O ChatGPT disse:O Tribunal do JĂșri da 2ÂȘ Vara Criminal de Rio Branco concluiu, nos dias (1) e (2), o julgamento de 11 acusados pela morte de Ribamar Barbosa da Silva KaxinawĂĄ, conhecido como RibamĂĄ CachinawĂĄ, ocorrida em 7 de janeiro de 2022 no municĂpio de FeijĂł. O processo foi transferido para a capital apĂłs pedido de desaforamento do MinistĂ©rio PĂșblico do Acre (MPAC), que apontou dificuldades para a realização do jĂșri na cidade.
Segundo a denĂșncia, o indĂgena foi morto de forma cruel por integrantes da facção Comando Vermelho, apĂłs suspeita de que teria dado guarida a dois parentes ligados ao PCC. O promotor de Justiça Carlos Pescador, que atuou no caso, detalhou a dinĂąmica da execução:
âO Ribamar era um indĂgena que ficava entre a aldeia e a cidade. Ele fazia uso de drogas e numa dessas vindas para comprar mantimentos foi abordado por dois adultos e dois adolescentes. Isso porque, dias antes, ele havia recebido parentes de Manoel Urbano, dois homens e uma mulher supostamente ligados ao PCC. A partir disso, começaram a questionar quem eram essas pessoas, mandaram fotos para conhecidos e confirmaram a ligação deles com a facção. Por dar guarida a essas pessoas, o Ribamar foi levado da casa dele no dia 7 de janeiro de 2022.â
De acordo com os autos, a vĂtima foi mantida inicialmente em um ponto conhecido como Cantoneira, onde teria tentado negociar sua vida.
âEle dizia: ânĂŁo me matem que eu vou na aldeia matar esses dois primosâ. Levaram ele atĂ© a aldeia, mas quando pediu passagem, os parentes jĂĄ desconfiavam do desaparecimento e responderam a bala. NĂŁo conseguiram atravessar o rio e voltaram com ele para a Cantoneiraâ, explicou Pescador.
Durante a madrugada, Ribamar foi conduzido até a mata por um grupo de seis pessoas.
âO mais triste Ă© que obrigaram ele a cavar a prĂłpria cova por duas, trĂȘs horas. Ele cavou, entrou, deitou na cova. Um deles atirou, mas nenhum disparo o acertou. EntĂŁo entraram na cova, deram um golpe no peito e o degolaram. Foi uma cena dantesca, na frente de adolescentes, o que configura corrupção de menoresâ, disse o promotor.
O MPAC denunciou os 11 acusados por homicĂdio qualificado, corrupção de menores e participação em organização criminosa . Parte deles foi absolvida do homicĂdio por nĂŁo estar presente na execução final, mas todos foram condenados pelos crimes de organização criminosa e corrupção de menores.
âAlguns sĂł participaram levando a vĂtima de um ponto a outro, por isso nĂŁo foram condenados pelo homicĂdio. Mas todos foram responsabilizados por integrar a facção e por corromper adolescentes, porque essa foi uma conduta coletivaâ, afirmou Pescador.
Dos 11 acusados, 10 compareceram ao julgamento. Apenas uma rĂ©, a Ășnica mulher, foi condenada em regime semiaberto; os demais receberam penas em regime fechado .
Um episĂłdio paralelo ocorreu nos dias de julgamento. IsaquĂ©u Sousa Oliveira, um dos acusados considerados peça central no crime, nĂŁo compareceu e foi morto em FeijĂł enquanto o jĂșri ocorria em Rio Branco.
âIsaquĂ©u era apontado como responsĂĄvel principal. Ele começou a falar com pessoas do PCC em Envira, no Amazonas. Quando foram obrigĂĄ-lo a assumir sozinho o crime, ele se negou. Acabaram pegando o celular dele, descobriram essas conversas e o executaram da mesma forma que mataram o indĂgena: em uma cova rasa, com um degolado. Isso aconteceu durante o julgamento, entre os dias 1Âș e 2â, relatou o promotor.
O MPAC destacou que o caso evidencia o poder crescente das organizaçÔes criminosas em ĂĄreas indĂgenas e cidades do interior do Acre.
âEsse Ă© um crime que levanta muitas questĂ”es sobre a entrada das facçÔes nas aldeias. Quem estĂĄ em Rio Branco talvez nĂŁo tenha a dimensĂŁo, mas em municĂpios como FeijĂł, TarauacĂĄ, Manoel Urbano e Santa Rosa o impacto Ă© grande. Ă um desafio para o nosso estado lidar com essa realidadeâ, concluiu Carlos Pescador.


