Falso médico operava vendo tutoriais no YouTube e mata paciente

PolĂ­cia investiga morte de mulher apĂłs cirurgia improvisada por falso mĂ©dico bĂȘbado em clĂ­nica sem licença

Por Correio Braziliense 27/12/2025

Uma mulher morreu depois de ser submetida a uma cirurgia realizada por um homem que fingia ser mĂ©dico e assistia a um vĂ­deo do YouTube durante o procedimento. O falso profissional estava bebĂądo durante a operação ilegal. O caso ocorreu na cidade de Barabanki, na Índia.

A vĂ­tima, Munishra Rawat, operĂĄria e mĂŁe de trĂȘs filhos, tinha 38 anos e procurou atendimento no dia 4 de dezembro apĂłs sentir fortes dores abdominais. Ela foi levada pelo marido, Tehbahadur Rawat, a uma clĂ­nica chamada Shri Damodar Aushdhalaya, que funcionava sem licença sanitĂĄria ou registro no Departamento de SaĂșde.

Falso médico operava vendo tutoriais no YouTube e mata paciente

Cirurgia ocorreu em clínica ilegal, com falso médico/Foto: FreePik

Segundo o marido, o proprietĂĄrio do local, Gyan Prakash Mishra, diagnosticou erroneamente o problema como sendo causado por “pedras” e afirmou que seria necessĂĄria uma cirurgia imediata. Mesmo sem formação mĂ©dica, Mishra iniciou o procedimento enquanto assistia a um tutorial no YouTube. Familiares relataram ainda que ele aparentava estar embriagado no momento da cirurgia.

Durante a operação, Mishra contou com a ajuda do sobrinho, Vivek Kumar Mishra. De acordo com a denĂșncia apresentada Ă  polĂ­cia, ambos realizaram incisĂ”es profundas e descontroladas, rompendo artĂ©rias e veias importantes. A paciente começou a sangrar intensamente. Ela tambĂ©m nĂŁo recebeu anestesia adequada nem cuidados bĂĄsicos de esterilização.

O estado de saĂșde de Munishra piorou rapidamente. Ela foi levada a um hospital pĂșblico no dia seguinte, mas nĂŁo resistiu Ă s complicaçÔes e morreu na noite de 6 de dezembro. O laudo da autĂłpsia confirmou que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por cortes mal executados, descartando apendicite ou cĂĄlculos biliares.

A polĂ­cia local abriu um inquĂ©rito e registrou um caso de homicĂ­dio culposo por negligĂȘncia mĂ©dica. TambĂ©m foram incluĂ­das acusaçÔes com base na Lei de Prevenção de Atrocidades contra Castas e Tribos Registradas (SC/ST Act), jĂĄ que a vĂ­tima pertencia Ă  comunidade Dalit, protegida pela legislação indiana.

Segundo o superintendente de polícia de Barabanki, Arpit Vijayvargiya, uma equipe médica foi acionada para verificar as credenciais do acusado e confirmou que Mishra não possuía qualquer formação em medicina, nem títulos como MBBS ou BAMS. A clínica foi lacrada, e itens usados no procedimento, incluindo o celular com o vídeo do YouTube, foram apreendidos.

Gyan Prakash Mishra e o sobrinho fugiram apĂłs o ocorrido e seguem foragidos. A polĂ­cia realiza buscas na regiĂŁo e afirma que nĂŁo haverĂĄ tolerĂąncia com prĂĄticas ilegais que coloquem vidas em risco.

“Confiamos nele cegamente. Ele cortou tĂŁo fundo que o sangue nĂŁo parava”, disse Tehbahadur Rawat em depoimento Ă  polĂ­cia. Trabalhador diarista, ele afirmou ter pedido dinheiro emprestado para pagar parte do valor cobrado pela suposta cirurgia e agora teme pelo futuro dos trĂȘs filhos.

Autoridades de saĂșde de Uttar Pradesh afirmaram que irĂŁo intensificar a fiscalização e promover campanhas de conscientização para alertar a população sobre os riscos de procurar atendimento em estabelecimentos nĂŁo autorizados.

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