Acre se consolidou como rota internacional do trĂĄfico de drogas, diz Atlas da ViolĂȘncia

Proximidade com países produtores de drogas e ligaçÔes terrestres e aéreas fazem do Acre o território preferido pelos traficantes, mostra relatório do IPEA

Por TiĂŁo Maia, ContilNet 15/05/2025 Ă s 08:00 Atualizado: hĂĄ 11 meses

O Atlas da ViolĂȘncia no Brasil – 2025, divulgado pelo Instituto de Pesquisa EconĂŽmica Aplicada (Ipea), no inĂ­cio da semana, mostra que o Acre, que faz fronteira com dois paĂ­ses – BolĂ­via e Peru – apontados como produtores mundiais de cocaĂ­na, consolidou-se como rota nacional do trĂĄfico internacional. A dedução Ă© decorrente da quantidade de drogas apreendidas na fronteira, nas estradas e aeroportos.

Relatórios apontam que as substùncias apreendidas representam apenas uma pequena parte do que os traficantes conseguem passar. Mesmo assim, o que é apreendido é apontado como fator crucial para o sucesso de políticas de redução de danos e atendimento à população.

Acre se consolidou como rota internacional do trĂĄfico de drogas, diz Atlas da ViolĂȘncia

Acre se consolidou como rota internacional do trĂĄfico de drogas, diz Atlas da ViolĂȘncia/Foto: Reprodução

O Acre Ă© territĂłrio preferido pelos narcotraficantes por possuir rotas terrestres e aĂ©reas, por onde passam toneladas de cocaĂ­na. Em 2023, cada delegacia da PolĂ­cia Federal no Acre — localizadas em EpitaciolĂąndia, Rio Branco e Cruzeiro do Sul — apreendeu, em mĂ©dia, 181,5 kg e 823,5 kg da droga. Um dos pontos de destaque para essas apreensĂ”es sĂŁo as BRs 364 e 317, que dĂŁo acesso Ă s fronteiras do Brasil com os paĂ­ses produtores da droga.

O trĂĄfico nĂŁo se limita Ă s rodovias: o Aeroporto Internacional de Rio Branco tambĂ©m Ă© um ponto crĂ­tico, com a mĂ©dia de 22,3 kg a 41,9 kg de cocaĂ­na interceptados no mesmo perĂ­odo. Pesquisadores destacam que a transparĂȘncia dos dados Ă© essencial para combater o problema nĂŁo sĂł sob a Ăłtica da segurança, mas tambĂ©m da saĂșde pĂșblica.

O relatório reforça a necessidade de políticas integradas para frear o avanço das drogas na região, que segue como porta de entrada da cocaína peruana e boliviana no Brasil.

“A disponibilidade de dados oficiais, transparentes e acessĂ­veis Ă© uma iniciativa louvĂĄvel e necessĂĄria para compreendermos o fenĂŽmeno das drogas no Brasil, nĂŁo sĂł pelo aspecto da segurança pĂșblica ou da criminalidade, mas tambĂ©m pelo viĂ©s da saĂșde, visando Ă  redução de danos e riscos Ă  população. Um dado correto sobre a identificação das substĂąncias psicoativas que estĂŁo sendo comercializadas ilegalmente no paĂ­s Ă© uma questĂŁo de polĂ­cia, mas tambĂ©m de saĂșde pĂșblica, pois, afinal, essas substĂąncias estĂŁo sendo consumidas pela nossa população, que precisarĂĄ do atendimento adequado em casos de intoxicação, consumo excessivo e demais efeitos adversos”, afirma o relatĂłrio do Atlas da ViolĂȘncia sobre o trĂĄfico nas fronteiras do paĂ­s. “Quando sabemos exatamente quais substĂąncias estĂŁo sendo consumidas, podemos salvar vidas nĂŁo apenas combatendo o trĂĄfico, mas principalmente preparando nosso sistema de saĂșde para lidar com as consequĂȘncias desse consumo”, acrescenta o documento.

A defesa por maior transparĂȘncia de dados surge no contexto de discussĂ”es sobre novas abordagens para o problema das drogas, que integrem repressĂŁo qualificada e cuidado com a saĂșde pĂșblica no estado. “Essas informaçÔes sĂŁo fundamentais para: mapear padrĂ”es de consumo; antecipar crises de saĂșde pĂșblica; orientar atendimentos mĂ©dicos em casos de intoxicação; desenvolver estratĂ©gias de redução de danos eficazes”, explicam os pesquisadores.

O relatĂłrio reforça a necessidade de polĂ­ticas integradas para frear o avanço das drogas na regiĂŁo, que segue como porta de entrada da cocaĂ­na peruana e boliviana no Brasil. “Essas drogas estĂŁo sendo consumidas pela população, que precisa de atendimento adequado em casos de intoxicação e outros efeitos adversos. Os dados oficiais e acessĂ­veis permitem compreender o fenĂŽmeno nĂŁo apenas como questĂŁo de segurança, mas como um grave problema de saĂșde pĂșblica”, destacaram os especialistas.

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