Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer no Brasil

Tratamento atua diretamente na causa da doença e é indicado para pacientes em estågio inicial

Por Redação 08/01/2026

A Anvisa aprovou um novo medicamento para o tratamento da doença de Alzheimer no Brasil. O Leqembi, produzido a partir do anticorpo lecanemabe, representa um avanço significativo ao atuar diretamente na progressĂŁo da doença — algo inĂ©dito atĂ© entĂŁo. A liberação ocorreu em 22 de dezembro de 2025.

O Alzheimer Ă© a principal causa de demĂȘncia neurodegenerativa no mundo. No Brasil, segundo o MinistĂ©rio da SaĂșde, mais de um milhĂŁo de pessoas convivem com a doença, que afeta memĂłria, raciocĂ­nio e autonomia. AtĂ© agora, os tratamentos disponĂ­veis eram voltados apenas ao controle dos sintomas, sem interferir na causa do problema.

Leqembi: Anvisa libera novo medicamento contra o Alzheimer no Brasil

Leqembi — Foto: Reuters

Como o Leqembi age no organismo

O Leqembi Ă© indicado para pacientes com demĂȘncia leve causada pelo Alzheimer, ou seja, nos estĂĄgios iniciais da doença. Seu princĂ­pio ativo, o lecanemabe, Ă© um anticorpo monoclonal — semelhante aos produzidos naturalmente pelo sistema imunolĂłgico — desenvolvido para remover as placas de beta-amiloide do cĂ©rebro.

A beta-amiloide é uma substùncia que se acumula entre os neurÎnios e estå diretamente relacionada à degeneração cerebral típica do Alzheimer. Ao estimular a limpeza dessas placas, o medicamento consegue retardar a destruição neuronal e desacelerar o avanço da doença.

O tratamento é feito por infusão intravenosa, geralmente a cada duas semanas, e exige acompanhamento médico rigoroso.

EvidĂȘncias cientĂ­ficas

A eficĂĄcia do lecanemabe foi demonstrada em um grande estudo publicado em 2022 na New England Journal of Medicine, uma das revistas cientĂ­ficas mais respeitadas do mundo. O ensaio clĂ­nico envolveu 1.795 pacientes com Alzheimer em estĂĄgio inicial.

Após 18 meses de tratamento, os participantes que receberam o medicamento apresentaram redução significativa do declínio cognitivo e funcional, indicando uma progressão mais lenta da doença em comparação ao grupo que recebeu placebo.

Desde 2023, o Leqembi jå é aprovado pela FDA e utilizado nos Estados Unidos. Com a liberação da Anvisa, o medicamento passa a estar disponível também no Brasil.

Avanço, mas com cautela

Especialistas avaliam a aprovação como um marco importante, mas alertam para a necessidade de cautela. O neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, destaca que o medicamento abre uma nova perspectiva no tratamento do Alzheimer.

“Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta de oportunidade para intervir na evolução da doença”, explica.

Por outro lado, o médico ressalta que ainda é cedo para considerar o tratamento uma solução definitiva.

“É uma terapia nova, com custo elevado e possíveis riscos. Ainda precisamos de mais tempo e estudos para avaliar se o benefício compensa o investimento e os efeitos adversos”, pondera.

O que muda a partir de agora

A aprovação do Leqembi marca uma mudança de paradigma: pela primeira vez, um medicamento aprovado no Brasil atua na causa biológica do Alzheimer, e não apenas nos sintomas. Apesar disso, o tratamento não é uma cura e não reverte danos jå existentes, apenas desacelera a progressão da doença quando iniciado precocemente.

A expectativa é que novos estudos, políticas de acesso e avaliaçÔes de custo-benefício definam como o medicamento serå incorporado à pråtica clínica no país.


Fonte: Anvisa; New England Journal of Medicine; MinistĂ©rio da SaĂșde / G1
✍ Redigido por ContilNet

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