Enfermeira morre em UPA de Rio Branco com sinais de agressĂŁo; companheiro Ă© suspeito de feminicĂ­dio

PolĂ­cia aguarda laudo do IML para esclarecer morte de Jonnavila Mendes, de 32 anos, em unidade de saĂșde de Rio Branco

Por Ithamar Souza, ContilNet 30/06/2025 Atualizado: hĂĄ 10 meses

A PolĂ­cia Civil do Acre apura as circunstĂąncias da morte da enfermeira Jonnavila Mendes, de 32 anos, registrada na noite do Ășltimo domingo (29), em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Segundo Distrito de Rio Branco. A paciente deu entrada na unidade relatando dores no corpo e dificuldades respiratĂłrias, mas sofreu uma parada cardiorrespiratĂłria e nĂŁo resistiu.

Segundo informaçÔes da equipe mĂ©dica, Jonnavila foi levada ao local por A.P.S.L., com quem mantinha um relacionamento. Ela teria perdido a consciĂȘncia ainda na triagem e foi levada Ă  sala vermelha, onde recebeu atendimento da equipe plantonista. Apesar dos esforços, morreu por volta das 22h.

Durante os procedimentos de preparação do corpo, profissionais de saĂșde observaram a presença de hematomas em vĂĄrias regiĂ”es, o que motivou o acionamento da PolĂ­cia Militar e do Instituto MĂ©dico Legal (IML). O caso foi encaminhado Ă  Delegacia Especializada de Atendimento Ă  Mulher (Deam).

Enfermeira morre em UPA de Rio Branco com sinais de agressĂŁo; companheiro Ă© suspeito de feminicĂ­dio

Enfermeira Jonnavila Mendes, de 32 anos, morreu após sofrer parada cardiorrespiratória; caso é investigado pela Polícia Civil do Acre/Foto: Reprodução

Família relata histórico de afastamento e preocupação

Parentes de Jonnavila Mendes afirmam que ela mantinha um relacionamento com A.P.S.L. hĂĄ cerca de um ano. Segundo os familiares, nos Ășltimos meses, ela teria se afastado de amigos, parentes e colegas de trabalho. TambĂ©m mencionaram mudanças de comportamento e vestimentas que, segundo eles, seriam atĂ­picas para o clima da capital acreana.

InformaçÔes apontam ainda que, em maio, uma denĂșncia anĂŽnima sobre uma possĂ­vel situação de violĂȘncia domĂ©stica envolvendo o casal chegou Ă s autoridades. Na ocasiĂŁo, a enfermeira negou qualquer tipo de agressĂŁo.

Vizinhos do prédio onde Jonnavila morava relataram à reportagem que eram comuns discussÔes e conflitos. Alguns disseram que chegaram a pedir à proprietåria do imóvel a desocupação do apartamento em razão dos episódios constantes.

FamĂ­lia recupera pertences com apoio da PM

Após a morte de Jonnavila, familiares relataram dificuldades para reaver seus pertences, como o celular e o veículo, que estavam com A.P.S.L. A recuperação foi feita com apoio da Polícia Militar. A família também informou que o telefone da vítima teria sido acessado após o óbito, e mensagens pessoais teriam sido apagadas. O caso foi formalmente denunciado à Deam.

Diante do cenårio, a Justiça concedeu medida protetiva aos familiares e reforço na segurança do velório da enfermeira.

Suspeito foi detido e polĂ­cia aguarda laudo

Na noite da segunda-feira (30), A.P.S.L. foi conduzido Ă  Deam durante o andamento das investigaçÔes e por denĂșncias de ameaças. A PolĂ­cia Civil aguarda o laudo cadavĂ©rico do IML para esclarecer a causa da morte. AtĂ© o momento, a principal linha de investigação trata o caso com base em indĂ­cios, mas sem confirmação oficial.

A audiĂȘncia de custĂłdia de A.P.S.L. estĂĄ prevista para a manhĂŁ desta terça-feira (1Âș), quando a Justiça deve decidir sobre a manutenção da prisĂŁo ou uma possĂ­vel liberação.

A reportagem entrou em contato com a delegacia responsåvel, mas, até o fechamento desta edição, apenas o delegado plantonista se manifestou, sem fornecer mais detalhes sobre o andamento do inquérito.

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