Há momentos que não se explicam — se sentem. E há imagens que não apenas registram a cena, mas capturam a alma do instante. Foi exatamente isso que o renomado fotógrafo Pedro Devani, mestre das lentes e da sensibilidade, conseguiu ao eternizar um pôr do sol visto pelo retrovisor de um carro.
A imagem é de tirar o fôlego: o sol se despedindo em tons de ouro e fogo, dourando a estrada como se dissesse silenciosamente que o fim de um ciclo também pode ser belo. Um convite visual para refletir sobre o passado com carinho, mas com os olhos firmes no que ainda está por vir.
Essa fotografia nos provoca a pensar: quantas vezes deixamos que nossos sentimentos nos paralisem? Quantas vezes acreditamos que o que sentimos é o que somos — e esquecemos que somos muito mais do que isso?
Sentimentos não são destino. Sentimentos não dirigem. Eles são passageiros da nossa jornada, não os motoristas. São intensos, sim. Às vezes avassaladores. Mas também são temporários. E por mais verdadeiros que pareçam, não devem ter o poder de decidir o rumo da nossa vida.
Não idolatre sentimentos. Eles são importantes, mas não são eternos. E não foram feitos para ser. Quando colocamos nossas emoções no altar, esquecemos que elas existem para serem vividas, compreendidas e, muitas vezes, superadas. Como disse C.S. Lewis: “As emoções não são más. O problema está em permitir que elas nos governem.”
E quando deixamos que elas comandem nossas escolhas, nos tornamos reféns da instabilidade. Cada oscilação interna vira um desvio de rota. Cada dor vira um ponto final. Mas a vida não é feita de pausas — é feita de movimento.
O que sustenta uma vida com propósito não é o que se sente, é o que se entende.
É a consciência de que, mesmo sem vontade, é preciso continuar. Que levantar da cama em dias difíceis é um ato de coragem. Que seguir em frente, mesmo com o coração em pedaços, é um compromisso com o que se quer construir.
O propósito é firme. Os sentimentos, não. Hoje você ama, amanhã sente raiva. Hoje acredita, amanhã dúvida. E tudo bem. Isso é ser humano. Mas o que nos leva adiante é a decisão de continuar, mesmo quando tudo dentro de nós grita para parar.
Não eternize dores que tinham prazo. Não transforme em morada o que era só passagem. Existe um tempo para o luto, para a perda, para o fracasso — mas não para sempre. O sentimento precisa ser ouvido, mas não pode assumir o volante.
Olhe pelo retrovisor com sabedoria, mas mantenha os olhos na estrada.
O que passou pode ter marcado, mas não define quem você vai se tornar. O que importa mesmo está à frente. E é lá que mora o seu futuro.
Deixo para a sua vida uma FRASE:
“Não é o que sinto que me move, é o que eu sei que preciso cumprir.”
Da próxima vez que um sentimento — bom ou ruim — tentar te dominar, respire fundo, agradeça. Mas lembre-se: não foi o sentimento que te trouxe até aqui. Foi a sua decisão de continuar.
Porque no fim das contas, o retrovisor é pequeno por um motivo: a estrada da vida segue em frente. E você também.

