A oficina âEnsaios no real e na ficçãoâ chega como um convite para quem deseja experimentar as artes vivas para alĂ©m dos procedimentos tradicionais, e aposta na fricção entre o que Ă© vivido e o que Ă© inventado, potencializando a autobiografia como matĂ©ria de criação. A atividade ocorre no prĂłximo dia 4 de fevereiro, das 18 horas Ă s 21 horas, na sala de dança da Usina JoĂŁo Donato. Para participar, basta se inscrever no link: https://goo.su/eUueXD
Com trajetĂłria que atravessa dança, teatro, cinema e artes visuais, Marcia define a oficina como um espaço de investigação contĂnua. âEu ofereço essa oficina hĂĄ muitos anos, e muitos dos procedimentos que trago nela vĂȘm do processo de criação do espetĂĄculo âIsto tambĂ©m passarĂĄ, antes que eu morra, espetĂĄculo que apresentaremos na mesma semana da oficinaââ, explica. Segundo a artista, o foco estĂĄ em compreender âcomo se dĂĄ esse encontro entre o real e a ficção, e partir daĂ construir mundos que tenham a potĂȘncia da prĂłpria vidaâ.
A proposta nĂŁo se limita Ă criação de cenas fechadas. Pelo contrĂĄrio, busca deslocar certezas. âMuito mais do que criar cenas e coreografias, a oficina tenta bagunçar essas fronteiras. A vida acontece tambĂ©m na cenaâ, afirma Marcia. Nesse processo, a memĂłria surge nĂŁo como lembrança distante, mas como âmaterial e documento vivo para inventar mundosâ.

Foto: Humberto AraĂșjo
Um dos eixos centrais da oficina Ă© a chamada dramaturgia do corpo, conceito que atravessa a prĂĄtica artĂstica da artista. âO meu trabalho tem muito a ver com o foco no corpo, com o entendimento desse corpo no tempo e no espaçoâ, diz. A partir dele, surgem gestos, aproximaçÔes e relaçÔes – entre pessoas, objetos e paisagens.
Durante os encontros, os participantes sĂŁo convidados a improvisar, criar pequenas cenas, experimentar açÔes e refletir coletivamente sobre os processos. âEu proponho açÔes que dialogam com o grupo, porque me alimento muito do que Ă© palpĂĄvel no momento presente do encontro entre seres. Existe sempre uma abertura para coisas novasâ, destaca a artista.

Foto: Humberto AraĂșjo
Criação coletiva e escuta sensĂvel
O conteĂșdo programĂĄtico da oficina inclui momentos de introdução teĂłrica, prĂĄticas corporais, exercĂcios de criação individual e coletiva, alĂ©m de ensaios com feedback em grupo. A ideia Ă© que cada participante possa experimentar a prĂłpria narrativa e, ao mesmo tempo, construir algo em comum.
âA colaboração Ă© uma ferramenta de criação fundamentalâ, reforça Marcia. O percurso se encerra com uma reflexĂŁo sobre o impacto da prĂĄtica artĂstica na vida cotidiana e uma partilha das cenas desenvolvidas, valorizando o processo em todas as suas etapas.
Aberta ao pĂșblico em geral, a oficina se apresenta como um espaço de experimentação sensĂvel, onde arte e vida se contaminam. Como resume a artista, trata-se de âpensar maneiras de estar no mundo com mais presença, criando a partir do que somos, do que vivemos e do que ainda podemos inventarâ.

