Ontem (10/07) foi meu aniversário. E, pela primeira vez em muitos anos, não houve festa. Não houve balões, nem purpurinas, nem um burburinho alegre de vozes conhecidas. Escolhi o silêncio. Escolhi a natureza. Escolhi a mim.
Fiz um passeio de barco especial pelo Rio Acre, conduzido pelo Sr. Malveira — um empresário que decidiu transformar seu restaurante flutuante no Rio Acre em algo maior: um palco de histórias. Ele conduz passeios com a serenidade de quem entendeu que viver não é correr, é apreciar. E ali, entre as águas calmas e as palavras lentas, fui presenteada com algo raro: tempo e escuta.
Enquanto ele contava causos, memórias e narrativas sobre o Acre e sobre si mesmo, eu me permiti mergulhar em mim. Almocei um Risoto com jambu e tucupi, me deliciei com uma barca generosa de açaí, e deixei que o sabor doce da vida me lembrasse que desacelerar também é um ato de amor.
Foi ali, diante do rio e da minha própria história, que a pergunta veio como uma avalanche silenciosa:
O que tenho feito comigo?
Já vivi mais de 50% da minha vida. Segundo as projeções mais recentes do IBGE, uma criança nascida no Brasil em 2025 poderá esperar viver, em média, até os 76,8 anos.
E quando me olho no espelho… o que vejo? Se a sua primeira resposta for “as rugas”, respire. Eu também já pensei assim. Mas hoje, vejo diferente. As rugas não são defeitos. São documentos do tempo. São cicatrizes de quem já caiu e levantou. São os rastros de uma estrada feita na raça, com escolhas, recomeços, perdas, fé e amores.
Não vejo apenas uma idade no espelho. Vejo uma história em carne viva.
Vejo feridas, sim. Mas vejo também as curas.
Vejo olhos que aprenderam a olhar mais fundo, mãos mais pacientes, e uma coragem que já não precisa se exibir — porque foi provada no silêncio.
Hoje, não busco juventude no reflexo. Busco presença. E é nela que encontro força.
A psicóloga Vera Iaconelli disse algo que me atravessou:
“A forma como nos relacionamos com o tempo diz muito sobre a nossa capacidade de estar no mundo com integridade.”
E é isso. A sabedoria do tempo não está em evitar que ele passe — está em honrar o que ele nos ensinou. Em aceitar a história que ele escreve em nós.
Acredite: não é necessário estar rodeado de amigos. É necessário estar rodeado de você. Aprenda a comemorar VOCÊ.
Porque quando a gente se celebra, o mundo aprende a nos celebrar também.
Você não está velho demais.
O mundo é que anda distraído demais para perceber o quanto ainda cabe em você.
Então, me diga com sinceridade:
O que você vê quando se olha no espelho?
Talvez não seja hora de esconder as marcas.
Talvez seja hora de assumir o curso do rio.

