Líder religioso é investigado por série de abusos e vítimas podem chegar a 12

PolĂ­cia apura denĂșncias contra ex-integrante da Igreja Batista FiladĂ©lfia suspeito de estupro de vulnerĂĄvel

Por Redação 24/12/2025 às 07:25

A PolĂ­cia Civil do Distrito Federal investiga novas denĂșncias contra Gabriel de SĂĄ Campos, de 30 anos, suspeito de cometer abusos sexuais contra adolescentes que frequentavam a Igreja Batista FiladĂ©lfia, no GuarĂĄ 2. Inicialmente, quatro vĂ­timas foram identificadas, mas o nĂșmero pode chegar a 12, apĂłs a apuração de outras oito possĂ­veis vĂ­timas.

O caso Ă© conduzido pela 4ÂȘ Delegacia de PolĂ­cia, que apura crimes de estupro de vulnerĂĄvel cometidos, segundo os investigadores, de forma reiterada, planejada e ao longo de pelo menos seis anos. Gabriel ocupava posição de liderança no ministĂ©rio de adolescentes da igreja, o que lhe permitia acesso direto e frequente Ă s vĂ­timas.

Líder religioso é investigado por série de abusos e vítimas podem chegar a 12

Reprodução

Padrão de abuso e manipulação

De acordo com a polĂ­cia, o investigado utilizava sua função como instrutor de um curso de “integridade sexual” oferecido pela igreja para obter informaçÔes Ă­ntimas e explorar fragilidades emocionais dos adolescentes, todos do sexo masculino. Os relatos apontam que os abusos ocorreram quando as vĂ­timas tinham entre 10 e 17 anos.

Em um dos episódios, o abuso teria ocorrido dentro da própria igreja, durante uma festa do pijama sob responsabilidade do suspeito. Em outras situaçÔes, ele convidava os adolescentes para sua casa com o pretexto de assistir a filmes, ocasião em que cometia os crimes.

As vĂ­timas relatam que, mesmo apĂłs pedidos para que ele parasse, o suspeito persistia nos atos. Para escapar das investidas, alguns adolescentes chegaram a se esconder em banheiros ou pedir que os pais fossem buscĂĄ-los.

As investigaçÔes indicam ainda que os abusos não aconteciam simultaneamente. Segundo a polícia, Gabriel se aproximava de um adolescente por vez, criava vínculo e, após o afastamento da vítima, passava a agir contra outro jovem.

PrisĂŁo e medidas judiciais

Gabriel de SĂĄ Campos estĂĄ preso temporariamente desde sexta-feira (19/12), com prazo inicial de 30 dias, que pode ser prorrogado. A Justiça tambĂ©m determinou busca e apreensĂŁo domiciliar, quebra de sigilos telefĂŽnico e telemĂĄtico dos Ășltimos cinco anos, alĂ©m de medidas protetivas, como a proibição de se aproximar das vĂ­timas em um raio de 300 metros e o afastamento definitivo de qualquer função religiosa.

O delegado responsĂĄvel pelo caso destacou que a polĂ­cia seguirĂĄ investigando com rigor.

“A Polícia Civil do Distrito Federal reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes e assegura que crimes contra a dignidade sexual de vulneráveis serão rigorosamente investigados, independentemente do contexto social, religioso ou familiar”, afirmou.

Tentativas de silenciamento

Segundo os relatos colhidos pela investigação, quando um dos casos veio Ă  tona, em dezembro de 2024, o pai do investigado — que tambĂ©m Ă© presidente da igreja — teria classificado o ocorrido como “brincadeira” ou “ato involuntĂĄrio”, pedindo silĂȘncio Ă s famĂ­lias.

Em uma reunião interna realizada em novembro deste ano, um diácono teria se referido aos crimes como “mal-entendidos” e sugerido um “pacto de sigilo”, alegando que “problemas da igreja se resolvem na igreja, não na polícia”. Há ainda relatos de intimidação por parte da mãe do investigado, que teria acusado adolescentes de “falso testemunho” e ameaçado processar as famílias.

Apesar de uma carta lida à congregação informando o afastamento de Gabriel, a polícia aponta que ele continuou frequentando cultos e acessando åreas restritas da igreja.

O que diz a igreja

Em nota, a Igreja Batista Filadélfia afirmou que é falsa a informação de que o investigado continuava exercendo funçÔes de liderança em 2025 e destacou que ele nunca foi pastor da instituição.

A igreja negou qualquer tentativa de encobrir os fatos e afirmou que sempre orientou as famĂ­lias a procurarem as autoridades.

“A igreja entende que o acolhimento espiritual não substitui, em hipótese alguma, o dever de buscar a Justiça estatal”, diz o comunicado.

A instituição afirmou ainda que colabora com as investigaçÔes e que o sigilo do caso visa proteger as vítimas e suas famílias.


Fonte: PolĂ­cia Civil do Distrito Federal
✍ Redigido por ContilNet

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