A participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro continua em crescimento, mas a igualdade salarial ainda avança lentamente. De acordo com o 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nas 54.041 empresas com mais de 100 funcionários, as mulheres ainda ganham, em média, 21,2% menos que os homens.
Apesar do cenário nacional, o Acre aparece entre os estados com menor diferença salarial mĂ©dia, ao lado de PiauĂ, Amapá, Distrito Federal, Ceará e Pernambuco. No territĂłrio acreano, a desigualdade Ă© de 9,1%, bem abaixo da mĂ©dia nacional e de estados como Paraná e Rio de Janeiro, onde a diferença ultrapassa os 28%.

Acre tem uma das menores desigualdades salariais do paĂs entre homens e mulheres/Foto: Reprodução
Segundo o levantamento, que analisou mais de 19 milhões de vĂnculos trabalhistas com base nas informações da RAIS entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, as mulheres tĂŞm remuneração mĂ©dia de R$ 3.908,76, enquanto os homens recebem R$ 4.958,43.
A subsecretária de EstatĂsticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, reforça a necessidade de acelerar as polĂticas de equidade salarial.
“É preciso que as empresas avancem na construção de planos de ação que promovam a igualdade salarial entre homens e mulheres. Precisamos acelerar esse processo”, afirmou.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que o avanço da presença feminina no mercado não é suficiente sem correção das desigualdades.
“A inserção das mulheres no mercado nĂŁo basta. É inaceitável que mulheres negras recebam metade do rendimento de homens nĂŁo negros. Precisamos intensificar medidas que corrijam essas distorções, ampliar polĂticas de apoio como licença-paternidade e auxĂlio-creche, e engajar a sociedade na redistribuição do trabalho domĂ©stico e de cuidado”, disse.
Entre 2023 e 2025, a proporção de mulheres empregadas passou de 40% para 41,1%, o que representa um aumento de cerca de 800 mil novas trabalhadoras em todo o paĂs. No Acre, o crescimento segue a tendĂŞncia nacional, impulsionado por polĂticas estaduais de incentivo Ă formalização e programas de capacitação profissional.
Segundo dados do IBGE, a taxa de ocupação feminina no estado tem aumentado de forma contĂnua nos Ăşltimos anos, especialmente em setores como educação, saĂşde, administração pĂşblica e comĂ©rcio.
Se a renda das mulheres acompanhasse sua participação no mercado, o paĂs teria um impacto econĂ´mico adicional de R$ 92,7 bilhões, segundo o relatĂłrio.

