VĂ­timas de fraude no INSS serĂŁo ressarcidas em parcela Ășnica

Gilberto Waller JĂșnior explicou que governo planeja abrir lotes a cada 15 dias para fazer pagamento Ășnico a aposentados e pensionistas que foram prejudicados

Por Correio Braziliense 18/06/2025

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller JĂșnior, explicou que os ressarcimentos das vĂ­timas pelos descontos indevidos de aposentadorias e pensĂ”es realizados nos Ășltimos anos serĂŁo realizados em uma Ășnica parcela, com lotes a cada 15 dias, em data ainda a ser definida.

Em coletiva promovida nesta quarta-feira (18/6), que tambĂ©m contou com a presença do advogado-geral da UniĂŁo, Jorge Messias, o presidente do INSS esclareceu que nĂŁo haverĂĄ uma ordem de prioridade para as devoluçÔes e que todos que estiverem na mesma situação de vĂ­tima das fraudes serĂŁo pagos “integralmente” e de uma sĂł vez. TambĂ©m ressaltou que o INSS espera realizar o pagamento o quanto antes, embora ainda nĂŁo haja uma data certa para isso ocorrer.

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O presidente do INSS, Gilberto Waller, informou que o ĂłrgĂŁo farĂĄ a busca ativa a segurados lesados pelos desvios irregulares de recursos/Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/AgĂȘncia Brasil

“O planejado hoje Ă© que sĂł temos calendĂĄrio para pagamento em lotes, a cada 15 dias, aos nossos beneficiĂĄrios. Ou seja, em um Ășnico mĂȘs, dois lotes de beneficiĂĄrios serĂŁo pagos, para a gente poder, cada vez mais, ressarcir, indenizar e virar a pĂĄgina dessa situação tĂŁo feia que acometeu o INSS, que foi acometido por esses fraudadores e esses bandidos que ali fizeram”, disse o presidente do INSS.

TrĂȘs etapas de trabalho

O INSS trabalha em trĂȘs etapas para devolver os valores Ă s vĂ­timas, segundo o presidente do instituto. Na primeira fase, ocorrida em abril, quando estourou a crise, os valores que tradicionalmente sĂŁo repassados para entidades a cada mĂȘs ficaram retidos pelo governo federal, independente de estar irregular, ou nĂŁo. No total, o governo segurou cerca de R$ 292 milhĂ”es que foram devolvidos em maio e junho.

JĂĄ a segunda etapa, que ainda acontece, Ă© quando as instituiçÔes instadas nĂŁo apresentam a documentação, ou reconhecem que nĂŁo tĂȘm a documentação para averiguar se estĂĄ na legalidade. Nesse caso, Ă© gerada uma guia de pagamento para o INSS, que repassa o aposentado ou pensionista.

Por fim, o terceiro momento é o pagamento dos casos em que não hå resposta ou comprovação da irregularidade. Segundo o presidente do INSS, para esses casos, o governo federal deve ressarcir as vítimas em um cronograma a ser relatado e informado em breve.

“A ideia Ă© que quanto antes pagar, melhor. O nosso aposentado e pensionista nĂŁo pode ficar no prejuĂ­zo. Eles dependem disso para se alimentar, para comprar remĂ©dio, para o seu dia-a-dia. E o seu Estado estĂĄ sensĂ­vel com os nossos aposentados e pensionistas”, disse Waller JĂșnior.

Identificação das vítimas

A crise no INSS estourou no Ășltimo dia 23 de abril, quando a PolĂ­cia Federal (PF) deflagrou a Operação Sem Desconto, que apontou descontos indevidos que chegaram ao valor de R$ 6,3 bilhĂ”es entre os anos de 2019 e 2024. Essas movimentaçÔes ilegais teriam ocorrido por meio de entidades associativas diretamente na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas, no entanto, sem a autorização desses beneficiĂĄrios.

Segundo Waller Jr., no momento da deflagração da operação Sem Desconto, a projeção da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) era de que 4,1 milhÔes de vítimas teriam sido atingidas ou potencialmente atingidas.

Desde entĂŁo, o INSS pediu para que 9,3 milhĂ”es de segurados informassem se tiveram um desconto autorizado, ou nĂŁo. “Com isso, a gente tem a abertura do processo de contestação, e hoje, que a gente tem pouco mais de 30 dias funcionando o processo de contestação, chegamos a 3,2 milhĂ”es contestaçÔes, muito prĂłximo dos 4,1 milhĂ”es projetados pela PF e CGU”, disse o presidente do INSS.

Ele ainda reforçou que os canais de atendimento ainda continuam abertos para que outros beneficiários que teriam sido vítimas das fraudes, mas ainda não foram identificados, esclareçam a sua situação. É possível fazer isso por meio do aplicativo Meu INSS, ou pelo telefone 135.

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