O presidente do Peru, JosĂ© JerĂ, declarou estado de emergĂȘncia na capital Lima justificando a medida para combater o aumento da criminalidade no paĂs.

Um grupo de pessoas da chamada âGeração Zâ entrou em confronto com membros da polĂcia peruana que guardavam o Congresso da RepĂșblica durante uma manifestação em 27 de setembro de 2025, em Lima, Peru/Foto: Klebher Vasquez/Anadolu via Getty Images
Em um anuncio televisionado nesta terça-feira (21), Jeri disse que a medida vale por 30 dias.
“O estado de emergĂȘncia, aprovado pelo Conselho de Ministros, entra em vigor Ă meia-noite e por 30 dias na regiĂŁo metropolitana de Lima e Callao, e apresenta uma nova abordagem. Estamos passando da defensiva para a ofensiva na luta contra a criminalidade, uma luta que nos permitirĂĄ recuperar a paz, a tranquilidade e a confiança de milhĂ”es de peruanos”, disse JerĂ.
“Guerras se vencem com açÔes, nĂŁo com palavras. Viva o Peru!”, acrescentou.
Jeri tomou posse no inĂcio deste mĂȘs, apĂłs a deposição da ex-presidente Dina Boluarte. Ele apresentou um novo gabinete na semana passada, prometendo fazer do combate Ă criminalidade uma prioridade mĂĄxima.
O presidente também enfrentou seu primeiro grande protesto convocado por grupos da sociedade civil e jovens da chamada Geração Z, exigindo medidas contra o aumento da criminalidade.
Esta nĂŁo Ă© a primeira vez que o Peru decreta estado de emergĂȘncia para lidar com questĂ”es de segurança.
Embora a ex-presidente Boluarte tenha imposto a mesma medida de 30 dias em março, analistas e especialistas em segurança afirmam que repetidas declaraçÔes de estado de emergĂȘncia pouco fizeram para reduzir a criminalidade.
Onda de protestos
Os jovens marcharam na quarta-feira passada (15) de diferentes partes da capital em direção ao centro histĂłrico, reunindo-se na Plaza San MartĂn e seguindo em direção Ă sede do Congresso, vigiada por centenas de policiais.
Em vårias regiÔes de Lima, houve confrontos entre manifestantes e policiais, além de fechamento de estradas devido à mobilização dos manifestantes e à suspensão temporåria de rotas de transporte, anunciou a Autoridade de Transporte Urbano de Lima e Callao (ATU) em suas redes sociais.
Os manifestantes carregavam bandeiras e cartazes rejeitando o Congresso e JerĂ, que foi nomeado presidente da RepĂșblica apĂłs a destituição de Dina Boluarte (2022-2025) por incapacidade moral em sua função de chefe do Parlamento.
A saĂda de Boluarte marca mais um episĂłdio de instabilidade no Peru, paĂs que teve seis presidentes em apenas sete anos.
O protesto massivo em Lima deixou uma pessoa morta por um ferimento a bala e mais de 100 feridos (78 policiais e 24 manifestantes), segundo a Defensoria do Povo, além de dez prisÔes.
O presidente interino JerĂ lamentou a morte de Ruiz e espera “que as investigaçÔes determinem objetivamente os fatos e as responsabilidades”.

