Condomínios, hotéis e shoppings abandonados: os “elefantes brancos” que marcam Porto Velho

Estruturas inacabadas geram insegurança, doenças e prejuízo imobiliário; especialistas propõem revitalizações e novos usos para os prédios

Quem vive ou visita Porto Velho percebe facilmente uma realidade que se repete pela cidade: prédios inacabados ou abandonados há muitos anos. São os famosos “elefantes brancos”, construções que nasceram com promessa de desenvolvimento, mas acabaram se tornando símbolos de descaso, insegurança e perda econômica.

Essas edificações estão concentradas principalmente em áreas centrais e valorizadas da capital, afetando moradores e prejudicando o comércio local. Segundo o professor de engenharia Harrisson Rodrigues, prédios abandonados:

  • desvalorizam imóveis vizinhos;

  • favorecem o acúmulo de lixo e criadouros de mosquitos;

  • tornam-se pontos de ocupação por pessoas em situação de rua;

  • aumentam a sensação de insegurança urbana.

Harrisson coordena o projeto Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social, que analisa imóveis sem uso e propõe soluções sustentáveis para reaproveitá-los. Até agora, o grupo mapeou cinco estruturas abandonadas em Porto Velho:

  • Condomínio Porto Real – Av. Rio Madeira, Bairro Agenor de Carvalho

  • Edifício Millennium – Rua Afonso Pena, Centro

  • Antigo Hotel Vila Rica – considerado marco histórico

  • Antigo Shopping Popular

  • Prédio na Avenida Rio Madeira – em frente ao Porto Velho Shopping

O g1 também ouviu o corretor de imóveis Ednaldo Pereira, que afirma perder negócios devido à proximidade de edifícios abandonados. Segundo ele, muitos compradores evitam essas regiões por considerarem a área insegura e depreciada.

Grande parte dos imóveis listados enfrenta brigas judiciais entre herdeiros que não chegam a um consenso. O processo se arrasta na Justiça por anos, enquanto os prédios se deterioram. Ednaldo lembra ter negociado um imóvel com 16 herdeiros, sem acordo até que a estrutura começasse a sofrer danos sérios.


Propostas de revitalização

O professor Harrisson apresentou ideias para transformar esses espaços em empreendimentos úteis à população:

🏢 Condomínio Porto Real

Sem condições de recuperação, a recomendação é demolição controlada. A proposta sugere que o terreno receba o Centro Integrado da Criança e do Adolescente (CICA).

🏛️ Edifício Millennium

Considerado recuperável. Projeto prevê transformá-lo em centro educacional sustentável, com salas de aula e até horta comunitária.

🏬 Antigo Shopping Popular

Sugerido para requalificação comercial e social, estimulando empreendedorismo e turismo.

🏗️ Prédio da Av. Rio Madeira

Mesmo com fissuras, pode ser restaurado. A proposta é criar o Memorial Rondônia, espaço cultural com auditório, exposições e energia sustentável.

🏨 Antigo Hotel Vila Rica

Este já possui destino definido: será transformado em hospital, em parceria entre a FCR e a IRB Prime Care.

Prédio da Avenida Rio Madeira (em frente ao Pvh Shooping)  à esquerda e a direita o projeto de revitalização — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão "Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social"

Prédio da Avenida Rio Madeira (em frente ao Pvh Shooping) à esquerda e a direita o projeto de revitalização — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão “Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social”

Condomínio Porto Real (Av. Rio Madeira, Bairro Agenor de Carvalho). Prédio onde foi encontrado as tornozeleiras eletrônicas — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão "Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social"

Condomínio Porto Real (Av. Rio Madeira, Bairro Agenor de Carvalho). Prédio onde foi encontrado as tornozeleiras eletrônicas — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão “Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social”

Edifício Millennium (Rua Afonso Pena, Centro). Onde as obras estão paralisadas. — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão "Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social"

Edifício Millennium (Rua Afonso Pena, Centro). Onde as obras estão paralisadas. — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão “Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social”

Prédio da Avenida Rio Madeira (em frente ao Pvh Shooping) à esquerda e Condomínio Porto Real (Av. Rio Madeira, Bairro Agenor de Carvalho)  à direita — Foto: Reprodução/Harrisson Lucas

Prédio da Avenida Rio Madeira (em frente ao Pvh Shooping) à esquerda e Condomínio Porto Real (Av. Rio Madeira, Bairro Agenor de Carvalho) à direita — Foto: Reprodução/Harrisson Lucas

Fisuras no Prédio da Avenida Rio Madeira (em frente ao Pvh Shooping) — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão "Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social"

Fisuras no Prédio da Avenida Rio Madeira (em frente ao Pvh Shooping) — Foto: Reprodução/ Projeto de Extensão “Engenharia Solidária – Revitalização Urbana com Responsabilidade Social”


O que diz o poder público

A Prefeitura de Porto Velho, por meio da Semdec, afirma não ter um levantamento completo dos prédios abandonados. A pasta informou que analisa, por exemplo, o antigo Teatro Municipal, que pode virar escola de balé ou música. Outros edifícios devem ser destinados a projetos comunitários.

Até a última atualização, o CREA-RO não havia respondido à reportagem.

Fonte: g1
✍️ Redigido por ContilNet

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