A associação entre sexo e uso de substĂąncias quĂmicas â prĂĄtica conhecida como chemsex ou sexo quĂmico â tem ganhado força no Brasil e acendido alertas entre especialistas em saĂșde pĂșblica. Dados de um estudo publicado no periĂłdico cientĂfico Health Care apontam que cerca de 13% da população mundial jĂĄ se envolveu em prĂĄticas de sexo quĂmico. No paĂs, o fenĂŽmeno tem se espalhado especialmente em grandes centros urbanos como SĂŁo Paulo, Rio de Janeiro e BrasĂlia.
Para compreender melhor os riscos e possĂveis caminhos de enfrentamento, a CBN ouviu o psiquiatra Arthur Guerra, coordenador do NĂșcleo de Drogas e Ălcool do Hospital SĂrio-LibanĂȘs, e JoĂŁo Geraldo Neto, especialista em sexualidade, mobilizador social e criador do chatbot SynĂŽ, plataforma voltada Ă redução de danos em prĂĄticas de sexo quĂmico.
âEstamos diante de um problema sĂ©rio, que jĂĄ representa um desafio concreto nos serviços de saĂșde. Em uma clĂnica onde atuo, de 16 pacientes internados, trĂȘs estĂŁo ali por questĂ”es diretamente relacionadas ao chemsexâ, relatou o doutor Arthur Guerra.

PrĂĄtica do âchemsexâ cresce no Brasil e preocupa especialistas por riscos Ă saĂșde mental e fĂsica/Foto: Reprodução
Segundo o psiquiatra, o uso de substĂąncias como metanfetamina, GHB (conhecido como âĂȘxtase lĂquidoâ) e outras drogas estimulantes e depressoras tem como objetivo intensificar sensaçÔes sexuais, mas pode gerar rĂĄpida dependĂȘncia, agravada por questĂ”es emocionais e quadros prĂ©vios de depressĂŁo, ansiedade ou isolamento social.
âAlgumas pessoas buscam essas drogas como uma bengala emocional. HĂĄ um prazer intenso, mas curto, seguido de vazio, frustração e vontade de repetir. Isso acaba virando um ciclo de compulsĂŁoâ, afirmou Guerra.
JoĂŁo Geraldo Neto, que atua hĂĄ anos com acolhimento e orientação sobre HIV e sexualidade, explica que o crescimento da prĂĄtica se dĂĄ especialmente entre homens que fazem sexo com homens e tem forte ligação com o uso de aplicativos de encontros e festas privadas. Para atender essa população, ele desenvolveu o chatbot SynĂŽ, acessĂvel via WhatsApp e treinado para oferecer informaçÔes e acolhimento em portuguĂȘs, espanhol e inglĂȘs.
âO SynĂŽ Ă© um robĂŽ que atua 24 horas por dia e orienta sobre redução de danos, identificando, por exemplo, combinaçÔes perigosas de substĂąncias ou sinais de risco nos prĂłprios emojis usados em aplicativos. Ă uma forma de informar, acolher e orientar sem julgamentoâ, explicou JoĂŁo.
O chatbot SynĂŽ pode ser acessado gratuitamente pelo nĂșmero (62) 98111-8873, via WhatsApp. TambĂ©m Ă© possĂvel encontrĂĄ-lo pelo Instagram do Instituto Multiverso (@multiversoinstituto), onde estĂĄ disponĂvel o link direto na bio.
JoĂŁo destaca que o Instituto adota uma abordagem pragmĂĄtica. âAlgumas pessoas nĂŁo querem parar de usar. A gente nĂŁo incentiva o uso, mas entende que, com informação, Ă© possĂvel reduzir os danos, evitar overdoses e preservar vidasâ, completou.

