A AgĂȘncia Nacional de Energia ElĂ©trica (Aneel) aprovou, nesta terça-feira (10/6), a data para a vigĂȘncia da tarifa social de energia elĂ©trica. A medida, que visa garantir a gratuidade da conta de luz a consumidores, entra em vigor em 5 de julho.
A diretoria da Aneel aprovou a matĂ©ria por unanimidade em reuniĂŁo pĂșblica. Todos os diretores seguiram o voto da relatora do processo, diretora substituta Ludimila da Silva.
O presidente Sandoval Feitosa disse que a Aneel precisa fazer polĂticas sociais a partir da tarifa de energia elĂ©trica. Para ele, esse modelo de tarifa social Ă© o âmais justoâ, pois Ă© socialmente inclusivo e evidencia a necessidade do uso da eletricidade.

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As novas regras da tarifa social constam em medida provisĂłria (MP) enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional. A ideia do programa Ă© ampliar o acesso das famĂlias Ă energia elĂ©trica, reduzindo as desigualdades sociais. SĂŁo dois itens:
- Tarifa Social de Energia ElĂ©trica (para famĂlias com renda per capita de atĂ© meio salĂĄrio mĂnimo); e
- Desconto Social (para famĂlias com renda per capita entre meio e um salĂĄrio mĂnimo).
Tarifa Social
Os consumidores de baixa renda que tiverem consumo menor ou igual a 80 kWh/mĂȘs terĂŁo desconto de 100%. Enquanto quem consumir mais que 80 kWh/mĂȘs nĂŁo terĂĄ desconto.
São enquadradas nesse critério:
- famĂlias inscritas no Cadastro Ănico para Programas Sociais (CadĂnico) com renda mensal atĂ© meio salĂĄrio mĂnimo;
- pessoas com deficiĂȘncia ou idosos acima de 65 anos no BenefĂcio de Prestação Continuada (BPC);
- famĂlias indĂgenas e quilombolas do CadĂnico; e
- famĂlias do CadĂnico atendidas em sistemas isolados por mĂłdulo de geração.
De acordo com o governo, se o consumo for maior que 80 kWh/mĂȘs, o consumidor apenas pagarĂĄ o que ultrapassar o limite estabelecido para, assim, continuar sendo beneficiado.
Espera-se que 4,5 milhĂ”es de famĂlias terĂŁo a conta zerada, somando cerca de 16 milhĂ”es de pessoas. A isenção vai gerar um aumento mĂ©dio de 0,9% para os demais consumidores regulados, conforme cĂĄlculos do governo.
O Ministério de Minas e Energia (MME) estima que o impacto imediato na conta de energia com a ampliação da tarifa social serå de R$ 4,45 bilhÔes.
Para compensar esse custo, a pasta sugere limitar os descontos às fontes de energia incentivada (aquela gerada por fontes renovåveis, como a solar, eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas).
Dessa forma, serĂŁo subtraĂdos da conta de luz cerca de R$ 10 bilhĂ”es em subsĂdios no longo prazo, de acordo com o vencimento dos contratos de aquisição de energia dessas fontes.
Desconto social
O desconto social consiste na isenção do pagamento da Conta de Desenvolvimento EnergĂ©tico (CDE) no consumo mensal de atĂ© 120 kWh para famĂlias do CadĂnico com renda per capita entre meio e um salĂĄrio mĂnimo.
Esse desconto vai garantir a redução de cerca de 11,8% nas contas de energia das famĂlias beneficiadas, gerando um aumento de 0,53% para os demais consumidores regulados.
O governo entende que o desconto é necessårio para fazer a transição entre tarifa social e a tarifa normal.
Mercado livre de energia
A MP também permite que cada consumidor possa escolher a própria fonte de energia elétrica, o que possibilita a entrada do consumidor de baixa tensão, ou seja, de consumo menor, no mercado de energia.
Os prazos para migração previstos são os seguintes:
- indĂșstria e comĂ©rcio: a partir de 1Âș de março de 2027;
- demais consumidores: a partir de 1Âș de março de 2028.
