“O Acre tem o pior solo do Brasil, e a BR-364 entrou em falĂȘncia”, diz superintendente do DNIT

Ricardo afirmou também que a BR-364 é uma das poucas rodovias do Brasil, inclusive do Norte, que tem a maior média de bueiros por quilÎmetro

Por Everton Damasceno, ContilNet 07/05/2025 Atualizado: hĂĄ 11 meses

Durante discurso na audiĂȘncia pĂșblica que debate as pĂ©ssimas condiçÔes da BR-364, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), nesta quarta-feira (7), o engenheiro civil Ricardo AraĂșjo, superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), disse que o Estado tem o pior solo do Brasil.

“O Acre tem o pior solo do Brasil, e a BR-364 entrou em falĂȘncia”, diz superintendente do DNIT

Ricardo AraĂșjo durante audiĂȘncia na Aleac/Foto: ContilNet

De acordo com o gestor, a qualidade do solo justifica o alto nível de erosÔes na rodovia.

“Infelizmente, o Acre foi agraciado com o pior solo do Brasil. O pior solo do Brasil, que Ă© a argila Tabatinga. É um material que nĂŁo tem suporte, alta expansĂŁo; ele nĂŁo pode reter ĂĄgua, ele jĂĄ incha e destrĂłi tudo. E Ă© por isso que nĂłs temos, nesse trecho, o maior nĂșmero de erosĂ”es. Nossa BR corta todos os igarapĂ©s. Todos os rios que nĂłs temos passam por essa BR. É o pior caminho, mas na Ă©poca era o que tĂ­nhamos em termos de tecnologia porque nĂłs precisĂĄvamos integrar as cidades”, afirmou.

Ricardo afirmou também que a BR-364 é uma das poucas rodovias do Brasil, inclusive do Norte, que tem a maior média de bueiros por quilÎmetro.

“Isso dĂĄ uma mĂ©dia de cinco linhas de bueiros por quilĂŽmetro. É a maior. EntĂŁo, temos a dificuldade com esse solo, que nĂŁo tem estrutura nenhuma. Temos um estudo que sĂł foi realizado a 1 km de profundidade, mas 1 km de Tabatinga para baixo Ă© como se fosse uma lama asfĂĄltica, em uma extensĂŁo de 400 km. VocĂȘ nĂŁo tem o que fazer e tem gente que pensa em substituir esse solo. NĂŁo se substitui”, acrescentou.

O superintendente defende uma reconstrução da rodovia.

“NĂŁo dĂĄ mais para fazer reparo. É reconstrução. O que temos nessa BR, atualmente, Ă© uma falĂȘncia total do pavimento implantado”, pontuou.

Um levantamento feito pelo DNIT mostra que, ao longo de toda a BR, mais de 250 erosÔes foram registradas.

Investimento

Ricardo disse que um recurso de mais de R$ 300 milhÔes deve ser liberado nos próximos dias para iniciar o processo de recuperação da rodovia que corta boa parte dos municípios do Acre.

Além disso, o superintendente garantiu a contratação de duas balanças para controlar o peso dos veículos na rodovia.

“A boa notĂ­cia que trazemos aqui Ă© a de que conseguimos balanças para a rodovia, depois de quatro meses sem balança. SĂŁo duas balanças para a BR, que fazem com que a gente consiga controlar o peso dos veĂ­culos. A parte do recurso jĂĄ deve ser liberada atĂ© o fim de maio. SĂŁo vĂĄrias janelas, mas essa inicial chega a mais ou menos R$ 300 milhĂ”es para começar os trabalhos. Com isso, jĂĄ vamos começar a construir os macadames, que sĂŁo uma parte da reconstrução”, destacou.

“Acho que em setembro a gente licita os primeiros 100 km, que vĂŁo de Sena Madureira atĂ© uns 20 km depois da entrada de Manoel Urbano”, acrescentou.

Também jå existe previsão para a liberação do segundo lote da reconstrução da estrada.

“O segundo lote deve sair ainda este ano, de mais ou menos 100 km, chegando a Feijó. Este ano licitam-se os dois lotes, atingindo pouco mais de 200 km”, pontuou.

Ricardo disse que, no próximo ano, em 2026, mais 200 km devem ser licitados, de Feijó até o Rio Liberdade.

“É uma reconstrução da BR que estĂĄ sendo licitada. Essa estrada entrou em falĂȘncia total e o que estamos fazendo hoje Ă© reconstruĂ­-la para manter o trĂĄfego e o acesso de qualidade das pessoas aos municĂ­pios. VocĂȘ vĂȘ que atĂ© dezembro do ano passado nĂŁo havia buracos na estrada, mas eles começaram a aparecer agora em fevereiro. Esse excesso de peso gerado pela falta da balança e a demora para votar o orçamento prejudicaram o processo. Passamos quatro meses com o mĂ­nimo de recurso, fazendo o que estava ao nosso alcance”, finalizou.

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