Outro dia, assisti à série Holo, Meu Amor, da Netflix. Comecei sem grandes expectativas, mas terminei com o coração apertado e a cabeça cheia de perguntas. A história fala de Han So-yeon, uma mulher que não consegue reconhecer rostos e, por isso, vive isolada. Até que ela conhece Holo, um holograma criado para ser gentil, presente e compreensivo. E aí tudo muda.
Mas o que mais me tocou não foi a tecnologia. Foi perceber o quanto essa história se parece com a nossa realidade. Quantas pessoas você conhece que estão se afastando dos outros? Que preferem conversar por mensagens do que olhar nos olhos? Que têm medo de se abrir, de mostrar o que sentem, de serem… vulneráveis? E isso, me incluo também.
Vivemos em um tempo em que ser sensível virou sinônimo de fraqueza. E, por isso, muita gente se fecha. Cria uma versão “fria” de si mesma, como o programador Go Nan-do, criador do Holo. Ele observa tudo de longe, sem se envolver. E não é assim que muitos de nós estamos vivendo? Presentes fisicamente, mas ausentes emocionalmente.
A série me fez pensar: será que estamos nos tornando hologramas? Gentis por fora, mas vazios por dentro? Será que estamos trocando o calor humano por conexões digitais que não abraçam, não escutam, não sentem?
A verdade é que todo mundo carrega dores. Mas esconder essas dores não cura. Fugir das emoções não resolve. O que cura é se permitir sentir. É ter coragem de ser vulnerável. De dizer “eu preciso de você” sem medo ou então, “eu te amo, mas não consigo expressar, mas a tua presença me faz bem”. De mostrar quem somos de verdade, sem filtros, sem máscaras.
Holo, Meu Amor não é só uma série. É um alerta. Um convite para voltarmos a ser humanos. Para escutarmos mais, abraçarmos mais, estarmos mais presentes. Para sermos menos Nan-do e mais Holo. E, acima de tudo, para termos coragem de ser como So-yeon: reais, imperfeitos, mas abertos ao amor.
Que sejamos So-yeon.

