morrendo, as nascentes de ĂĄgua desaparecendo e as frutas jĂĄ nĂŁo chegam na Ă©poca certa. Entendo que o Ășnico caminho para o enfrentamento dessa situação Ă© replantando a vegetação da floresta, como jĂĄ foi um dia, antes dos desmatamentos”, salientou.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Evento foi realizado, na Terra IndĂ­gena (TI) Nukini, no alto Rio Moa, municĂ­pio acreano de MĂąncio Lima, Foto: Edson Fernandes/Secom

Reflorestar com alegria

O evento transcorreu com o povo vestindo roupas tradicionais. Durante os trabalhos, entoaram cantos e houve uma interação social intensa, com a presença de lideranças das diferentes aldeias do território.

Os Nukini optaram por um reflorestamento mesclado, composto de årvores de madeira de lei, frutíferas e plantas medicinais. O cacique-geral da TI, Rucam Nukini, ressaltou os esforços realizados pelo bem-estar de toda a população regional.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Com grande participação das mulheres e jovens da etnia, experiĂȘncia reuniu mais de 500 pessoas. Foto: Edson Fernandes/Secom

“A gente tem se preocupado com esses eventos climĂĄticos extremos e temos que trabalhar unidos, para poder nos adaptar e reconstituir a floresta nos lugares onde houve devastação. TambĂ©m temos que plantar ĂĄrvores frutĂ­feras, como o açaĂ­, para ajudar na segurança alimentar dos moradores”, relatou.

A consciĂȘncia ambiental, associada Ă s prĂĄticas espirituais, traz a energia para que o trabalho coletivo seja uma celebração. “Todos os dias devemos fortalecer a nossa cultura e espiritualidade, despertando a consciĂȘncia da importĂąncia de respeitar a natureza, que nos dĂĄ tudo o que precisamos. Essa vivĂȘncia possibilitou trabalharmos unidos, inspirados pelas nossas mĂșsicas tradicionais e costumes deixados pelos nossos ancestrais”, afirmou Rucam.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Inspirado pelo mantra “a natureza Ă© que cuida de nĂłs”, cacique reforçou importĂąncia de açÔes de reflorestamento. Foto: Edson Fernandes/Secom

Alunos da escola indĂ­gena tĂȘm aula prĂĄtica de reflorestamento

No terceiro dia da missĂŁo, cerca de cem alunos da Escola Estadual IndĂ­gena Pedro AntĂŽnio de Oliveira somaram-se Ă s atividades realizadas, participando das festividades culturais e de replantio.

Os professores e o diretor da instituição, Alexandre de Oliveira, aproveitaram a oportunidade para orientar os alunos sobre a necessidade de cuidar da natureza, jå afetada pelas alteraçÔes ambientais sofridas.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Reflorestamento foi realizado com mudas de ĂĄrvores de madeira de lei, frutĂ­feras e plantas medicinais. Foto: Edson Fernandes/Secom

“Por conta de uma sĂ©rie de fatores provocados pelas mudanças climĂĄticas, a gente teve que mudar a nossa rotina na escola [no verĂŁo de 2024]. Os igarapĂ©s da regiĂŁo secaram, as crianças chegavam atrasadas por falta de barqueiros e tivemos que mudar o horĂĄrio das aulas”, contou.

A seca intensa tambĂ©m tornou a temperatura dentro das salas de aula insuportĂĄvel. “A saĂ­da para escapar da quentura foi a gente se agrupar embaixo das ĂĄrvores. NĂŁo tinha como trabalhar daquela maneira. Os professores deram aula fora das salas, para aliviar os alunos. TambĂ©m enfrentamos falta de ĂĄgua, porque os poços secaram”, lembrou.

O gestor destacou que, depois desses acontecimentos, estão sendo feitas palestras de conscientização ambiental e exibidos vídeos, mostrando também a situação de outros lugares afetados pelos eventos climåticos extremos e apresentando soluçÔes pråticas para as crianças e jovens.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Cerca de 100 alunos da Escola Estadual Indígena Pedro AntÎnio de Oliveira participaram da ação. Foto: Edson Fernandes/Secom

“O importante Ă© que hoje os alunos estĂŁo plantando com a comunidade e vĂŁo perceber que daqui a um tempo vai aparecer o resultado dessa ação. EntĂŁo, quero fazer um planejamento, para que possamos reflorestar a ĂĄrea ocupada pela nossa escola, tendo como base essa vivĂȘncia”, salientou Alexandre.

Força feminina cuidando da natureza

As mulheres da comunidade Nukini tiveram uma participação importante durante a jornada. A artesã Fåtima Nukini, uma das lideranças femininas da Recanto Verde, ponderou sobre o apoio dado por elas ao evento.

“É muito importante a gente mostrar nossa cultura e ao mesmo tempo ajudar nesse projeto de reflorestamento do territĂłrio. A força feminina Ă© essencial para que possamos alcançar resultados de regeneração do meio ambiente”, disse.

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Epevi Nukini apontou como valorosa a inclusĂŁo dos jovens na atividade ambiental. Foto: Edson Fernandes/Secom

AçÔes reforçam para os jovens importùncia do reflorestamento. Foto: Edson Fernandes/SecomPara outra integrante da comunidade, Epevi Nukini, a inclusão de jovens e crianças no trabalho criou um ambiente generalizado de integração. E Tchuram Nukini, esposa do cacique Rucam, também avaliou que a atividade de reflorestamento promoveu união entre todos, para enfrentar um problema que afeta não só os indígenas, mas o mundo inteiro.

Apoio do governo do Acre

A ação ambiental na Aldeia Recanto Verde teve apoio do governo do Acre, por meio da Secretaria Extraordinåria de Povos Indígenas (Sepi), da Secretaria de Comunicação (Secom) e do Departamento de Estradas de Rodagem (Deracre).

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AçÔes reforçam para os jovens importùncia do reflorestamento. Foto: Edson Fernandes/Secom

Para enfrentar mudanças climĂĄticas, aldeia Nukini promove vivĂȘncia de reflorestamento no alto Moa

Ação prĂĄtica cativou atenção dos alunos da rede pĂșblica. Foto: Edson Fernandes/Secom

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