Maysa Bezerra: fundidos para suportar

Voltar aos bancos da faculdade depois de quase duas décadas formada não foi apenas um ato de coragem. Foi um reencontro. Um reencontro comigo mesma, com meus sonhos e, acima de tudo, com Deus.

Na primeira aula, enquanto o professor falava sobre o corpo humano, um detalhe simples me atravessou como revelação. Ele explicava sobre os ossos: aos dois anos de idade, já carregamos cerca de 270. Mas, ao longo da vida, eles se fundem, se ajustam, e na fase adulta permanecem apenas 206 ossos.

E ali, entre números e anatomia, eu vi Deus.

Um Deus que não apenas cria, mas que cuida de cada detalhe. Que não desperdiça nada. Que permite que partes se unam para que a estrutura suporte o peso da vida.

Quantas vezes sentimos que estamos perdendo algo? Que pedaços de nós estão se quebrando? Mas, talvez, estejamos apenas sendo fundidos. Talvez seja Deus estruturando-nos para suportar um novo tempo.

Assim como o esqueleto se fortalece lentamente, do silêncio da infância até a juventude, também é o agir de Deus: invisível, constante, paciente. Ele molda no oculto, sustenta no invisível, fortalece na espera.

Cada osso tem uma função. Cada junção tem um propósito. E se Ele foi tão minucioso ao desenhar nossa estrutura física, por que duvidar de que também se importa com os detalhes da nossa dor?

Hoje, ao reabrir livros e cadernos, percebi que não encontrei apenas conhecimento acadêmico. Encontrei um lembrete divino: Deus ainda está me formando. Mesmo depois de tantos anos, Ele ainda funde partes da minha história. Ele ainda me prepara para algo maior.

E talvez seja isso que eu queira lhe dizer: se a vida parece dura, se algo parece se partir, olhe para dentro de você. Olhe para os ossos. Eles nos lembram de que Deus não desperdiça processos. Ele transforma. Ele estrutura. Ele sustenta.

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