Senado analisa proposta de plebiscito que pode decidir volta da monarquia no Brasil

A iniciativa surgiu no portal e-Cidadania e ultrapassou 30 mil apoios — número bem acima dos 20 mil exigidos para que fosse encaminhada ao Senado

Por Redação ContilNet 27/09/2025 às 10:40

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado analisa a SUG 9/2024, uma sugestão legislativa que propõe a convocação de um plebiscito em 2026 para que a população decida sobre a restauração da monarquia parlamentarista no Brasil. A iniciativa surgiu no portal e-Cidadania e ultrapassou 30 mil apoios — número bem acima dos 20 mil exigidos para que fosse encaminhada ao Senado.

Senado analisa proposta de plebiscito que pode decidir volta da monarquia no Brasil

Projeto será analisado pelo Senado Federal/Foto: Reprodução

O autor da proposta argumenta que o sistema republicano presidencialista é ineficiente e defende que a monarquia parlamentarista permitiria maior autonomia dos partidos eleitos, além de citar exemplos de países como Espanha, Inglaterra e Dinamarca, que, segundo ele, apresentam baixos índices de corrupção e mais investimentos públicos.

Se for acolhida, a sugestão se transformará em projeto de lei, que deverá tramitar pelo Senado e pela Câmara. Caso seja aprovado, será convertido em Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Somente depois da promulgação de um novo texto constitucional é que poderiam ser tomadas providências para alterar a forma de governo.

Histórico e desinformação

Essa não é a primeira vez que o Brasil discute mudanças na forma e no sistema de governo. O país foi uma monarquia entre 1822, com a Independência, e 1889, quando ocorreu a Proclamação da República. Desde então, adota o modelo presidencialista, com exceção do breve período parlamentarista entre 1961 e 1963.

Em 1993, por determinação da Constituição de 1988, foi realizado um plebiscito para que os brasileiros escolhessem entre monarquia ou república, e entre presidencialismo ou parlamentarismo. O resultado manteve a república (66% dos votos) e o presidencialismo (56%). A monarquia obteve apenas 10%. A votação foi marcada por elevada abstenção, além de um grande número de votos nulos.

A campanha, que durou dois meses, enfrentou forte desinformação, mesmo em uma época sem redes sociais. O pleito ocorreu logo após o impeachment de Fernando Collor e sob a presidência de Itamar Franco, o que fez com que o tema fosse explorado nas campanhas sem o devido esclarecimento à população. O quadro foi tão confuso que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisou recorrer a explicações em rede nacional de televisão para orientar os eleitores.

Para relembrar aquele episódio histórico, a Agência Senado publicou a reportagem “Há 30 anos, Brasil foi às urnas decidir se teria rei e primeiro-ministro”, que detalha o plebiscito de 1993.

Fonte: Senado Verifica

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