Cerca de 80 famĂ­lias vivem sob risco de deslizamento de terra no Papouco, em Rio Branco

ClĂĄudio FalcĂŁo afirmou que todas as famĂ­lias da ĂĄrea convivem com algum nĂ­vel de risco

Por Suene Almeida, ContilNet 07/12/2025 Ă s 10:18 Atualizado: hĂĄ 5 meses

A comunidade do Papouco, em Rio Branco, passou por nova vistoria tĂ©cnica, nesta semana, realizada pela Prefeitura em conjunto com a Defensoria PĂșblica, MinistĂ©rio PĂșblico e demais ĂłrgĂŁos de fiscalização. A regiĂŁo, conhecida hĂĄ dĂ©cadas pela instabilidade do solo, segue classificada como ĂĄrea de risco, situação que pode atingir aproximadamente 80 famĂ­lias.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Clåudio Falcão, em conversa com o ContilNet, explicou que o problema não apenas persiste, mas se agrava. Segundo o oficial, a movimentação do terreno ocorre desde muito antes dos primeiros alertas.

Cerca de 80 famĂ­lias vivem sob risco de deslizamento de terra no Papouco, em Rio Branco

Papouco acumula 27 anos de agravamento e deixa cerca de 80 famĂ­lias vulnerĂĄveis | Foto: Secom

“O que acontece ali no Papouco nĂŁo Ă© de agora. Isso começou a se agravar em 1998. SĂŁo 27 anos de agravamento. Desde 98 a situação piora, e toda vez que chove e passa de um ano para o outro, vai levando os sedimentos”, explicou.

FalcĂŁo ressaltou que o processo de erosĂŁo chega agora a uma fase mais perigosa. Os sedimentos menores, removidos lentamente pela chuva em anos anteriores, jĂĄ nĂŁo existem mais na superfĂ­cie.

Cerca de 80 famĂ­lias vivem sob risco de deslizamento de terra no Papouco, em Rio Branco

Coronel ClĂĄudio FalcĂŁo/Foto: Marcos AraĂșjo/Assecom

“Os sedimentos menores praticamente jĂĄ foram todos. Agora restam os maiores, e esse tipo de sedimento, quando se desprende, provoca um deslizamento sĂșbito. Se nĂŁo houver uma obra estruturante ou remoção de famĂ­lias, a gente pode ter um acidente grave. NĂŁo tem como negar isso”, alertou.

Até 80 famílias podem ser atingidas

O oficial afirmou que todas as famĂ­lias da ĂĄrea convivem com algum nĂ­vel de risco, embora nem todas com o mesmo grau de ameaça imediata. “Ali sĂŁo aproximadamente 80 famĂ­lias, 80 residĂȘncias. Todas tĂȘm risco, mas nĂŁo Ă© o mesmo risco. Tem casa que pode cair amanhĂŁ e casa que pode levar um ano. Mas existe o risco? Existe. A terra se movimenta sempre que hĂĄ fuga de sedimentos. Estamos falando de quase trĂȘs dĂ©cadas de agravamento”, disse.

FalcĂŁo ilustra o cenĂĄrio com um exemplo comum observado pelas equipes nas casas da comunidade. “Se vocĂȘ for lĂĄ, vai ver vĂĄrias casas escoradas. O morador usa macaco hidrĂĄulico, levanta a casa, coloca um barrote e tenta equilibrar. A casa sobe, mas a terra continua se movendo. Hoje Ă© lento e gradual, mas pode chegar um momento em que vai ser sĂșbito, e aĂ­ cai tudo de uma vez”, enfatizou.

Cerca de 80 famĂ­lias vivem sob risco de deslizamento de terra no Papouco, em Rio Branco

FalcĂŁo ressaltou que o processo de erosĂŁo chega agora a uma fase mais perigosa | Foto: Secom

Questionado sobre a possibilidade de colapso imediato na ĂĄrea, o coordenador foi enfĂĄtico: nĂŁo hĂĄ como afirmar quando acontecerĂĄ, mas hĂĄ certeza de que ocorrerĂĄ, caso nada seja feito.

“As pessoas perguntam: ‘Coronel, se jĂĄ tem 27 anos assim, vai cair tudo agora, este ano?’ NĂŁo, nĂŁo Ă© isso que estou dizendo. O que digo Ă© que vai chegar um momento. A gente nĂŁo sabe se Ă© daqui a um ano, dois anos ou dois meses. NĂŁo conseguimos prever. Mas sabemos que pode acontecer um acidente sĂ©rio”, afirmou.

 

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