“Ensaios no real e na ficção” propĂ”e atravessar memĂłria, corpo e autobiografia em oficina

Conduzida pela multiartista Marcia Regina da cia. víÇeras, a oficina convida o pĂșblico em geral a borrar as fronteiras entre vida e cena em um processo de criação que parte do corpo, da experiĂȘncia pessoal e do encontro.

Por Assessoria 29/01/2026 Ă s 15:54

A oficina “Ensaios no real e na ficção” chega como um convite para quem deseja experimentar as artes vivas para alĂ©m dos procedimentos tradicionais, e aposta na fricção entre o que Ă© vivido e o que Ă© inventado, potencializando a autobiografia como matĂ©ria de criação. A atividade ocorre no prĂłximo dia 4 de fevereiro, das 18 horas Ă s 21 horas, na sala de dança da Usina JoĂŁo Donato. Para participar, basta se inscrever no link: https://goo.su/eUueXD

Com trajetĂłria que atravessa dança, teatro, cinema e artes visuais, Marcia define a oficina como um espaço de investigação contĂ­nua. “Eu ofereço essa oficina hĂĄ muitos anos, e muitos dos procedimentos que trago nela vĂȘm do processo de criação do espetĂĄculo ‘Isto tambĂ©m passarĂĄ, antes que eu morra, espetĂĄculo que apresentaremos na mesma semana da oficina’”, explica. Segundo a artista, o foco estĂĄ em compreender “como se dĂĄ esse encontro entre o real e a ficção, e partir daĂ­ construir mundos que tenham a potĂȘncia da prĂłpria vida”.

A proposta nĂŁo se limita Ă  criação de cenas fechadas. Pelo contrĂĄrio, busca deslocar certezas. “Muito mais do que criar cenas e coreografias, a oficina tenta bagunçar essas fronteiras. A vida acontece tambĂ©m na cena”, afirma Marcia. Nesse processo, a memĂłria surge nĂŁo como lembrança distante, mas como “material e documento vivo para inventar mundos”.

“Ensaios no real e na ficção” propĂ”e atravessar memĂłria, corpo e autobiografia em oficina

Foto: Humberto AraĂșjo

Um dos eixos centrais da oficina Ă© a chamada dramaturgia do corpo, conceito que atravessa a prĂĄtica artĂ­stica da artista. “O meu trabalho tem muito a ver com o foco no corpo, com o entendimento desse corpo no tempo e no espaço”, diz. A partir dele, surgem gestos, aproximaçÔes e relaçÔes – entre pessoas, objetos e paisagens.

Durante os encontros, os participantes sĂŁo convidados a improvisar, criar pequenas cenas, experimentar açÔes e refletir coletivamente sobre os processos. “Eu proponho açÔes que dialogam com o grupo, porque me alimento muito do que Ă© palpĂĄvel no momento presente do encontro entre seres. Existe sempre uma abertura para coisas novas”, destaca a artista.

“Ensaios no real e na ficção” propĂ”e atravessar memĂłria, corpo e autobiografia em oficina

Foto: Humberto AraĂșjo

Criação coletiva e escuta sensível

O conteĂșdo programĂĄtico da oficina inclui momentos de introdução teĂłrica, prĂĄticas corporais, exercĂ­cios de criação individual e coletiva, alĂ©m de ensaios com feedback em grupo. A ideia Ă© que cada participante possa experimentar a prĂłpria narrativa e, ao mesmo tempo, construir algo em comum.

“A colaboração Ă© uma ferramenta de criação fundamental”, reforça Marcia. O percurso se encerra com uma reflexĂŁo sobre o impacto da prĂĄtica artĂ­stica na vida cotidiana e uma partilha das cenas desenvolvidas, valorizando o processo em todas as suas etapas.

Aberta ao pĂșblico em geral, a oficina se apresenta como um espaço de experimentação sensĂ­vel, onde arte e vida se contaminam. Como resume a artista, trata-se de “pensar maneiras de estar no mundo com mais presença, criando a partir do que somos, do que vivemos e do que ainda podemos inventar”.

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